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Gênero e Religião. ST 24 Marilane Machado Universidade Federal ...

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pequenos proprietários

pequenos proprietários da região. Nos anos 70 e 80, portanto, passava-se por uma intensa desestabilização da pequena propriedade agrícola de produção familiar e crescimento da empresas rurais e latifúndios e com eles o surgimento de uma nova categoria de trabalhadores da agricultura no Oeste de Santa Catarina. vii Todo este contexto leva ao surgimento de movimentos sociais reivindicando melhores condições em todas as esferas da vida para esta população, dentre estes movimentos, os que estavam ligados à Igreja Católica viii . Os trabalhadores agrícolas, neste contexto, passaram então a criar novas formas de reivindicação e os "sindicatos combativos" se espalham pelo campo. É com a profissionalização e sindicalização do trabalhador rural em Santa Catarina que surge a luta pelo surgimento de uma identidade da "mulher agricultora" ix , a partir de então reconhecida como trabalhadora rural assim como os homens, já que até então era vista como trabalhadora doméstica. Percebe-se a partir de então o surgimento de uma consciência de classe x a partir da experiência das mulheres agricultoras em Chapecó que passaram a reunir-se em um movimento apoiado pela Igreja através da elaboração de materiais de divulgação e reuniões, no intuito de mobilizar essas agricultoras. Através desta idéia podemos compreender mais nitidamente a ilustração de capa da cartilha elaborada pelo movimento de mulheres agricultoras em conjunto com a Pastoral da Saúde, a qual traz a imagem de uma mulher usando avental e chapéu, em uma das mãos esta mulher segura uma enxada, em outra um cesto, ao fundo vemos a paisagem rural, aparentemente uma plantação. Esta imagem divide a capa com outra: um grupo de mulheres numa fila e uma mulher segurando um microfone, aparentemente trata-se de uma reivindicação por melhores condições de saúde já que a cartilha trata deste assunto. Acima das duas ilustrações, num lugar de destaque e em vermelho, vê-se o símbolo do sexo feminino. As mulheres poderiam ser representadas na capa da cartilha numa situação familiar qualquer ou no exercício do trabalho doméstico, mas não o foram devido a toda a intenção dos movimentos em representá-la enquanto trabalhadora que merece ser reconhecida como tal e ter acesso aos direitos como qualquer outro cidadão, ressaltando-se, porém, a sua condição de mulher. Este pensamento vai aparentemente ao encontro da idéia de Daboit em sua dissertação, de que foi mais intensa a luta por uma profissionalização destas mulheres do que a alteração do comportamento da relação entre homem e mulher dentro da estrutura familiar e da sociedade em geral, ou mesmo de que não eram ressaltadas as questões de gênero.

Pensamos, no entanto, que uma prática não exclui a outra, ao contrário, as duas práticas de transformação social são complementares, as mulheres agricultoras só poderiam reconhecer-se enquanto trabalhadoras e reivindicar seus direitos a partir do momento em que transformassem toda uma estrutura em torno de si, o que englobava a estrutura familiar, podemos perceber tal idéia a partir de depoimentos transcritos na própria dissertação de Daboit, tal qual a fala de Dom José Gomes que citamos a seguir: As próprias mulheres ao irem trabalhando na tomada de consciência de que eram agricultoras, começaram a se organizar para outras lutas, no sentido dos direitos da mulher, de participar de atividades não só agrícola e familiar, mas inclusive sócio-políticas. De serem reconhecidas como mulheres agricultoras, com direitos sócio-políticos e familiares. Reconhecidas como alguém que também tem voz ativa dentro da família. Que podem se expressar e lutar pelos seus direitos. Então elas começam a organizar grupos e pouco a pouco criar o movimento de mulheres Agricultoras na luta pelos seus direitos. Também dentro da própria família que houvesse uma relação mais igualitária, onde a mulher também tivesse o direito de poder falar e discutir problemas sócio-políticos no que diz respeito aos direitos que ela tem, pois normalmente era o homem que determinava o que devia ser feito. xi A percepção que temos é de que as mulheres, além de lutar por seus direitos enquanto trabalhadoras passaram a lutar por igualdade em todas as instâncias sociais, inclusive na família. Um dos direitos reivindicados por elas através do Movimento de Mulheres Agricultoras e com o apoio da Igreja Católica, foi o direito à saúde, neste caso específico com o apoio da Pastoral da Saúde na elaboração de materiais e promoção de encontros. É neste contexto e com este intuito, portanto, que é confeccionada a cartilha aqui colocada em discussão que traz um título bem significativo: "Juntas, na roça e na cidade, para construir uma nova sociedade". A "nova sociedade" colocada em questão era a sociedade em que haveria, além de outras coisas, "saúde para todos", era esta a bandeira levantada não só pela Pastoral da Saúde, mas por um vasto número de movimentos sociais durante a década de 1980, os quais formaram o chamado Movimento Pela Reforma Sanitária, cujas principais lutas eram: contra a ditadura militar, contra o complexo médico-industrial, a favor de um sistema de saúde que fundisse o Ministério da Previdência e o da Saúde e que fosse elaborado um sistema de saúde hierarquizado. xii Uma nova constituição, como sabemos, seria aprovada em 1988 trazendo, pela primeira vez, um capítulo sobre saúde em que era implementado o Sistema Único de Saúde, os direitos garantidos no discurso oficial, no entanto, não o garantem na prática. Desta forma, a cartilha em discussão, elaborada provavelmente nos primeiros anos da década de 1990 traz outro tipo de crítica já em sua

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