Views
4 years ago

Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero

Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero

B&O (Balthimor e Ohio) e

B&O (Balthimor e Ohio) e Martha Carey Thomas – feminista e doutora em filosofia - foi um dos exemplos. Ambas fundaram em 1867 a Hopkins University, e em 1889 o John Hopkins Hospital. Por toda parte, no final do século XIX, à custa de sucessos duramente conquistados nas universidades pioneiras, abriu-se em outros países, pouco a pouco, o campo da medicina para as mulheres, “com mais ou menos facilidade, de acordo com a estrutura e as tradições culturais de cada um” (SANTUCCI, 2005, p.159), de modo que, por volta de 1900 passaram de algumas centenas para milhares ao final do século XX. Constata-se que a propagação e ascensão das mulheres na medicina nesse século foram e são trajetos, cujas inúmeras barreiras necessitaram e ainda necessitam ser transpostas. Algumas poucas obtiveram posição de destaque tornando-se celebridades, enquanto que muitas e muitas permaneceram e permanecem com carga de trabalho elevada, enfrentaram e enfrentam problemas de estudo e com a carreira. Impor-se à clientela, ao mesmo tempo em que conjugavam e conjugam hoje sua vida de mulher e de médica, também foram e são lutas a vencer. Bourdieu (1999) lembra que desde que existem homens e mulheres as estruturas objetivas e subjetivas de criação e (re)criação da dominação masculina realiza-se permanentemente por meio da qual a ordem masculina se vê continuamente reproduzida através dos tempos. A Igreja, o Estado, a Escola são entidades decisivas das mudanças das relações entre os sexos nas diferentes épocas do desenvolvimento social. O clero reproduz no alto de sua sabedoria uma visão pessimista das mulheres. Tidas como responsáveis pela degradação moral merecem sofrer todos os pecados do mundo. A instituição escolar encaminhou até época recente, modos de pensar e modelos arcaicos fazendo do homem o princípio ativo e da mulher o elemento passivo. A medicina ofereceu até o século XIX, justificativas anatômicas e fisiológicas para o estatuto da mulher delineando sua natureza delicada e tola, e confinando-a a ação reprodutora. Verifica-se nas escolas de Medicina, nas quais a porção de mulheres decresce à medida que se eleva a hierarquia das especialidades, “algumas das quais, como a cirurgia, lhes são praticamente interditadas, ao passo que outras, como a pediatria, ou a ginecologia , lhes estão quase que reservadas” (BOURDDIEU, 1999, p.109). Excluídas dos assuntos públicos, mais especificamente dos econômicos, confinadas por muito tempo ao universo doméstico, principalmente materno, mesmo que aparentemente reconhecidas e celebradas, só o são, segundo Bourdieu (1999, p.116), “enquanto permanecem subordinadas às atividades de produção, as únicas que recebem uma verdadeira sanção econômica e social, e organizada em relação aos interesses materiais e simbólicos da descendência, isto é, dos homens”. Bourdieu (1999, p.126) cita que “a verdade das relações estruturais de dominação sexual se deixa realmente entrever a partir do momento em que observamos, por exemplo, que as mulheres 4

que atingiram os mais altos cargos (chefe, diretora em um ministério, etc.) têm que ‘pagar’, de certo modo, por esse sucesso profissional com um menor ‘sucesso ‘ na ordem doméstica (divórcio, casamento tardio, celibato, dificuldade ou fracasso com os filhos, etc.) e na economia de bens simbólicos”, ou ao contrário. Conforme o autor, “a homologia entre as estruturas das posições masculinas e das posições femininas nos diferentes espaços sociais (...) tende a manter-se mesmo quando os termos não param de mudar de conteúdo substancial, em uma série de corrida de obstáculos em que as mulheres jamais eliminam seu handicap” (BOURDIEU, 1999, p. 127). Os depoimentos das médicas entrevistadas apontam que estas contradições continuam operando em pleno século XXI. As entrevistadas desde o inicio de suas carreiras tiveram problemas de coerção social vinculada à relação de gênero, ou assédio sexual. Tal fato provavelmente deve-se a perpetuação da ordem masculina reproduzida através dos tempos, pois mesmo possuindo um grande capital cultural e autonomia econômica, conforme Santucci (2005) e Bourdieu (1999), não bastam para que elas tenham acesso às mesmas condições em relação aos homens, Bourdieu (1999). CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados revelaram que a perpetuação social androcêntrica permite que os homens, nos tempos atuais, ainda dominem coletiva e individualmente as mulheres e que essa dominação propicia à eles privilégios materiais, culturais e simbólicos; marcantes em ela opera como um homem, “eu era vaca marcada” e “ela é tão bonitinha” . Referências BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina. Tradução Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Bertrand. Brasil, 1999. SANTUCCI, Josette. Dall’. A. Mulheres e Médicas. As pioneiras da Medicina. Rio de Janeiro: 5

abrigos em movimento: - Instituto Fazendo História
CADA CASO É UM CASO - Instituto Fazendo História
Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero
Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero - UFSC
Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero
Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero - UFSC
Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero - UFSC
Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero 10
Escrevendo a história no feminino - Seminário Internacional ...
Escrevendo a história no feminino - Seminário Internacional ...
Posturas Femininas em uma Escola Pública de ... - Fazendo Gênero
as máscaras do feminino - Fazendo Gênero 10
a escrita feminina de Francisca Clotilde - Fazendo Gênero 10
a presença feminina no cinema brasileiro nos ... - Fazendo Gênero
Abordagens à corporeidade feminina na cena ... - Fazendo Gênero
Futebol, gênero e identidade feminina: Um ... - Fazendo Gênero
Gênero: multiplicidade de representações e ... - Fazendo Gênero
Gênero e Sexualidade nas Práticas Escolares ... - Fazendo Gênero
Gênero: multiplicidade de representações e ... - Fazendo Gênero
História das mulheres na guerra do Paraguai - Fazendo Gênero 10
Violência; Gênero; Ciências - Fazendo Gênero
Download do Trabalho - Fazendo Gênero - UFSC
GÊNERO E PSICOLOGIA: UM DEBATE EM ... - Fazendo Gênero
História, gênero e trajetórias biográficas – ST 42 - Fazendo Gênero ...