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Gênero nas interseções: classe, etnia e gerações ... - Fazendo Gênero

Gênero nas interseções: classe, etnia e gerações ... - Fazendo Gênero

agressor pois é a

agressor pois é a “certeza, ou quase certeza da impunidade” 34 que propicia uma parcela significativa da violência doméstica, seja contra a mulher, a criança ou o idoso. Nesse sentido, no Fórum de discussão sobre as recomendações dos comitês Cedaw (Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher), e Pidesc (Pacto de direitos econômicos sociais e culturais na área de saúde, direitos sexuais e direitos reprodutivos da mulher), realizado em 05/04/2005, em Brasília, as organizações feministas começaram uma luta para que os casos de violência deixem de ser julgados nesses juizados e passem para varas especializadas a serem criadas pelo poder judiciário e, para a mudança na denominação “menor poder ofensivo” que não ocasiona o afastamento cautelar do agressor e não garante a punição. . Investigar a violência doméstica não se constitui em tarefa fácil, na medida em que as questões que envolvem esses eventos são, na sua maioria, “resolvidas” dentro e pela família, criando-se o que Figueiredo 35 chama de “a conspiração do silêncio”, transformando esse tema em “maldito” na medida em que, ao abordá-lo, se está desvelando uma face que a família tem todo o interesse em manter oculta. Alguns são os mitos que colaboram para a manutenção do fenômeno da violência contra o(a) idoso(a), perpetrando o desconhecimento, a ignorância ou o interesse ideologicamente camuflados. O mito da casa como espaço privado, secreto por excelência, “garantindo” aos seus membros todas as ações neste contexto, é um deles. Esse mito inibe a ação de profissionais, parentes e vizinhos, que não querem invadir a privacidade do outro, privacidade esta utilizada como espaço de tortura de seres incapazes de se defender 36 . Apesar disso, faz-se necessário que mais pesquisas se desenvolvam não apenas para denunciar a existência da violência familiar contra o (a) velho (a), mas para reconhecê-la, identificar suas formas e propor formas de intervenções adequadas que protejam as vítimas de um sofrimento desnecessário, pois ao se constituir “como uma realidade desconhecida, ou mal conhecida, acaba por se configurar como mais uma forma de violência que opera no nível estrutural: a invisibilidade” 37 , que costuma vir acompanhada pelo descaso. NOTAS: 1 Psicóloga, especialista em terceira idade pela Universidade Católica do Salvador, mestre em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; doutoranda em História pela Universidade Federal da Bahia; coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade do Estado da Bahia – UNEB; coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. 2 BRITTO DA MOTTA, A categoria geração na pesquisa científica. In: XXII SEMINÁRIO NACIONAL DE PESQUISA EM ENFERMAGEM, Porto Seguro/Ba, 28/04/2003. 3 Sr. F. mora com a esposa e dois filhos adultos que ainda não deixaram a casa dos pais. 4 PEIXOTO, C. E. (Organizadora). Família e envelhecimento. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. 5 CAMARANO, Ana Amélia; KANSO, Solange; PASINATO, Maria Tereza. Famílias: Espaço de Compartilhamento deRrecursos e Vulnerabilidades. In: CAMARANO, Ana Amélia (Org.). Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro: IPEA, 2004, p. 137-167. 6

6 BAWIN-LEGROS, Bernadette; GAUTHIER, Anne; STASSEN, Jean François. Les Limites de l’entraide intergénérationelle. In : ATTIAS-DONFUT, Claudine. Solidarités entre générations,. Paris : Nathan, 1995, p. 117-130. 7 ATTIAS-DONFUT, Claudine. Lê doublé circuit des transmissions. In : ______. Solidarités entre générations,. Paris : Nathan, 1995, p. 41 - 80. 8 _______. Sexo e envelhecimento. In: PEIXOTO, Clarice. Família e envelhecimento. R. J.: FGV, 2004. 9 DELBES, Christiane & GAYMU, Joelle. Les familles à quatre générations. In: Informations sociales, nº 30, 1993, p. 105-38. 10 Apoio econômico, pagamento de aluguel e estudos dos netos, intervenções na vida cotidiana, ajuda no cuidado dos netos etc. 11 PEIXOTO, C. E. Avós e netos na França e no Brasil: a individualização das transmissões afetivas e materiais. In: CICCHELLI, V. (Org.) Família e Individualização. R.J.: FGV, 2000, p. 97. 12 BOURDIEU, Pierre. A juventude é apenas uma palavra. In: _______. Questões de Sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983. 13 Depoimento de uma mulher de 73 anos que costuma esmolar em semáforos e mercados de Salvador. Ela mora com filhos e netos. 14 MINAYO, Maria Cecília de S.. Violência contra idosos: relevância para um velho problema. In Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro. 9: 783-791, 2003. 15 IBIAS, C. I. e GROSSI, P. K. Violência não tem idade.In: IBIAS e GROSSI (Org.) Violência e gênero: coisas que a gente não gostaria de saber. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001, p. 107-116. 16 MENEZES, M. do R. Da violência revelada à violência silenciada: um estudo etnográfico sobre a violência doméstica contra o idoso. 1999. 377f. Tese (Doutorado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. 17 SOUZA, et all. Mortalidade por causas externas em idosos no Brasil, Estados e Regiões Metropolitanas. Boletim sobre Causas Externas. Rio de Janeiro: Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde/Centro Nacional de Epidemiologia, 1998. 18 FIGUEIREDO, Sumaya Cristina Silva. Abuso de pessoas idosas na família: um ensaio. Gerontologia, 6 (3): p. 126- 135, 1998. 19 SAFFIOTI, Heleieth. Violência de gênero no Brasil contemporâneo. In: _______ & Munõz-Vargas (eds). Mulher brasileira é assim. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos: NIPAS; Brasília, DF: UNICEF, 1994, p. 151-186. 20 A TARDE on line, 27/04/2004. Idosa, frágil e vítima de ganância (sobrinha). A TARDE on line, 29/04/2004. Aposentado é morto a pauladas (desconhecido). A TARDE on line, 29/04/2004. Mataram o pai para ficar com a herança. A TARDE, 06/06/2004. Idoso assassinado (ex-inquilino). A TARDE on line, 05/07/2004. Preso acusado de matar aposentado (assalto relâmpago). A TARDE on line, 27/10/2004. Tentou matar mãe a golpes de foice. A TARDE on line, 30/10/2004. Adolescente espanca aposentada até a morte (conhecido). 21 DEBERT, Guita Grin. a família e as novas políticas sociais no contexto brasileiro. Interseções. Revista de Estudos Interdisciplinares, UERJ, R.J., ano 3, n. 2, p. 71-92, jul/dez 2001, p.74. 22 A TARDE On line, 28/09/04. 23 SINHORETTO, Jacqueline. Além de mulheres, idosas: um estudo de caso da Delegacia Policial de Proteção ao idoso de São Paulo. Boletim IBCCRIM. São Paulo, v.8, n.97, p. 1-2, dez. 2000. 24 No estado de São Paulo, chegaram a entrar em funcionamento 11 Delegacias de Polícia de Proteção ao Idoso que foram extintas em 1995, no governo Covas (DEBERT, 2001). 25 BOURDIEU, Pierre. A juventude é apenas uma palavra. In: _________. Questões de Sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983. 26 A Sra. M. é uma mulher de 80 anos, com deficiência auditiva. A poucos dias teve a porta da casa arrombada e foi roubada por negligência da filha, mas não quer denunciá-la. 27 SAFFIOTI, Heleieth. Violência de gênero no Brasil contemporâneo. In: _______ & Munõz-Vargas (eds). Mulher brasileira é assim. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos: NIPAS; Brasília, DF: UNICEF, 1994. 28 SINHORETTO, Jacqueline. Além de mulheres, idosas: um estudo de caso da Delegacia Policial de Proteção ao idoso de São Paulo. Boletim IBCCRIM. São Paulo, v.8, n.97, p. 1-2, dez. 2000. 29 SAFFIOTI, Heleieth. Violência de gênero no Brasil contemporâneo. In: _______ & Munõz-Vargas (eds). Mulher brasileira é assim. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos: NIPAS; Brasília, DF: UNICEF, 1994. 30 IBIAS, C. I. e GROSSI, P. K. Violência não tem idade.In: IBIAS e GROSSI (Org.) Violência e gênero: coisas que a gente não gostaria de saber. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001, p. 107-116. 31 SAFFIOTI, Heleieth. Violência de gênero no Brasil contemporâneo. In: _______ & Munõz-Vargas (eds). Mulher brasileira é assim. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos: NIPAS; Brasília, DF: UNICEF, 1994. 32 IBIAS, C. I. e GROSSI, P. K. Violência não tem idade. In: IBIAS e GROSSI (Org.) Violência e gênero: coisas que a gente não gostaria de saber. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001, p. 107-116. 33 SAFFIOTI, Heleieth. Violência de gênero no Brasil contemporâneo. In: _______ & Munõz-Vargas (eds). Mulher brasileira é assim. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos: NIPAS; Brasília, DF: UNICEF, 1994. 34 Ibidem, 1994. 7

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