Views
4 years ago

Gênero nas 'ciências naturais e exatas'. ST 25 ... - Fazendo Gênero

Gênero nas 'ciências naturais e exatas'. ST 25 ... - Fazendo Gênero

função do sexo (com a

função do sexo (com a ressalva de que se tomamos o sexo como construção, isso também ficaria comprometido) sem pretender incorporar o debate em torno do gênero. O problema maior parece estar nos estudos que adotam o gênero nominalmente mas não incorporam os pressupostos em jogo no debate teórico-metodológico. Isso pode provocar, principalmente entre os sujeitos que não têm acompanhado a trajetória das discussões, uma impressão de que os trabalhos envolvendo gênero tratam somente de temas relativos às mulheres, por exemplo. Perde-se portanto uma grande chance de aprofundamento de questões analíticas e de revisão de certos impasses políticos. A dimensão das relações de gênero ao lado de classe social e raça/etnia constituem um tripé fundamental e imprescindível para o entendimento dos fenômenos sociais de um modo geral e aqueles envolvendo o domínio da saúde em particular. Ao mesmo tempo, em um certo plano, as questões de gênero e sexualidade parecem vir ganhando maior legitimidade. Hoje em dia torna-se difícil argumentar publicamente contra a inclusão destas temáticas nos programas de cursos ou seminários, por exemplo. Considero necessário mapear melhor esse quadro e suas raízes para que a discussão possa prosseguir. Em virtude de uma frutífera permeabilidade entre as questões da agenda política e a produção intelectual, desde a década de 1970 se constituiu no Brasil um grande empreendimento envolvendo acadêmicas e militantes feministas que procurava dar conta de entender as relações estabelecidas entre homens e mulheres, considerando sobretudo a faceta da desigualdade. Em termos da sociedade civil é reconhecível um grande avanço associativo do movimento de mulheres – que vai dar origem a várias ONGs importantes e hoje em dia já consideradas tradicionais – ao lado de conquistas fundamentais no que se refere à legislação e também à saúde, por exemplo. Ao mesmo tempo, principalmente a partir da década de 1980, surge uma série de núcleos de estudos ligados às universidades que vão responder à demanda das pesquisadoras interessadas em promover o fortalecimento da produção e a interlocução acadêmica relativas ao gênero. Vários desses núcleos encontram-se hoje em uma posição já bastante consolidada, tendo inclusive gerado linhas de pesquisa e de formação na pós-graduação, além de periódicos conceituados (Heilborn & Sorj, 1999). Encontramos um acirrado e produtivo debate teórico fundamentando boa parte dessas iniciativas. Apesar das diferenças entre as várias correntes de pensamento, pode-se 2

falar de um ponto central na trajetória das discussões. Trata-se da afirmação do caráter social do gênero e da negação de qualquer determinismo biológico. Além disso, um outro elemento que se destaca é a própria valorização da dimensão das relações de gênero, e também mais especificamente da sexualidade, como merecedoras de atenção por parte dos estudiosos. A idéia principal aqui é a de que uma compreensão profunda de determinados fenômenos sociais somente é acessível se estas dimensões forem consideradas. Talvez seja necessário lembrar que nem sempre estes domínios foram considerados legítimos objetos de estudo. Outro aspecto importante se refere ao fato de que os estudos sobre gênero e sexualidade ganharam relevância em função de um contexto social específico. Para citar apenas o exemplo mais óbvio, a epidemia de AIDS obrigou a novas investigações no campo da sexualidade, em busca de um entendimento mais refinado dos processos sociais em questão. Estamos aqui no plano do que se poderia chamar de contextos emergenciais que impulsionam novas áreas de estudo ou fortalecem de maneira definitiva as já existentes. Contudo, há também uma outra dimensão contextual que merece ser lembrada e que envolve o longo processo de transformação da cultura ocidental moderna em direção ao individualismo. Todos os múltiplos processos que culminaram na criação do indivíduo singular, autônomo, auto-centrado que conhecemos hoje como modelo de modernidade tiveram impacto na trajetória de valorização do gênero e da sexualidade enquanto dimensões centrais da pessoa. O culto ao corpo, a preocupação com o aspecto psíquico, com as relações familiares, com a educação das crianças, em síntese, com a vida íntima, fizeram dessas dimensões objetos privilegiados de escrutínio, como bem mostraram Michel Foucault (1988) e tantos outros autores depois dele. Observamos então um processo de autonomização do gênero e da sexualidade no mundo ocidental moderno, como se passassem a constituir dimensões particulares do sujeito e, portanto, passíveis de se tornarem novos focos de estudo. A trajetória de criação de algumas especialidades médicas, como a psiquiatria e a ginecologia, por exemplo, reflete de forma bastante evidente esse novo interesse científico na sexualidade e na diferença estabelecida entre os sexos. É curioso, porém, que grande parte do interesse científico se concentra na delimitação das “doenças” ou mesmo das “perversões”. Estas 3

Gênero nas Ciências Naturais e Exatas – ST 25 Carla Giovana ...
Gênero, Ciência e Tecnologia. ST 22 Maria de ... - Fazendo Gênero
Gênero Ciência e Tecnologia. ST 22 Claudia ... - Fazendo Gênero
Gênero, Ciência e Tecnologia. ST 22 Isabel ... - Fazendo Gênero
Gênero e sexualidade nas práticas escolares ST ... - Fazendo Gênero
1 Gênero , Ciências e Tecnologia. ST. 22 Auri ... - Fazendo Gênero
Gênero e sexualidade nas práticas escolares. ST ... - Fazendo Gênero
Gênero na Literatura e na Mídia. ST. 4 ... - Fazendo Gênero
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Genêro e Religião – ST 24 Maria Cristina Leite ... - Fazendo Gênero
Gênero e Religião – ST 24 Sônia Cristina Hamid ... - Fazendo Gênero
gênero, idade média e interdisciplinaridade. ST ... - Fazendo Gênero
gênero, idade média e interdisciplinaridade ST ... - Fazendo Gênero
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
1 Perspectivas interseccionais de gênero e ... - Fazendo Gênero
Gênero e Ciência - Fazendo Gênero 10 - UFSC
Gênero, memória e narrativas ST. 41 Pedro ... - Fazendo Gênero
Violência; Gênero; Ciências - Fazendo Gênero
1 Práticas Corporais e Esportivas – ST 21 Marcos ... - Fazendo Gênero
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...
Práticas corporais e esportivas. ST 21 Silvana ... - Fazendo Gênero
- 1 - ST 49 – A Construção dos Corpos: Violência ... - Fazendo Gênero
violência material e simbólica. ST 49 Cristina ... - Fazendo Gênero
Estudos em análise crítica do discurso. ST 2 Ana ... - Fazendo Gênero
Gênero, violência e segurança pública ST. 39 ... - Fazendo Gênero
1 Gênero e Religião ST. 24 Joice Meire ... - Fazendo Gênero