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Gênero nas 'ciências naturais e exatas'. ST 25 ... - Fazendo Gênero

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pistas podem ser úteis

pistas podem ser úteis para entendermos certas dificuldades ainda presentes em conceber a relevância dos estudos de gênero e sexualidade. Temos um processo de autonomização e fragmentação do indivíduo com a valorização de certos aspectos que são considerados preeminentes para a própria conformação da sua identidade individual. Ao mesmo tempo, alguns desses aspectos tornam-se alvos de desconfiança, como é o caso da sexualidade (Rohden, 2001). Talvez tudo isso contribua para que se conforme uma situação na qual gênero e sexualidade tenham grande visibilidade ao mesmo tempo em que são vistos como assuntos específicos, que só interessam a determinados estudiosos ou que só importam para a compreensão de questões particulares. Voltamos então ao ponto exemplificado no sucesso de divulgação do conceito de gênero sem, contudo, por vezes, a incorporação da riqueza de suas possibilidades analíticas. Até agora, me ative a refletir sobre o campo mais específico do gênero e sexualidade. Contudo, embora uma certa singularidade seja visível, gostaria de sugerir que boa parte da situação descrita encontra semelhanças com outros campos das ciências sociais. A comparação com uma situação mais geral pode ser bastante frutífera. Em primeiro lugar, gostaria de chamar a atenção para uma certa proliferação, nos últimos anos, de “especialidades”, definidas por exemplo, pelos termos “antropologia/sociologia do corpo”, “antropologia/sociologia da saúde”, “antropologia/sociologia da medicina”, “antropologia/sociologia da sexualidade”, “antropologia/sociologia do esporte”, etc. Todos esses termos, como corpo, saúde, medicina, sexualidade, esporte, implicam temas relacionados com a corporeidade. Evidentemente, as noções de antropologia e sociologia remetem para a dimensão social desses objetos. Esses termos também refletem a autonomização de certos domínios da vida social no mundo moderno ocidental. É apenas nesse contexto cultural que essas categorias têm sentido, expressando um modo singular de conceber determinados fenômenos. Como bem sabemos, pelo menos desde Marcel Mauss (1974), as representações e as práticas envolvendo a corporeidade variam enormemente. E como bem têm demonstrado certos autores, como David Le Breton (1997; 1998), a noção de corpo separado do eu individual, que se expressa tão magistralmente na idéia de “possuir um corpo”, é fruto de determinados desenvolvimentos ocorridos no ocidente moderno. 4

A questão em jogo aqui é, em primeiro lugar, perceber a relatividade dessas categorias. Para além disso, o mais importante é reconhecer a diferença entre temas ou objetos e perspectivas teórico-metodológicas. De um lado, corpo, saúde e medicina, por exemplo, podem ser descritos como objetos investigação. Dentro do quadro mais geral de construção desses “fenômenos” culturais específicos, pode-se delimitar o estudo das percepções corporais em determinado grupo, das representações e práticas de saúde em outro, ou mesmo a conformação histórica de certa especialidade médica. Nesse caso, estamos no plano das definições temáticas que remetem ao recorte dos objetos. De outro lado, estamos diante do enquadramento teórico, e mesmo da perspectiva disciplinar, que define o tipo de estudo em questão. E nesse caso, não há necessariamente uma perspectiva particular inerente a cada um destes blocos temáticos. Contudo, acredito que, particularmente no que se refere a uma antropologia/sociologia do corpo, emerge uma reflexão mais geral que considera a corporeidade como via de acesso fundamental para a análise sócio-antropológica. O que se pensa, o que se diz sobre o corpo e as infinitas formas de lidar com ele, de intervir sobre ele constituem núcleos centrais da operação simbólica que permite ao ser humano organizar o mundo natural e dar sentido ao que está a sua volta. Antropólogos como Françoise Héritier (1998) têm insistido na importância do reconhecimento dessas propriedades relativas ao corpo. Nesse caso, o corpo não é meramente um objeto de estudo mas um domínio de significado por meio do qual se pode chegar a compreender determinações mais profundas e mais gerais de cada cultura. Portanto, adotar a perspectiva de uma antropologia/sociologia do corpo, nesse sentido forte, significa ir ao encontro de uma análise que perceba o corpo como foco de representações sociais as mais variadas, não meramente aquelas restritas ao objeto “corpo”. A esta altura, parece evidente que nos aproximamos de um outro campo importante de reflexão, a chamada antropologia/sociologia da pessoa, que implica uma análise também bastante geral a respeito das representações em torno do “eu”. Particularmente a respeito do mundo ocidental moderno, inúmeros estudos se concentraram na configuração da ideologia individualista, mostrando como o Indivíduo, enquanto valor central, é uma excentricidade da nossa cultura (Dumont, 1997). Ao que parece, a idéia de corpo e de indivíduo que 5

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