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violência material e simbólica. ST 49 Cristina ... - Fazendo Gênero

violência material e simbólica. ST 49 Cristina ... - Fazendo Gênero

a bela indiferença de

a bela indiferença de uma histérica (105-6). ... Os sintomas eram, como sempre acontece com o inconsciente, apropriados: as dores no seio e ovário eram causadas pelo seu ódio inconsciente de sua feminidade distorcida; anorexia nervosa: ódio total dela mesma, um desejo de desaparecer da terra.(127) Para Freud, o comportamento rude e distante do pai de Anna levou-a a idealizar figura da mãe morta; ainda segundo Dr. Freud, outras figuras maternas levam Anna a desenvolver uma homossexualidade que ela suprime e que dão origem aos sintomas físicos, ele vê nos sonhos de Anna um desejo pré-edípico “de retornar ao porto seguro, o hotel branco original – onde todos nós já estivemos – o útero de sua mãe”(129) O desenvolvimento do romance nos mostra entretanto que as explicações ortodoxas de Freud não resolvem o problema de Lisa; The Health Resort é um capítulo extremamente caótico e rico em imagens freudianas fantásticas que funcionam como uma espécie de leitmotif desta fragmentada estrutura narrativa: embriões petrificados, úteros voadores e os seios lactantes de Anna, que são sugados por todos os hóspedes daquele misterioso ‘hotel branco’. Aqui Freud pede permissão a Lisa para publicar seu “estudo de caso”; Lisa então lhe revela a consciente manipulação de suas fantasias, nas quais Freud havia se baseado para formular seu diagnóstico; ela questiona e até invalida o diagnóstico ‘cientítico’ que ele quis dar a este ‘estudo de caso’ do qual ela é sujeito/objeto: “Você viu apenas o que eu permiti que voce visse”(163). Nossa confiança em Freud torna-se ainda mais vulnerável no capítulo seguinte (The Sleeping Carriage) pois a clarividência de Lisa sobre sua morte explica os sintomas que ela sentia; negando sua descendência católica materna, Lisa identifica-se com a descendência judaica de seu pai e assim, levada para Babi Yar, morre de forma violenta, sendo chutada brutalmente no seio, estuprada com uma baioneta e enterrada viva em meio a ium mar de sangue e corpos. O último capitulo do livro (The Camp) desenvolve-se numa espécie de limbo, ou vida após a morte, também definido como a Palestina (ou o Estado de Israel) onde personagens, imagens, ‘acontecimentos’ enfim, todos os elementos que aparecem ao longo da narrativa são rearticulados nesta dimensão espiritual; aqui Lisa reencontra a mãe, com quem se une fisicamente num ato recíproco de amamentação – ou seja: a mãe como womb/tomb (útero/túmulo), Eros e Thanatos, o prazer final proporcionado pela ausência de tensão na morte. Não podemos caracterizar Thomas como feminista; entretanto, em The White Hotel a presença de Freud como indicador da manipulação masculina que a psicanálise realiza com a subjetividade feminina é fragilizada; nesta construção metaficcional polissêmica fica evidente que os conflitos freudianos não são características universais da condição humana. A doença de Lisa pode também lida a partir da perspectiva de sua história cultural e identidade étnica. O 6

omance evidencia a impossibilidade de estruturas narrativas totalizantes, das quais a psicanálise é uma das principais: A alma do homem é um país distante que não pode ser abordado ou explorado. ... Se um Sigmund Freud estivesse escutando e tomando notas desde o tempo de Adão, ele não teria explorado completamente nem mesmo um único grupo, nem mesmo uma única pessoa. E isto era apenas o primeiro dia (220) Referências BRENNAN, T. Between feminism and psychoanalysis. 1.ed. London: Routledge, 1989. CHODOROW, N. The reproduction of mothering. Psychoanalysis and the sociology of gender. 1.ed. Berkeley: University of California Press, 1978. CIXOUS, H., CLEMENT, C. The newly born woman. Trad. Betsy Wing. Minneapolis: University of Minnesotta Press, 1987. (1. ed. francesa: 1975). DINNERSTEIN, D. The mermaid and the minotaur. New York: Harper & Row, 1977. FREUD,S.Moisés e o monoteismo.Trad.José O.A.Abreu..Rio de Janeiro:Imago,1973. HORNEY, K. Feminine psychology. New York: W.W.Norton & Company, 1993. IRIGARAY, L. Sexes and genealogies. New York: Columbia U. Press, 1993 LEMAIRE, A. Jacques Lacan – uma introdução. Trad. Durval Chechinato. Rio de Janeiro:Editora Campus Ltda, 1979. RICH, A. Of woman born. London: Virago, 1981. THOMAS,D.M. The white hotel. Harmondsworth: Penguin, 1984 7

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