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Dieta Alimentar de mulheres grávidas e paridas ... - Fazendo Gênero

Dieta Alimentar de mulheres grávidas e paridas ... - Fazendo Gênero

Peixe

Peixe de couro. Causam inflamações no organismo. Os mais comuns na área são: dourado, mandi, jaú, surubim e pirarara. Peixe de escama. jatuarana, pirarucu, matrinchã, piranha e tambaqui, também causam inflações no organismo. Carne de caça. Animais como anta, paca, tatu, cotia e veado. Estão também no grupo dos alimentos com reima, portanto, não consumidos pelas mulheres grávidas e no período de amamentação. Carne de porco Alimento também muito reimoso que causa inflamações no organismo. Carne de gado. Ë um alimento recusado por algumas mulheres da comunidade, o consumo dessa carne é considerado muito reimoso, que pode causar dores estomacais e vômitos. Galinha de pé roxo. É uma espécie de galinha caipira criada na comunidade, que não é consumida no período gestacional e durante a amamentação, também por estar no grupo dos alimentos reimosos, não havendo muitas explicações com relação à cor dos pés. Galinha d’angola. É comum na comunidade, mas é um alimento que segundo as mulheres contém reima, portanto, proibido no período pós-parto. Macacos. O consumo da carne desses animais é considerado pelas mulheres muito perigoso, pela semelhança com o homem, e ainda, pode atrair para o marido a panema, que é uma forma de energia negativa, um maná negativo que deixa o afligido sem sorte para a pesca, caça, plantio; deixa mofino sem animo para o trabalho, preguiçoso. O panema é retirado com banhos de ervas e rezas dos curadores. Frutas cítricas. As mulheres quando estão amamentado não devem consumir frutas ácidas, principalmente, a laranja, o limão e o abacaxi, pois a acidez destas frutas “corta o leite” consumido pelo bebê. Banana najá. É uma fruta muito encontrada na comunidade, mas, extremamente proibida para as gestantes, pois possui efeito abortivo. Na área ribeirinha a principal fonte de proteínas para a mulher é o peixe, e mesmo assim mantém um rol de tabus e restrições alimentares no período da gravidez. Durante a estiagem, a demanda de peixes para a comunidade fica reduzida, e a fartura de espécies diminui, na maioria das vezes só resta o peixe de couro para consumo, mas este fica restrito na dieta da grávida, resta então a carne de caça, mas esta também sofre restrições em algumas espécies, a galinha caipira, mas se tiver na classificação da galinha de pés roxo, também não é consumida pela mulher. Talvez essa seja uma das formas de mudança nos hábitos alimentares, pois os ribeirinhos têm uma preferência muito grande pela galinha de granja, congelada. E esse alimento é consumido em todas as etapas da vida da mulher, não recebe nenhuma restrição. O que é uma contradição por não considerar (nem saber) que essa carne possui um alto suplemento de hormônio. 4

Com tanta restrição alimentar a saúde da grávida ribeirinha fica comprometida? Segundo as parteiras da área, as mulheres são saudáveis, justamente porque não consomem qualquer alimento que possa comprometer a sua saúde e a do bebê. O tambaqui é reimoso devido ao umbigo da criança e devido a ela mesma né? Que quando a mulher tem bebê ela tá inflamada, e de repente ela pode ter uma hemorragia, devido a comida que ela come.... (Parteira ribeirinha, distrito de Nazaré) Não é qualquer peixe de escama que ela pode comer, só a branquinha, sardinha, aruanã e traíra. (Parteira ribeirinha, distrito de São Carlos) Mas o médico ginecologista e obstetra, em seu depoimento, discorda dessas restrições: Em uma comunidade tradicional podemos observar alguns tipos de restrições alimentares que podem afetar uma gravidez tranqüila e saudável, mas cada caso é um caso, e quando nós avaliamos uma paciente, nós temos uma conduta individualizada para cada caso. No entanto, o que nós aconselhamos de um modo geral é que a dieta seja rica, e nessa riqueza, nós que moramos aqui na Amazônia, essas pessoas que vivem nessas comunidades elas têm condições de ter um pomar em sua casa, então elas podem fazer uso de todas as frutas, limão, laranja, jambo, banana, todas as frutas que for possível ingerir. Não tem nenhum problema, não existe contra indicação, manga, cupuaçu, açaí, todas à vontade... Todos os peixes também podem ser consumidos à vontade, nada de restrições, por exemplo “peixe de couro não posso comer”... Pode comer sim, peixe de couro, de escamas, sem problema nenhum. Quanto às carnes, a orientação é para carne magra, apenas evitar gorduras e fritura. Frango pode consumir à vontade, não tem nenhuma contra indicação, também não vejo problemas em consumir carnes de caça, é tudo realmente uma questão de cultura. Segundo o médico, para que uma gravidez seja saudável é preciso que a alimentação da grávida seja rica em nutrientes, vitaminas e proteínas. Alimentar-se bem durante a gravidez contribui para uma gestação saudável. Na concepção do médico não existem restrições alimentares para carnes, peixes e frutas. Ao contrário são alimentos que devem estar na dieta da gestante. Ele considera que: Os tabus fazem parte de um folclore e quando é visto em forma de poesia é muito bonito, mas podem trazer riscos a muitas gestações, principalmente, esses tabus que passam desapercebidos. Sabe, aquele menino que foi abortado, aquele menino que não pode crescer, aquele menino que nasceu com uma má formação e depois morreu, e como morreu ficou no esquecimento, e não é lembrado, só é lembrado quem é visto, quem pode garantir que essas crianças não sofreram por conta de uma má alimentação das mães? Com certeza uma dieta deficitária no período gestacional pode causar danos ao bebê... a criança será aquilo que a mãe consumir durante a gravidez. Mas na cultura das parteiras e das mulheres ribeirinhas, consumir esses alimentos é um sério risco à saúde, e essa é a verdade do grupo. Pois tem toda uma simbologia a respeito dos alimentos. Então como manter uma dieta saudável no período gestacional sem interferir na cultura do grupo? É interessante para o grupo que a parteira possa absorver novos conceitos a respeito da dieta alimentar das mulheres no período gestacional e no pós-parto? Para o médico ginecologista e obstetra isso é possível, pois: 5

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