Views
4 years ago

Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...

Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...

desenvolver esta pesquisa em escolas infantis, tendo como sujeitos da pesquisa, as crianças, procurando entender suas produções gráfico-plásticas a partir de seus pontos de vista. Meninos X meninas: cada um em seu lugar É comum ouvirmos nas escolas infantis a expressão isso é coisa de menino ou isso é coisa de menina proferida pelas crianças e pelas professoras. Neste sentido, já presenciei 3 interdições realizadas por adultos ou pelas próprias crianças quando, por exemplo, um menino tenta utilizar algo que foi convencionado pertencer ao universo feminino, como utilizar um batom ou colocar uma saia; ou uma menina brincar de luta com uma espada. Quando acontecem estas invasões territoriais, há uma tentativa entre os pares, e também com o incentivo das educadoras, de fazer com que o transgressor volte a sua identidade de gênero. Percebe-se que há várias formas de controle para que as crianças se enquadrem dentro de padrões femininos e masculinos e para que elas não ultrapassem as convenções pré-estabelecidas do que deva ser menino e menina. Na maioria das salas dos Berçários e Maternais, por exemplo, os nomes das crianças estão vinculados a determinadas representações simbólicas que culturalmente entendemos como sendo femininas ou masculinas, como por exemplo, um carro - um símbolo culturalmente construído em torno da masculinidade e que desencadeia uma cadeia de significados em torno do que seja especificamente masculino, como: virilidade, potência, eficiência. Em uma das salas de uma das escolas, ao notar que os nomes das meninas estavam relacionados com o coelho da Mônica 4 e dos meninos ao carro do Cebolinha, perguntei à professora por que ela atribuía tais símbolos para as crianças e, segundo a professora: Os meninos gostaram muito do carrinho, porque é bem o símbolo para menino, no caso, a figura do carrinho, não por ser do Cebolinha. E o das meninas (representadas pelo coelho da Mônica), elas também não escolheram, no caso, elas nem sabem o nome dele (do coelho). O coelho já estava pronto e foi colocado. (grifo meu) Quando a professora afirma que o carrinho é bem o símbolo para menino, ela está repetindo as construções sociais que constantemente e insistentemente são realizadas em torno dos processos de identificação sexual. Imagens, objetos, cores e formas definem nossos olhares sobre o gênero infantil e as escolas através de inocentes imagens, reafirmam estas construções sócio-culturais. Segundo Felipe e Guizzo (2004, p.33)): A escola, em geral, não disponibiliza outras formas de masculinidade e feminilidade, preocupando-se apenas em estabelecer e reafirmar aquelas já consagradas como sendo “a” referência. Tudo o que se distanciar dela poderá ser interpretada como anormal e desviante. Portanto, as pequenas imagens, encaradas com simples “adornos”, que as professoras vinculam, constantemente, aos nomes das crianças, associadas a outros tantos símbolos que circulam socialmente, contribuem para que as crianças construam suas identidades sexuais de um modo fixo e estereotipado.(CUNHA, 2005) 4

As escolas infantis, de um modo geral, endossam determinadas imagens sem se darem conta dos significados inscritos acerca do feminino e do masculino e como estes significados são entendidos e re-significados pelas crianças, como por exemplo, as meninas negarem suas etnias e desprezarem seus atributos físicos por serem diferentes da representação de Cinderela loura e de olhos azuis da Disney, que reina em algumas salas de aula. Ou as constantes imagens de casais como Mônica e Cebolinha, Pongo e Prenda. Entendo que a presença constante, e ausência de outros referentes que relativizem estas visões, produzem pontos de vista fixos sobre o que seja uma mulher bonita e dos pares serem heterossexuais. Por outro lado, há toda uma cultura visual produzida para as diferentes infâncias, demarcadas por seus artefatos, que produzem tanto os modos particulares de estar e de ver o mundo quanto um repertório “estético infantil”, no sentido que Maffesoli (1999) dá a palavra estética: compartilhar das mesmas coisas, emoções, valores, dando sentido aos modos de existência. Neste sentido, há um consenso sobre estes referentes culturais, eles são aceitos e compartilhados em várias instâncias sociais e culturais, e assim passam a ser “naturalizados”, como se fossem partes constitutivas da infância contemporânea. Das pastas de dentes aos lençóis, dos jogos pedagógicos aos talheres, dos relógios às camisetas, há uma parafernália de objetos/imagens que se institui como associados, colados, como representativos e constituidores da infância.Caminhos da Pesquisa A pesquisa Desenhos de meninos e meninas: relações entre imaginário e gênero busca investigar como as crianças de 4 à 6 anos, que freqüentam uma EMEI em Porto Alegre, estão constituindo seus imaginários mediados pelas materialidades simbólicas da cultura visual contemporânea. Seus objetivos foram e são: Investigar os modos pelos quais a Cultura Visual e seus marcadores de gênero influenciam o imaginário infantil; ampliar os estudos sobre as representações visuais infantis a partir da perspectiva da análise cultural; investigar as práticas pedagógicas das professoras, explícitas e implícitas, com o intuito de averiguar as questões de gênero que perpassam estas práticas, identificar os marcadores de gênero nos espaços da escola (sala de aula, brinquedoteca, biblioteca, corredores, banheiros, entre outros); realizar levantamento das diferentes produções visuais de meninos e meninas produzidos a partir de diferentes propostas pedagógicas em turmas de Jardim A e B de uma instituição de Educação Infantil; investigar as recorrências dos símbolos, cores, disposição espacial, movimento, formas, usos dos materiais gráficos, entre outros elementos materiais, nas produções visuais dos meninos e meninas, mapear os repertórios culturais imagéticos infantis e em que artefatos são veiculados; examinar os marcadores de gênero dos artefatos culturais; analisar os repertórios culturais das crianças, bem como os marcadores de gênero dos artefatos acessados por elas; refletir, junto às professoras envolvidas na pesquisa, sobre as relações entre gênero e imaginário sugeridas nos desenhos infantis 5

Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 – Corpo, Violência E Poder
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis ... - UFSC
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis ... - UFSC
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Entre a casa e a ...
Fazendo Gênero 8 Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder ...
Corpo, Violência e Poder - Fazendo Gênero 10 - UFSC