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Violência de Gênero ST.5 Ana Luiza dos Santos ... - Fazendo Gênero

Violência de Gênero ST.5 Ana Luiza dos Santos ... - Fazendo Gênero

A primeira categoria que

A primeira categoria que visei a trabalhar foi a rede de apoio de que as mulheres se utilizam para enfrentar as dificuldades. Esta foi indicada inicialmente pela própria ONGMM. A rede de apoio é necessária, para que mulheres possam identificar o que vem a ser a vivência da violência, como para apontar o quanto esta tem sido naturalizada no cotidiano em que meninas e adolescentes tendem a crescer e viver tão intensamente essa violência, que chegam a pensar e sentir como se estas fossem relações normais entre homens e mulheres. A segunda categoria, foi problematizar a constituição da mulher negra como mulher, moradora da Vila Cruzeiro em Porto Alegre, pelas histórias de vida, incluindo aí a relação com os pais, vida adulta, profissional e relações maritais. Há uma certa dificuldade para essas mulheres falarem na sua vivência do feminino, isto é, na sua sexualidade, nas suas percepções de gênero. Há uma identidade de ser mãe, e, diante desta, chegam a poder suportar um tanto toda a violência. Enxergarem-se como mulheres fora da maternidade, é algo mais raro, mais precioso, quase na ordem do impossível. Na terceira categoria, busquei identificar a concepção de violência doméstica que essas mulheres tinham diante de suas experiências de vida e diante da vida como um todo, a fim de aproximá-las de suas próprias experiências. Daí porque utilizar a história de vida como recurso metodológico, compreendendo que o relato, força a aproximação da experiência própria. Ora, se para contar uma história, o único instrumento de que posso lançar mão é de minha própria memória cognitiva, afetiva, emocional, que se presentifica a partir de minhas próprias experiências, então necessariamente preciso conectar com meu passado, com minhas vivências e com todas as dores e deleites que daí possam advir. A quarta e última categoria foi identificar e descrever as estratégias de sobrevivência enfrentadas por estas mulheres diante da violência doméstica.Dois caminhos foram possíveis identificar diante da descrição da violência vivida:1- a resignação e o acomodamento que refletem uma atitude passiva e negativa diante da vida, ou 2- a tomada das rédeas de suas vidas às mãos e a busca de estratégias para romper com a violência , criando outras possibilidades para a vida. A grande solução apontada por essas mulheres vítimas de violência, principalmente considerando toda a questão de baixa qualidade de vida que levam, é encontrada na separação destes agressores. Ione, que ainda não conseguiu separar-se chega a sentir uma espécie de ciúmes de uma conhecida que conseguiu desvencilhar-se do companheiro agressor. Este, diz ela, é o caminho para deixar de sofrer, mas ela ainda não se vê com garra suficiente para isso. As mulheres entrevistadas chegaram à ONGMM em busca de apoio para poder sair do ciclo de violência que viviam, ainda que nem sempre era claro para elas que o vivido é uma história de 4

violência. Em suas histórias, pode-se perceber a naturalização da violência, que as faz viverem em violência de forma tão corriqueira, que deixam de perceber que aquele cotidiano vivido é violência. Isto certamente se dá como estratégia de defesa, e também, como possibilidade de sobrevivência, tamanho o aviltamento à vida. Todas as mulheres entrevistadas nesta pesquisa, são filhas de alcoolistas convivendo com esta doença e sua degeneração bio-psíquica e sóciofamiliar, desde a mais tenra idade e também foram submetidas à violência doméstica seja por exposição à mãe que também apanhava , em geral do pai, seja por elas próprias terem levado surras, em geral por motivos pouco significativos, ou mesmo, tendo sido expostas à agressão verbal ou ao autoritarismo desmedido por parte dos responsáveis. A educação formal foi negada, para que pudessem dedicar-se aos afazeres domésticos e à lida com os irmãos mais novos ou os irmãos do sexo oposto. Em geral, aos irmãos, foi dada a oportunidade de estudo, independentemente de terem aproveitado ou não a situação. Percebem que sua vida atualmente teria sido bastante diferenciada se tivessem cursado, pelo menos, até o segundo grau. O alcoolismo aparece em suas vidas de forma também naturalizada, pois não apenas cresceram neste ambiente em que todos se entorpecem e deturpam os sentidos, como há o incremento social de aceitabilidade do uso do álcool, negando-lhe a periculosidade. Em suas falas relatam que: “saí da escola para ajudar a cuidar de meus irmãos homens”. Eles tiveram a oportunidade de estudar, “a mãe só gostava dos filhos homens”, isto é, as chances foram proporcionadas a eles. Na história dessas mulheres pode ser observado o quanto puderam utilizar-se de redes de apoio para que puderem romper com este ciclo. A rede de apoio era uma via de mão dupla, pois tanto apoiavam quanto eram apoiadas: “Coração de mãe, aonde tem lugar pra três, tem pra mais um” Paula explicitou que recebeu apoio sim,e que conseguiu transformar-se com este apoio que recebeu. Ela cuidava (e cuida) de carros e coleta lixo limpo nas ruas. Participava dos grupos de apoio da ONGMM como pré-condição para entrar em algum programa de bolsa auxílio, como disse que já conseguiu. O que está explícito é que ela não agüentava mais sofrer a violência do companheiro e precisou de recursos externos para poder separar-se dele e o fez o mais rápido possível. Para elas os programas da ONGMM são positivos pois as palestras com as psicólogas ajudam a pessoa a ver como as coisas são. Comentam que, mesmo que tenha conseguido falar e ouvir orientações lá na ONGMM “a coisa nunca mais some. É uma coisa que dói, é uma coisa que fica pra sempre. Não tem como apagar nunca mais da gente, quando a gente toca no assunto, vem `aquela mágoa, vem aquela dor. É uma coisa que fica. Não tem como apagar nunca mais da 5

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