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Gênero: multiplicidade de representações e ... - Fazendo Gênero

Gênero: multiplicidade de representações e ... - Fazendo Gênero

em que moças e rapazes

em que moças e rapazes procuravam amigos e amigas para enviar correspondência; sejam de namoro, uma vez que, os jovens e as jovens procuravam professores e professoras que soubessem conjugar o verbo amar e estivessem dispostos a ensinar, para usar expressões da época. Rapazes e moças apresentavam seus perfis e as características do namorado ou da namorada desejados, em geral, em termos de cor, faixa etária, condição social e padrão de beleza. O que denota que as escolhas amorosas delineavam-se em meio a ambigüidades, posto que o desejo amoroso tanto era marcado pelo ideário do amor romântico, quanto por questões de classe e de etnia. No que tange às demais fontes que compõem o universo documental da pesquisa, apresento a seguir a forma como pretendo utilizá-las e suas potencialidades em vista ao desenvolvimento do trabalho proposto. Nas matérias publicadas no jornal O Dominical problematiza-se, sobretudo, o feminino, em detrimento do masculino. Os discursos veiculados pelo periódico visam disciplinar as mulheres de diferentes faixas etárias. Há a proliferação de discursos que enfatizam como as mulheres devem se comportar diante do namoro, do noivado, do matrimônio e o modo que devem exercer a maternidade, cujo exemplo a ser seguido é o de Maria. São recorrentes, também, as matérias criticando as festas, o cinema e a aproximação de homens e de mulheres no meio urbano. Acredito que, através desse periódico, assim como dos demais jornais a pesquisar, 10 será possível demonstrar como se delineiam os espaços de sociabilidade femininos e masculinos e identificar quais são os papéis femininos e masculinos normativos e desviantes. Além de situar o processo de modernização por que passa a cidade de Teresina em sua interface com a família e as relações de gêneros. Obras de poesia e prosa relativas ao período em estudo 11 , por sua vez, são fontes ricas para pensar as formas como o feminino, o masculino e suas relações estão sendo representados em interface com o namoro, o noivado, o casamento, o amor, o desejo e os códigos de sexualidade. Quanto aos dados censitários, considero-os importantes para compor quadros gerais em torno da configuração e dinâmica familiar, a partir das atividades econômicas, das idades de pessoas casadas e solteiras e do número de filhos e filhas. As genealogias são fontes ricas em informações relativas às atividades exercidas por homens e mulheres, ao nível de escolarização, aos tipos de profissão, à dinâmica de casamento, ao universo de pessoas casadas e solteiras, aos filhos nascidos vivos e à mortalidade infantil. A idéia é sistematizar os dados, para compor uma amostra dos segmentos altos e médios, em vista a estabelecer o diálogo com os dados censitários. O objetivo é passar de um dado mais geral, homogeneizador, para o universo das camadas altas e médias. Outro universo de fontes a ser utilizado é constituído por memórias, biografias e depoimentos 6

de mulheres e de homens que viveram o período em estudo 12 , com o intuito de explorar as sociabilidades, as práticas de feminilização, de masculinização e as relações familiares. Objetivo articulá-las às genealogias, aos dados censitários e às demais fontes que compõem o corpus documental para estabelecer a passagem do individual ao coletivo e do coletivo ao individual e, nessa trajetória, tecer as teias e as tramas nas quais se configuraram o feminino, o masculino e suas relações. 1 A respeito dos conceitos de prática e representação, ver CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: DIFEL; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990. 2 Acerca das noções de estratégia e tática, ver CERTEAU, Michel. A invenção do cotidiano: artes de fazer. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. 3 CASTELO BRANCO, Pedro Vilarinho. Mulheres plurais: a condição feminina na Primeira República. 2. ed. Recife: Edições Bagaço, 2005. 4 A respeito do conceito de gênero, ver SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, n. 20, v. 2, p. 93, 1995. 5 Esta afirmativa também esta embasada na obra História do amor no Brasil, ver PRIORE, Mary Del. História do amor no Brasil. São Paulo: Contexto, 2005. 6 CARDOSO, Elizangela Barbosa. Múltiplas e singulares: história e memória de estudantes universitárias em Teresina (1930-1970). Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 2003. 7 NOLASCO, Sócrates. O mito da masculinidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1995. 8 A respeito da noção de relações de poder, ver FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979; FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 1: a vontade de saber. 12. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1988. 9 Acerca da noção de contrapoder, ver A HISTORIOGRAFIA das mulheres. Cultura e poder das mulheres: ensaio de historiografia. Gênero, Niterói, v. 2, n. 1, p. 7-30, 2 sem. 2001. 10 Além do jornal O Dominical, encontram-se disponíveis, no Arquivo Público do Piauí, os seguintes jornais: O Piauí (1946-1954); Estado do Piauí (1958-1965; 1969-1970); Jornal do Comércio (1949-1953; 1956-1958; 1961; 1963- 1964); Jornal Folha da Manhã (1958-1964); Jornal do Piauí (1951-1970); Folha do Nordeste (1962-1963); Folha Rural (1960-1962); O Estado (1947-1948); Resistência (1949-1953); Opinião (1953-1954; 1970); O Tempo (1934- 35); O Pirralho (1947-1948; 1950-1954); Jornal de Notícias (1950); O Liberal (1969-1970); A libertação (1953); Decisão (1958); O Cooperativista (1962-1963); O Momento (1937); A Luta (1952); A cidade (1951-1953); Cidade de Teresina (1959-1962); O Norte (1940); Diário da Tarde (1930); Diário do Piauí (1946; 1954); Jornal dos Novos (1940); Tribuna Piauiense (1951); O Estímulo (1946); O Trabalhista (1948-1949); Homenagem (1954); O Curare (1953); A Folha (1950); O Repóter (1952); Redenção (1968); A Verdade (1964); Raio X (1963); A Resistência (1948- 1950); A União (1948); A Folha (1949); União Democrática (1950); Tribuna do Povo (1956); Vanguarda (1939); Tribuna Acadêmica (1957; 1959); Voz do Povo (1957-1958). 11 Refiro-me às seguintes obras: CARVALHO, O. G. Rego de. Ficção Reunida. 2. ed. rev. Teresina: Corisco, 2001; CASTELO BRANCO, Nerina. Outras poesias. Teresina: [s.n.], 1981; DOBAL, H. Obra completa II: prosa. Teresina: Corisco, 1999; FONTES IBIAPINA, João Nonon de Moura. Palha de arroz. 4. ed. Teresina: Corisco, 2004; MOURA, Francisco Miguel de. Sonetos escolhidos. Rio de Janeiro: Galo Branco, 2003; MOURA, Francisco Miguel de. Os estigmas. 3. ed. Teresina: Edições Cirandinha, 2004; NAPOLEÃO, Martins. Cancioneiro geral (1920-1976) I. Teresina: COMEPI, [1980?]; NAPOLEÃO, Martins. Cancioneiro geral (1920-1976) II. 1. ed. 1943. Teresina: COMEPI, [1980?]; NAPOLEÃO, Martins. Folhas soltas ao vento. Teresina: COMEPI, 1980; NAPOLEÃO, Martins. O oleiro cego (poemas 1953/1956). Rio de Janeiro: Olímpica Editora, 1956; NAPOLEÃO, Ana Clélia. O oitão. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 1990. 12 Refiro-me aos seguintes trabalhos: CASTELO BRANCO, Lili. Fases do meu passado. Teresina: [s.n.], 1983; OLIVEIRA, Silvio Mendes de. Revivendo meus caminhos e outras notas. Teresina: Halley, [199-?]; MOACI Madeira Campos. Teresina: Edufpi, 1996; VASCONCELOS, Daise Castelo Branco Rocha de. Vinho inebriante do amor: bodas de ouro de Pedro e Daise, meio século de amor e cumplicidade. Teresina: Ipanema, 2003; VIANA, Melquisedeque. Passageiro do deserto. Teresina: Gráfica do Povo, 2002. 7

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