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Gênero e Sexualidade nas práticas escolares ... - Fazendo Gênero

Gênero e Sexualidade nas práticas escolares ... - Fazendo Gênero

sexualidade são

sexualidade são construtos histórico-culturais e, portanto, são produtos e efeitos das relações de poder que os constituem. Para encerrar, retomo a questão central desta pesquisa que foi, de certa forma, inspirada por Wally: “Onde está a sexualidade?” Já vimos que para encontrar Wally em meio a multidões e nos mais variados cenários é preciso buscar o mesmo, buscar sempre o que se repete, o que é idêntico, o que confere ao Wally uma identidade que lhe é própria e nos é familiar. E para “encontrar” as representações de sexualidade neste contexto escolar? Busco o mesmo, o que se repete, o que já se espera? Busco o diferente, o estranho, o excêntrico? Uma busca exclui a outra? Uma busca se sobrepõe a outra? Como fazer esta busca? É possível que, seja para onde for que nosso olhar-que-busca se dirija, encontremos referências e representações de sexualidade. A sexualidade está por toda parte e aparece das mais estranhas formas às mais naturalizadas aos olhos de cada cultura e aos olhos de cada sujeito. Nosso desafio se constitui tanto num exercício de estranhar o familiar no terreno das sexualidades e dos gêneros como no de familiarizar-se com o estranho. Tal exercício nos permite desestabilizar algumas certezas, limites e normas que vêm regendo nossos comportamentos, desejos e prazeres. Desta forma, não seria possível “pensar o impensável” e realizar travessias que fossem mais interessantes do que a suposta estabilidade experimentada na obediência às fronteiras culturalmente construídas em torno da sexualidade e do gênero? Referências BUTLER, Judith. Problemas De Gênero – Feminismo E Subversão Da Identidade. Rio De Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. FOUCAULT, Michel. História Da Sexualidade – A Vontade De Saber. V. I, 16ª Ed. Rio De Janeiro: Graal, 2005. LOURO, Guacira. (Org.). Pedagogias Da Sexualidade In: LOURO, Guacira. O Corpo Educado – Pedagogias Da Sexualidade. 2ª Ed. Belo Horizonte: Autêntica, P. 7-34, 2000. _____________. Sexualidades Contemporâneas: Políticas De Identidade E Pós-Identidade. In: UZIEL, A.P; RIOS, L.F & PARKER, R, R G (Orgs.) Construções Da SexualidadeGênero, Identidade E Comportamento Em Tempos De Aids. Rio De Janeiro: Pallas: Programa Em Gênero E Sexualidade IMS/ABIA, P. 203-212, 2004a. _____________. Um Corpo Estranho – Ensaios Sobre Sexualidade E Teoria Queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004b. NICHOLSON, Linda. Interpretando Gênero. Revista Estudos Feministas, V. 8, N. 2, P.9-41, 2000. SILVA, Tomaz Tadeu. Teoria Cultural E Educação – Um Novo Vocabulário. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

__________________. O Currículo Como Fetiche – A Poética E A Política Do Texto Curricular. 2ª Reimpressão. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. STOLKE, Verena. “La Mujer Es Puro Cuento”: La Cultura Del Género. Revista Estudos Feministas, V. 12, N. 2, P. 77-105, 2004. 1 O presente trabalho faz parte de minha pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob orientação da profª Drª Guacira Lopes Louro, na linha de pesquisa Educação, Sexualidade e Relações de Gênero. 2 http://www.cinemaemcena.com.br/not_cinenews_filme.asp?cod=2025 (07/01/2006) A idéia de utilizar a metáfora do Wally para este trabalho começou a se construir numa reunião com meu grupo de orientação, quando buscávamos definir o foco da minha pesquisa e sua pergunta central. 3 A metodologia adotada para esta pesquisa é de inspiração etnográfica cujos recursos utilizados no trabalho de campo foram: observações “silenciosas”, análise documental e algumas entrevistas com discentes. No presente texto, cito apenas fragmentos de observações realizadas no último semestre de 2005 que suscitaram as reflexões que vêm a seguir. 4 Utilizo o termo professoras no feminino justamente porque, neste território de pesquisa, as mulheres constituem a grande maioria; esta tem sido uma estratégia feminista para forçar algumas mudanças emergentes no uso da linguagem que, em geral, segue masculina mesmo em ambientes onde o gênero feminino é visivelmente a maioria. 5 Estou chamando de cenário tudo o que compõe as cenas que estão sendo investidas de observação e análise nesta pesquisa. Cenário enquanto parte das cenas e não apenas o ambiente onde se dá a cena. Num palco, o cenário diz respeito a tudo o que está ali representado; tanto o que está na luz, como o que está à sombra; tudo que estiver em cena faz parte do cenário, assim como tudo que compuser o cenário, também fará parte da cena de alguma forma. O que chamo de cenário escolar é composto pela trama de acontecimentos que se dá dia após dia dentro da escola. Cenário aqui contém um caráter de constante movimento, sempre em construção. 6 Estudos Culturais trata-se de “um campo de teorização e investigação” que tem como concepção de cultura todas as experiências e produções de grupos sociais; “vê a cultura como campo de luta em torno do significado e a teoria como campo de intervenção política.” SILVA, Tomaz, 2000, p. 56. 7 SILVA, Tomaz, 2003, p. 32. 8 Desde o seu surgimento, os cursos de formação de professoras foram batizados como “Curso Normal” e suas estudantes como “normalistas”. Eu realmente imaginava que esta forma de nomear tal curso teria caído em desuso, até chegar à escola e perceber que ela está em pleno funcionamento, inclusive nos documentos oficiais. Segundo a secretária da Escola, “Magistério” já não é a denominação “correta”, já que o termo “Normal” voltou a ser utilizado até mesmo em sua legislação específica. 9 Atualmente apenas um rapaz realiza este curso, encontrando-se no primeiro semestre. Tanto as turmas do segundo e terceiro semestres, como a equipe diretiva, as professoras e supervisoras de estágio são todas mulheres. 10 LOURO, Guacira, 2000, p. 31. 11 “Pressupor que a construção do corpo funciona como uma variável que não muda através de diferentes trechos da história humana, e que se combina com outros elementos culturais relativamente estáticos para criar certos aspectos comuns na formação da personalidade através dessa história, denota uma versão muito significativa do fundacionalismo biológico.” NICHOLSON, Linda, 2000, p. 28. 12 Procuro copiar o que é escrito no quadro de giz, durante as aulas, do jeito como elas escrevem. A frase foi escrita por uma aluna e sublinhada pela professora durante a discussão sobre as respostas. 13 Além das respostas que aparecem citadas ao longo do texto, outras foram formuladas em duplas ou trios pelas estudantes: a) O momento em que a criança começa a descobrir o seu corpo, ou seja, a particularidade do seu sexo. b) É o momento em que a criança desperta a curiosidade e a descoberta do seu corpo, diferenciando-o do sexo oposto. c) Entendemos por sexualidade o processo de mudanças, curiosidades e novas descobertas que ocorrem em diversas fases desde as diferenciações físicas a emocionais. d) São vontades, desejos e necessidades de um ser humano. 14 “Judith Butler toma emprestado da lingüística o conceito de performatividade, para afirmar que a linguagem que se refere aos corpos ou ao sexo não faz apenas uma constatação ou uma descrição desses corpos, mas, no instante mesmo da nomeação, constrói, “faz” aquilo que nomeia, isto é, produz os corpos e os sujeitos.” LOURO, Guacira, 2004b, p. 44. 15 STOLKE, Verena, 2004. 16 LOURO, Guacira, 2004a, p. 206.

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