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Dieta Alimentar de mulheres grávidas e paridas ... - Fazendo Gênero

Dieta Alimentar de mulheres grávidas e paridas ... - Fazendo Gênero

natureza. O autor

natureza. O autor refere-se ao exemplo de que as pernas de rã são petiscos para os franceses, e jamais seriam consumidas na Inglaterra, isto faz com que os ingleses sintam profundo desprezo pelos franceses. E Leach (1983: 98) conclui que: É evidente que todas essas regras, preconceitos e convenções são de origem social. Logo, conclui-se que a questão dos tabus está intimamente ligada à cultura de cada indivíduo, pois o que se torna um tabu para um inglês, pode não ser para um francês. Na obra Vacas, porcos, guerras e bruxas: os enigmas da cultura, o antropólogo americano Harris (1978) procura responder às questões perturbadoras sobre o comportamento humano, retratando os estranhos costumes e estilos de vida, sendo eles quase sempre invariavelmente, o produto de processos adaptativos bastante inteligíveis. O modo de vida, por mais aparentemente bizarro e irracional que seja, pode ser compreendido como formas práticas de adaptações e condições ecológicas, econômicas e sociais. O autor indaga ainda, que só quando conseguimos isolar e identificar essas condições é que estaremos aptos a compreender e a lidar com nossos estilos de vida aparentemente sem sentido. Como por exemplo, as razões pelas quais as mais diversas culturas, através dos séculos, assumem tabus, os mais estranhos e inexplicáveis, como horror a carne de vaca ou de porco, estranhos rituais de preparo e outros. Uma outra obra que também ajuda na compreensão dos tabus e restrições alimentares na região Amazônica, é O dilema do papa-chibé: consumo alimentar, nutrição, prática de intervenção na ilha de Ituqui, Baixo Amazonas – PA, de Murrieta (1998), que analisa as práticas cotidianas da escolha e utilização de alimentos na ilha de Ituqui. O autor faz uma avaliação de alguns aspectos do impacto destes processos nas práticas locais de intervenções. Faz uma discussão antropológica sobre os hábitos e tabus alimentares que se concentram nas estruturas mentais e sociais, nos sistemas de representações e infra-estruturas econômicas e ambientais. O autor está sempre atento para os altos valores de consumo protéico e valores moderadamente baixos de calorias quando comparados com recomendações internacionais, onde os processos de escolha são práticas superpostas influenciadas e limitadas pelos sistemas de tabus locais e do mercado. O autor muitas vezes ignora a importância da variável social e cultural, em função das análises do processo nutricional dos indivíduos. Motta Maués e Maués (1977: 139), na obra Hábitos e crenças alimentares numa comunidade de pesca, retratam a alimentação de mulheres, onde a prática dos tabus e das restrições alimentares é um dos focos principais relacionados com o grupo das mulheres grávidas e no período do puerpério. O preparo dos alimentos tanto para a mulher grávida quanto para o recém-nascido, também é especial, como por exemplo: A galinha consumida pela mulher de parto deve ser preparada sempre na hora da refeição, pois não deve ser requentada, caso contrário uma grande inflamação pode atacar a mulher. 2

A mulher no período de gravidez e pós-parto, é o grupo que recebe maiores restrições e proibições alimentares em comunidades tradicionais. Murrieta (1998: 39) destaca que: A gravidez e o pós-parto são representados como momentos de fragilidade e vulnerabilidade para mulheres, onde a ingestão de alimentos reimosos pode trazer sérias conseqüências para a mulher e o bebê [...] Segundo Motta-Maués (1997: 140), a palavra “reima” não faz parte do vocabulário do itapuaense, ele usa somente os termos “reimoso” e “manso”, que são aplicados para classificar os alimentos. Para a autora a reima é um: Sistema complexo, que estabelece a classificação dos alimentos em dois grupos, mansos e reimosos, utilizando vários critérios, que levam em conta três momentos diferentes: a) o alimento em si, antes de ser preparado para o consumo; b) o estado da pessoa que vai consumi-lo; e c) o modo de preparo do alimento. A reima é um sistema classificatório de restrições e proibições alimentares aplicados a pessoas em estados físicos e sociais, ou seja, nas palavras de Murrietta (1998: 42): O equilíbrio do corpo e do espírito é o principal alvo das proibições da reima, praticada principalmente, após uma enfermidade ou gravidez. No espaço ribeirinho o papel social das mulheres chama atenção por ser o símbolo da oralidade e do conhecimento local sobre a tradição do “cuidar” da saúde do grupo. E “cuidar” da saúde da comunidade, especialmente das mulheres cabe à parteira essa responsabilidade em comunidades mais isoladas. É ela que é responsável pela dieta alimentar da grávida e da nutriz, é ela quem vai orientar sobre os “perigos” do consumo de certos alimentos, o que fica proibido, e o que deve ser ingerido. São ensinamentos adquiridos ao longo do tempo e da história, repassados ao longo das gerações através da oralidade do grupo. Apresentamos a seguir o quadro de recusa alimentar estabelecido pelas parteiras ribeirinhas para as mulheres no período gestacional e no pós-parto. Tabus e recusas alimentares para mulheres grávidas e paridas Para as mulheres ribeirinhas, no período gestacional e durante a amamentação, os alimentos que contém mais reima e os que sofrem maior recusa por parte delas são: Bichos de casco. São as tartarugas, tracajás e jabutis, comuns nas margens dos rios e igarapés da comunidade. O consumo deste alimento é unanimidade entre as mulheres, é proibido e está no topo dos alimentos recusados. O consumo destes pode trazer sérias conseqüências e muitas vezes deixar seqüelas na mulher e no bebê, como: perda da memória, manchas no corpo tipo impingem. E o bebê é contaminado pelo leite da mãe, causando diarréia e manchas no corpo, idênticas às da mãe. 3

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