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- 1 - ST 49 – A Construção dos Corpos: Violência ... - Fazendo Gênero

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aderindo a dietas

aderindo a dietas alimentares radicais, demonstrariam cuidado com o bem estar e a alimentação de seus semelhantes. 35 A vida religiosa proposta por Clara parece não admitir extremos, seja no ascetismo, seja no gozo dos bens terrenos, 36 nem tão pouco estigmatiza as mulheres e lhes impõe uma clausura e silêncio nos extremos propostos pelos homens da Igreja. Ao comparar as três regras meu intuito era mostrar as diretrizes de gênero presentes tanto nos discursos papais, quanto no discurso de Clara. O olhar sobre a vida consagrada feminina é diferenciado, a forma como os homens e a abadessa que vive na comunidade normatizam o cotidiano reflete bem as condições de produção de cada um dos indivíduos envolvidos na ordem do discurso. 37 Outro fator a ser ressaltado é o quanto a prática discursiva dos papas irá agir sobre o corpo da religiosa, primeiro definindo-o como feminino e atribuindo-lhe uma série de sentidos a partir dessa primeira constatação. O discurso permeado por questões de gênero irá moldar os corpos, limitando, pelo fato de serem femininos, sua interação com o mundo exterior e chegando ao extremo de tentar limitar mesmo as relações dentro da comunidade. Como nos diz Tânia Navarro Swain, “O corpo não é apenas discursivamente construído, é objetivado em uma escala de valores (...) que estabelecem seus critérios’ verdadeiros’”; 38 assim, temos mulheres sob suspeita, corpos vigiados, direitos negados. Uma prática social que pode ser datada, diriam alguns, mas que também pode emergir aqui e ali ainda hoje. BIBLIOGRAFIA: BUTLER, Judith. Problemas de Gênero Feminismo e Subversão da Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. BYNUN, Caroline Walker. Fragmentation and Redemption Essays on Gender and Human Body in Medieval Religion. Nova York: Zone Books, 1992. FLAX, Jane. Pós-moderno e relações de gênero na teoria feminista. In: BUARQUE DE HOLANDA, Heloísa (org.). Pós-modernidade e política. Rio de Janeiro: Rocco, 1991, p. 217-250. FOUCAULT, Michel. A Ordem do Discurso. São Paulo: Loyola, 1996. ORLANDI, Eni. Análise do Discurso. 4ª ed. Campinas: Pontes, 2002. PEDROSO, José Carlos Corrêa, org. Fontes Clarianas. 3 a ed. Petrópolis: Vozes- CEFEPAL do Brasil, 1994. PERNOUD, Régine. Idade Média O que não nos ensinaram. 2ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1994. SCOTT, Joan Wallach. Prefácio a Gender and Politics of History. Cadernos Pagu (3) 1994. WEEKS, Jeffrey. O Corpo e a sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes (org.) O Corpo Educado. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001, p. 35-82. - 6 -

1 Dead Man Walking é um filme que faz a crítica à pena de morte, foi dirigido por Tim Robbins e protagonizado por Susan Sarandon e Sean Penn. Ver Internet Movies Database. http://www.imdb.com/title/tt0112818/, consultado em 14 de julho de 2006. 2 FAIRCLOUGH, Norman. Discurso e Mudança Social. Brasília: UNB, 2001, p. 91. 3 ORLANDI, Eni. Análise de Discurso. 4ª ed. Campinas: Pontes, 2002, p. 15. 4 SPINK, Mary Jane (org.). O Conhecimento no Cotidiano As Representações Sociais na Perspectiva da Psicologia Social. São Paulo: Brasiliense, 1993, p. 41. 5 FOUCAULT, Michel. A Ordem do Discurso. São Paulo: Loyola, 1996, p. 25-26. 6 SCOTT, Joan Wallach. Prefácio a Gender and Politics of History. Cadernos Pagu (3) 1994, p. 12. 7 FLAX, Jane. Pós-moderno e relações de gênero na teoria feminista. In: BUARQUE DE HOLANDA, Heloísa (org.). Pós-modernidade e política. Rio de Janeiro: Rocco, 1991, p. 230. 8 Op. Cit., p. 228. 9 WEEKS, Jeffrey. O Corpo e a sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes (org.) O Corpo Educado. 2ª ed. Belo Horizonte: Autê ntica, 2001, p. 56. 10 BUTLER, Judith. Problemas de Gênero Feminismo e Subversão da Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 24. 11 Op. Cit., p. 27. 12 PERNOUD, Régine. Idade Média O que não nos ensinaram. 2ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1994, p. 90-91. 13 SWAIN, Tânia Navarro. A invenção do Corpo Feminino e a hora e a vez do Nomadismo Identitário. In: ___. (org.) Textos de História. Revista de Pós-Graduação em História da UNB, vol. 8, Nº 1/2, 2000, p. 58. 14 Decidi usar siglas para cada uma das regras, então a Regra de Hugolino será referida a partir de agora por RH, a de Inocêncio IV por RI e a de Santa Clara por RSC. 15 PEDROSO, José Carlos Corrêa, org. Fontes Clarianas. 3 a ed. Petrópolis: Vozes- CEFEPAL do Brasil, 1994, p. 169. 16 FOUCAULT, Michel. Op. cit., p. 26. 17 Na Regra de Santa Clara comentarei sobre o jejum, mas somente para ilustrar as preocupações diferenciadas da fundadora e seu cuidado com as irmãs. 18 RH. Op. Cit., p. 147. 19 RI. Op. Cit., p. 156. 20 ROTZETTER, Anton. Clara de Assis A Primeira Mulher Franciscana. Petrópolis: Vozes-CEFEPAL, 1994, p. 139-143. 21 IRIARTE, Lazaro. Letra y Espiritu de la Regra de Santa Clara de Lazaro Iriarte. Valencia: Selecciones de Franciscanismo, 1975, p. 184. 22 Regra de Hugolino (RH). Op. Cit., p. 149. 23 Regra de Inocêncio IV (RI). Op. Cit., p. 157. 24 “Mas ninguém converse pela grade de ferro pela qual recebem a Comunhão ou ouvem o Ofício, a não ser que isso seja concedido a alguém por alguma causa razoável e necessária; mas isso só se faça rarissimamente. Nessas grades deve ser colocado um pano por dentro, de modo que nenhuma consiga enxergar nada lá fora na capela. (...)” RH. Op. Cit., p. 152. 25 RI. Op. Cit., p. p. 161. 26 RI. Op. Cit., p. 162. 27 RH. Op. Cit., p. 150-151. 28 RI. Op. Cit., p. 159. 29 PEDROSO, José Carlos Côrrea. Op. Cit. 159. 30 RSC. Op. Cit., p. 173-174. 31 RSC. Op. Cit., p. 174. 32 RSC. Op. Cit., p. 178. 33 RSC. Op. Cit., p. 175-176. 34 O modelo proposto por elas não era franciscano, mas beneditino, inspirado na vivência dos cistercienses, uma das Ordens Religiosas mais rigorosas e poderosas da época. ROTZETTER, Anton. Op. Cit., p. 146. 35 BYNUN, Caroline Walker. Fragmentation and Redemption Essays on Gender and Human Body in Medieval Religion. Nova York: Zone Books, 1992, p. 141. 36 É importante também ponderar se as hagiografias não estariam reforçando um topos recorrente ao apresentar uma Clara dada aos rigores ascéticos, afinal, ela não escreve sobre a questão com a paixão que se esperaria de uma penitente extremada. Defendo inclusive que esse modelo foi usado nos textos para enfatizar a submissão aos poderes masculinos, já que a santa somente aceitou uma dieta alimentar mais branda depois da intervenção do Bispo de Assis e do próprio Francisco. 37 Condições de produção são todos os aspectos históricos, sociais e ideológicos que nos atravessam, e nos ajudam a construir nossa visão de mundo e produzir produção discursos sobre ele. ORLANDI, Eni. Op. Cit., p. 30-31. 38 SWAIN, Tânia. Op. Cit., p. 70. - 7 -

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