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Gênero e Religião – ST 24 Nadia Maria Guariza ... - Fazendo Gênero

Gênero e Religião – ST 24 Nadia Maria Guariza ... - Fazendo Gênero

outras mulheres. Neste

outras mulheres. Neste sentido, Maria tornou-se um modelo inatingível às mulheres, ressaltando a inferioridade do gênero feminino. Marina WARNER demonstra a ambigüidade que esta representação assumiu no ocidente cristão, pois se Maria adquiriu as dimensões de mito, apesar de ser mulher, a sua representação modelar reforçava a submissão e a inferioridade feminina 3 . Para Marina WARNER, Nossa Senhora era uma figura polivalente que se apresentava com muitas aparências e se constituía em modelo feminino da Igreja, tornando-se, com o tempo, a personificação do ideal feminino católico. Por isso, no decorrer dos séculos esta representação sofreu mutações, adequando-se às novas circunstâncias impostas pela sociedade. Não obstante a representação de Nossa Senhora ter sido apresentada pelos discursos religiosos como eterna e imutável, despojando-a de seu caráter histórico, podemos perceber as mudanças de significados e de interpretações no decorrer de sua existência. Da mesma forma podemos observar a mensagem dúbia que este modelo divulgava. Se, por um lado, Maria era uma das poucas figuras femininas que assumiu as dimensões de mito no ocidente cristão, por outro, esta representação modelar reafirmava a submissão e a inferioridade feminina, por lembrar às fiéis que era impossível alcançá-la. De certa maneira, a representação de Nossa Senhora demonstrava, com propriedade, a relação que a Igreja Católica mantinha com as suas fiéis. Na história do cristianismo as mulheres eram consideradas importantes por causa de seu poder de persuasão, mas ao mesmo tempo eram vistas como inferiores e deveriam ficar submetidas à tutela masculina. Neste sentido, a representação mariana foi utilizada como elemento estimulador da ação feminina, porém dentro dos parâmetros impostos pela Igreja Católica. As publicações católicas no século XX de maneira entusiasta trataram deste mito materno que é Maria. Este artigo optou na análise de dois autores, um deles associado ao catolicismo conservador do início do século XX, o pe. Júlio Maria De Lombaerde (1878-1944) fervoroso seguidor de Nossa Senhora e autor de vários livros sobre Maria. Outro autor analisado é Leonardo de Boff (1938-) que estava ligado aos movimentos progressistas da Igreja Católica nos anos de 1960 a 1970. A idéia deste artigo é contrapor as idéias e as representações marianas destes dois autores que foram representantes de linhas diferentes do catolicismo brasileiro para compreender o papel divulgado por eles para as mulheres. O pe. Júlio Maria De Lombaerde escreveu livros tratando de aspectos doutrinários sobre Nossa Senhora, defendendo o culto mariano das objeções protestantes, e os livros devocionais

que procuravam divulgar Maria como modelo de simplicidade para incutir a moralidade católica nas fiéis. Deve-se estar atento ao fato de que o pe. Júlio Maria estava falando de um lugar específico. O padre engrossava o coro ultramontano do período, procurando fortalecer a Igreja diante das mudanças modernizantes e reforçando a hierarquia entre clero e fiel, assim como a autoridade de Roma. O ultramontanismo atribuía a responsabilidade pela devassidão da sociedade moderna a pouca fé e a desobediência da população às suas normas. Sendo assim, todas as orientações expressas por este movimento conservador eram justificadas e legitimadas pela idéia de salvação da sociedade. No pensamento ultramontano, a figura feminina serviu como uma estratégia da Igreja para manter o seu poder social. Neste sentido, a representação feminina foi construída como o esteio moral do lar e para isso a representação de Nossa Senhora era modelar. Nossa Senhora tornou-se modelo por excelência do ultramontanismo, sobretudo porque a mãe cristã foi valorizada no processo de reconquista da sociedade. Essa valorização materna se processou devido a teoria dos “círculos concêntricos”, que entendia que a Igreja chegaria pela mãe ao filho e ao marido, assim reconquistando a família e, por conseguinte, a sociedade 4 . Neste contexto, a representação da mãe cristã era entendida como a de educadora moral. A mãe era responsável pela educação religiosa dos seus filhos explicando os dogmas, ensinando as orações e a moral cristã. Por isso, ela deveria ser preparada para exercer esta função tão importante para a Igreja Católica por meio das associações, dos livros, dos manuais e dos colégios femininos. Nas palavras do padre eram perceptíveis os objetivos da Igreja Ultramontana em valorizar o papel materno para reconduzir os fiéis à igreja, nota-se que a feição esboçada para a mãe cristã compunha a de uma guardiã que deveria ser vigilante, repreendendo e até punindo o seu filho que poderia fraquejar diante das tentações da sociedade e se desviar do caminho correto do catolicismo. Para ser guardiã da moral católica no lar, a mãe cristã também deveria zelar por seu comportamento e seu trajar e neste ponto, novamente, o padre apresentou Maria como exemplo... “Modesto e circunspecto era o seu porte, graves os seus passos e sem pretensões; o seu olhar era doce, firme e limpido e a sua voz afável e atenciosa (...). As suas palavras sempre comedidas, quanto a sua conversação era calma e nobre, excitando ao bem e à virtude” 5 . Sendo assim, da mãe cristã se esperava o recato, a paciência, a amabilidade, a humildade, a mansidão. A mãe cristã deveria zelar para que seu esposo e filhos se mantivessem

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