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- 1 - ST 49 – A Construção dos Corpos: Violência ... - Fazendo Gênero

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com uma bula papal de

com uma bula papal de 1293. 21 O desdobramento da clausura foi a exigência do silêncio, que deveria ser contínuo, impedindo não somente que as irmãs conversassem com estranhos, mas mesmo entre si, inclusive com as doentes: - 4 - O silêncio contínuo seja constantemente observado por todas, de maneira que não lhes seja permitido falar nem umas com as outras nem com outra pessoa sem licença, com exceção das que tenham o ofício do magistério ou tiverem algum outro encargo que não possa ser convenientemente executado em silêncio. (...) E isso seja firmemente observado por todas, tanto são como doentes, de maneira que nunca falem entre si nem com os outros. 22 O silêncio contínuo deve ser de tal maneira continuamente observado por todas que não lhes seja lícito falar nem entre si nem com outras pessoas. Mas a abadessa cuidará com solicitude dos lugares, dos tempos e dos modos que será dada às irmãs licença de falar. E todas procurem usar sinais religiosos e decorosos. 23 Pedroso ressalta que qualquer contato com o mundo exterior deveria ser limitado, pois, dentro da lógica das regras papais, em especial a de Hugolino. 24 O isolamento das irmãs, as esposas de Cristo, era uma forma de impedir que elas tivessem contato com possíveis concorrente, impedindo que cortejassem e fossem cortejadas pelo olhar. O silêncio só vinha reforçar o isolamento, como uma forma extremada de clausura. Elas não deveriam ser vistas, nem ouvidas, como diz a RI: (...) E quando acontecer de alguma pessoa estranha entrar junto a elas ou lhes falar pela grade, cubram e inclinem seus rostos com modéstia, como convém à honestidade religiosa. 25 (...) Porque as próprias Irmãs, nessa ocasião [quando por força maior houver estranhos no mosteiro] e sempre, cuidem com a maior diligência de não ser vistas por seculares ou estranhos. 26 A terceira preocupação das regras papais é com a vestimenta das irmãs. Mesmo que essas não pudessem ser vistas por estranhos ou pelo menos este era o que prescreviam as normas o discurso reforçava a necessidade de modéstia e, também, de obediência à vontade papal e às hierarquias: Quanto às roupas, (...) cada uma tenha duas túnicas e um manto, além do cilício ou estamenha, se o tiverem ou do saco. Tenham também escapulários (...) se este preceito de usar escapulários parecer tão grave ou molesto para algumas que não seja possível nem movê-las nem induzi-las a usá-los, sejam dispensadas disso pacientemente. Mas as que usarem estarão agindo mais honestamente e nos agradarão muito mais, e cremos que agradarão muito mais à Deus. 27 A RI vai além ao inaugurar a obrigatoriedade do véu como sinal de modéstia. Será que as irmãs não o usavam antes? Será que eram livres para escolher? O antes não sabemos ao certo, mas o fato é que Inocêncio IV irá se preocupar com a questão, regulamentando não somente o que as consagradas deveriam usar, mas, também fazendo distinção entre as noviças e as “serventes” que muito provavelmente tinham condição social inferior: Cubram a cabeça de maneira uniforme e honesta com faixas ou toucas absolutamente brancas, (...) de maneira que a testa, as faces e o pescoço fiquem convenientemente cobertos. E não ousem aparecer de outra maneira diante de pessoas estranhas. Tenham

- 5 - também um véu preto estendido sobre a cabeça (...) As noviças só devem usar véu branco, (...) as serventes levem na cabeça, como uma toalha, um pano branco de linho, de comprimento e largura tais que, principalmente quando saem, possam cobrir os ombros e o peito. 28 O vestuário, o hábito, proposto para as irmãs, tinha como objetivo a modéstia, ao esconderlhes as formas, os cabelos, mas terminava pondo em evidência que esses corpos a partir de então eram femininos, marcados por uma série de rituais que visavam impedir a luxúria dos homens, mas, também, a liberdade de seus movimentos, como fica claro no uso do escapulário. Pedroso, ressalta que a Regra de Santa Clara, por exemplo, isenta as noviças de usarem véu. De acordo com o autor, a “preocupação de cobrir e recobrir as mulheres religiosas era, evidentemente, dos homens”. 29 E isso fica bem claro no texto que segue: (...) cortados seus cabelos em círculo e depostas suas roupas seculares, dêem-lhe três túnicas e um manto. Depois disso, não lhes seja permitido sair do mosteiro sem um motivo útil, razoável, manifesto e aprovado. 30 (...) terminado o ano da provação, seja recebida na obediência prometendo observar sempre a vida e a forma de nossa pobreza. Nenhuma receba o véu durante o tempo da provação. (...) Proveja-as a abadessa de roupas com discrição, conforme a situação das pessoas, os lugares, tempos e regiões frias, como lhe parecer exigido pela necessidade. 31 Clara é extremamente econômica ao falar da clausura; as irmãs podem sair sempre que necessário e não somente para fundarem uma nova casa. O silêncio é apresentado também de forma diferenciada por Clara que permite que as irmãs falem, estimulando os laços de solidariedade entre as irmãs da comunidade, isso fica evidente no trato das enfermas: As irmãs, com exceção das que servem fora do mosteiro, observem o silêncio desde a hora de Completas até a Terça. Calem-se também continuamente na igreja e no dormitório; no refeitório, só enquanto comem; com exceção da enfermaria, em que as Irmãs podem sempre falar discretamente para distrair doentes e cuidar delas. Mas podem insinuar o que for necessário sempre e em toda a parte brevemente e em voz baixa. 32 Também o vestuário, fonte de preocupação dos homens, não parece interessar muito à santa; ela fala o mínimo: não toca na questão do véu, o que deve ou não cobrir, nem em escapulários. Sua preocupação maior é com a pobreza, base da vida religiosa franciscana e o bem estar das irmãs. Tal preocupação se expressa também naquilo que concerne ao jejum: As irmãs jejuem em todo o tempo. (...) As adolescentes, as fracas e as que servem fora do mosteiro sejam misericordiosamente dispensadas, como parecer a abadessa. Mas em tempo de manifesta necessidade, as irmãs não sejam obrigadas ao jejum corporal. 33 As regras papais eram extremamente rígidas a respeito da necessidade de jejuar, as datas específicas e o que se poderia comer ou não. 34 Apesar da penitência e dos jejuns estarem consonância com a espiritualidade defendida por Clara, os excessos vão ser rejeitados ou pelo menos desaconselhados por ela em seus escritos, sua preocupação era com a saúde das irmãs, não somente a espiritual, mas também física. Esse comportamento, de acordo com a historiadora Caroline W. Bynum, estaria de acordo com a espiritualidade das santas do período, que mesmo

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