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Violência de Gênero ST.5 Ana Luiza dos Santos ... - Fazendo Gênero

Violência de Gênero ST.5 Ana Luiza dos Santos ... - Fazendo Gênero

gente, por mais que a

gente, por mais que a gente queira”. Nos seus próprios dizeres frente à experiência: “Fiquei com recordações que não somem nunca mais, que é coisa que não tem como apagar, porque depois que mancha a pele da gente nunca mais sai. Uma marca de, de, de (gagueja..) queimadura, uma marca de uma coronhada. Isto são marcas que nunca somem. Ficam pra sempre com a gente. Não tem como sair.” Ou seja, é algo bem mais profundo que a superfície da pele. E qual a saída, que estratégias de sobrevivência são possíveis para romper com o ciclo violência? No início ela dizia que a marca era só na pele. Ora não existe algo mais degradante para uma mulher do que não ser estimada justamente por seu gênero. Ser retirada da escola justamente porque, sendo mulher, tem outros afazeres que não a escolarização. Betina Hillesheim (2004) nos pontua que as atividades domésticas são hierarquizadas socialmente e utilizadas como uma forma de poder entre os sexos. Para as mulheres negras, não é apenas a questão de gênero que está colocada, mas sim a questão étnica, pois este permanece sendo o trabalho que lhes tem cabido. Ione chegava a pensar em “libertar-se”, em sair e descontrair. Suas irmãs achavam que se fizesse isso seria considerada uma “galinha”, que tal atitude não condizia com uma mulher casada. Ao chegar na ONGMM pode perceber onde se situava seu problema: o de estar vivenciando violência doméstica. Passou a poder reconhecer seu sofrimento e, principalmente, a entender que pode lutar contra este sofrimento, que não é inerente à sua pessoa. Suas tarefas de cuidadora – da casa, dos filhos – eram menos valiosas, se é que tinham algum valor. 3-Conclusão A educação das relações violentas e sua naturalização, só poderá ser rompida no cotidiano, pois é neste que estas surgem e se alimentam. Aprende-se, no dia-a-dia a ser violento, seja pela reprodução da violência sofrida na própria pele, seja naquela que é visualizada, ou, pior ainda, na que se apresenta como currículo oculto da educação formal. Este currículo oculto é aquele que se apresenta, nas entrelinhas das relações educacionais, sem que seja nomeado, relações essas de discriminação racial e de gênero que tendem a bem se adequarem neste currículo, de maneira que os preconceitos em relação à comunidade negra e à mulher ai se estruturam, sem serem percebidos como tal. Daí a premente necessidade de se dar voz a essas mulheres negras para que possam se ver, na dor que vivenciam e, vendo-se, buscar meios para romper com o que as oprime. A ONGMM é uma organização de mulheres negras que cumpre com este papel, quando se propõe ao trabalho de visibilidade social a este grupo de mulheres. Esta 6

analização se dá pelo aceite , na maior parte das vezes inconsciente, de que este é o jeito da vida, jeito das coisas, e que não há como , porque, ou por onde mudar e romper com isto.A política da violência é transmitida corriqueiramente, sem que seja nomeada, no lares, nas ruas e principalmente nas instituições formais, a cada vez que se deixa de dialogar e diminuir as distâncias entre as pessoas. O entendimento de que esta é a ordem da vida, traz em sua essência, a idéia de que a mulher negra é um ser do sofrimento e de que nada pode ser feito. Nesta apatia diante da vida, encontram o cerne da imobilidade nesta vivência e da permanente reprodução das relações de violência, que, sutilmente, vão deixando suas marcas de naturalização a cada repetição. É neste sentido que é ela, a mulher, que vive tal violência, a propulsora do rompimento desse ciclo. 4-Referência: GEBARA, Ivone – Rompendo o Silêncio -Uma fenomenologia feminista do mal.Petrópolis, Editora Vozes, 2000 (a), 261p. SAFFIOTTI, Heleieth I.B., O Poder do Macho . 12ª ed. São Paulo, Editora Moderna, 1987, 120p. CARONE, Iray.Breve Histórico de uma pesquisa psicossocial sobre a questão racial brasileira.In:________Psicologiasocial do racismo:estudos sobre a branquitude e branqueamento no Brasil.Ed Vozes,Petrópolis,2002, 189p. 1 ONG MARIA MULHER: ONGMM – Organização não governamental de mulheres negras pela luta contra o racismo, violência de gênero e sexismo.. 7

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