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Sujeitos do feminismo: políticas e teorias - ST 06 - Fazendo Gênero

Sujeitos do feminismo: políticas e teorias - ST 06 - Fazendo Gênero

de criação de animais

de criação de animais de pequenos porte (galinha, cabra) ganham menos de R$50,00 por mês (OLIVEIRA & RABAY, 2004). As mulheres organizam o seu tempo entre o trabalho reprodutivo e produtivo, dos afazeres da casa às atividades do roçado. Elas acordam muito cedo, por volta de quatro horas da manhã para cuidar dos afazeres domésticos, das crianças e do marido, sendo as últimas a se recolherem. Além dessas atribuições ainda necessitam ter tempo para dedicar à produção do artesanato, sendo a tessitura da renascença a peculiaridade dessa região. O trabalho produtivo de agropecuária é realizado nos arredores da casa/quintal cuja produção geralmente é para o consumo da família. Nesse sentido, as atividades produtivas realizadas pelas mulheres acabam sendo vistas como uma extensão do trabalho doméstico de mãe/esposa/dona-de-casa e provedora da alimentação de sua família. Identifico a necessidade de problematizar o conceito de trabalho reprodutivo, quando seu sentido está restrito ao espaço doméstico/ privado, quanto o conceito de trabalho produtivo, que está vinculado ao espaço público, pois estão sobrepostos um outro uma escala valorativa e hierárquica e não em espaços eqüidistantes e desempenhados por sujeitos diferentes. A sobrecarga física de trabalho, a pobreza, a falta de perspectiva de melhoria nas condições de vida, associada às condições climáticas da região, têm impactado a saúde física e mental das mulheres. Elas se queixam de “doenças de nervos”, de “depressão”, conforme afirmam algumas mulheres do assentamento de Camalaú: “tenho depressão porque não tenho salário para sobreviver. É de preocupação”; “quando cheguei em casa fiquei nervosa porque não tinha o que comer, fiquei até com febre”; “quase sempre, sermos escravizadas pelos homens, agüentando reclamação por parte deles, por isso dá depressão”. Suas vidas e corpos revelam na pele sinais e sintomas de pobreza, de maus-tratos e de opressão. São mulheres predominantemente jovens, porém com rostos e peles cansadas, marcadas pelo envelhecimento precoce, fruto de precárias condições de vida e de trabalho. (OLIVEIRA & RABAY, 2004). É diante desse contexto que a Cunhã - Coletivo Feminista em parceria com o Centro da Mulher 8 de Março, como sujeitos sociais comprometidos com os direitos, a autonomia e o empoderamento das mulheres, desde 2002, vêem desenvolvendo uma proposta de intervenção político-pedagógico feminista – através do projeto Semeando Gênero no Semi-árido paraibano- junto às mulheres rurais de assentamentos do Cariri Paraibano, segundo o enfoque de gênero na política de desenvolvimento humano sustentável. O projeto tem como objetivo contribuir para o empoderamento das mulheres visando à equidade nas relações de gênero na região como condição para o desenvolvimento sustentável e a conquista da cidadania plena, assim como favorecer o surgimento de organizações de mulheres (OLIVEIRA & RABAY, 2004).

As ações desse projeto contemplam mulheres de 13 áreas de assentamentos de assentamentos e comunidades de agricultura familiar localizados em seis municípios da região do Cariri e são realizadas apenas por duas educadoras das respectivas instituições que, esporadicamente, conta com o apoio de outras educadoras na execução das ações. Para concretizar os objetivos, a Cunhã adotou como eixos estratégicos de atuação o fortalecimento da organização social e política das mulheres; trabalho, produção e geração de renda; e articulação política com vistas a contribuir para o empoderamento das mulheres e a garantia da transversalidade de gênero nas ações de desenvolvimento sustentável junto a outros atores sociais que atuam no território. Na visão de Magdalena Leon (1997) o uso da palavra empoderamento tem a intenção de impulsionar mudanças na cultura, em particular nos imaginários sociais sobre a relação mulher e poder. Esse conceito tem sido utilizado por algumas estudiosas feministas como uma ferramenta analítica fundamental para compreender as desiguais relações de poder. Reforçando essa idéia, a autora afirma que: Las connotaciones nuevas que tiene (...el empoderamiento...) cuando se utiliza en el contexto del feminismo responden al deseo contribuir a que las transformaciones de las relaciones de poder (entendidas em su sentido más amplio) entre hombres e mujeres vayan acompanãdas de tansformaciones en el lenguaje que reflejen nueves construcciones e imaginarios socaiales (Apud, J.Cook, 1997, p.6) Stromquist afirma que empoderamento em seu significado emancipatório é um termo de profundo alcance por ser um conceito sócio-político que transcende a compreensão de “participação formal”, “conscientização”, apresentando quatro aspectos: cognitivos, psicológicos, políticos e econômicos, para uma definição mais ampla desse conceito (Stromquist, grifos da autora, 1997, p.79). Dessa maneira, o trabalho da Cunhã junto às mulheres trabalhadoras rurais fundamenta-se em uma perspectiva teórico-metodológica feminista, mas também na concepção de uma educação popular. Nesse sentido, interessa neste projeto de intervenção político-pedagógico da Cunhã desenvolver métodos e estratégias de produção de conhecimento sobre a condição feminina das trabalhadoras rurais do Cariri Paraibano. A metodologia feminista parte da idéia de que as mulheres historicamente passam por situações de subordinação, de dominação, discriminações e opressões, de diferentes formas e graus, em todas as sociedades. Calcada nessas idéias, a Cunhã, na sua proposta metodológica de educação popular busca se aproximar da realidade das mulheres rurais absorvendo elementos singulares de seu cotidiano, valorizando experiências, saberes, sentimentos e necessidades, buscando assim articular teoria e prática, conhecimento e experiência, realidade local e global.

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