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Gênero e Religião – ST 24 Nadia Maria Guariza ... - Fazendo Gênero

Gênero e Religião – ST 24 Nadia Maria Guariza ... - Fazendo Gênero

nos limites do

nos limites do catolicismo, porém sem sobressaltos ou agitações, pois se Maria conseguia irradiar o amor a Deus com sua candura que santificava os ambientes, as mães cristãs deveriam fazer o mesmo. Em contrapartida, Leonardo BOFF em seu livro “O rosto materno de Deus: um ensaio interdisciplinar sobre o feminino e suas formas religiosas” 6 mostra uma compreensão diferente do papel de Maria e das mulheres no catolicismo. Esta visão diferente é fruto do contexto, no qual Leonardo Boff se inseria por se tratar de um autor que viveu as transformações empreendidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) e, posteriormente as das Conferências de Medellín (1968) e Puebla (1972). Além disso, Boff se posicionou ativamente na defesa deste catolicismo progressista na América Latina, por intermédio da Teologia da Libertação. A Teologia da Libertação, coerentemente com a proposta do Concílio Vaticano II, tinha como foco principal a libertação da população pobre de sua situação de opressão e miséria. A catequese foi preterida e substituída pelo movimento espontâneo da população. A figura do padre também sofreu modificações, do único portador da verdade para o facilitador no processo de construção da libertação nas comunidades. O evangelho recebe uma interpretação com víeis marxista e as personagens como Jesus e Maria passam a ter uma conotação revolucionária. Nesta nova interpretação, as figuras de Jesus e Maria são retratadas em seu contexto de pobreza e simplicidade em Nazaré, procurando uma aproximação com a situação da maior parte da população latino-americana. Neste sentido, nota-se que neste ponto há uma continuidade da representação de Maria histórica proposta por Júlio Maria e a de Leonardo Boff, pois Julio Maria opta por uma leitura de modéstia e de pobreza para Maria de Nazaré, não enfatizando a sua ascendência real como alguns autores do século XIX. Por outro lado, para Boff a virgindade de Maria não é de fundamental importância, até porque na Palestina da época de Maria ser virgem seria algo humilhante para as mulheres. Boff procura entender a imagem de Maria em seu contexto próprio, sendo assim há uma dimensão histórica nesta representação. Além disso, o autor expõe que a leitura e o significado da figura de Maria assumem características diferentes nas sociedades no decorrer do tempo. Portanto, o autor inicia o seu texto propondo uma leitura diferente sobre o feminino na Igreja e, em especial na figura de Maria. Sendo assim, algumas indagações são levantadas por Boff “Como o feminino que conhecemos se constitui em caminho de conhecimento de Deus? Como Deus mesmo pode ser compreendido e se apresenta concretizado sob traços femininos?” 7 Para o autor os fatos misteriosos que se opera em Maria é um meio para que Deus revele o humano e o seu destino. E o fato de ter escolhido uma mulher para revelar esta nova

humanidade que renasceria com a Redenção não é indiferente. Segundo Boff, “ Não é indiferente o fato de Maria ter sido uma mulher. Então a pergunta se especifica: que rosto Deus nos quer mostrar mediante o feminino? Como o feminino nos leva a Deus? Qual o sentido último do feminino para a salvação, para a humanidade e para Deus mesmo?” 8 Leonardo Boff propõe uma releitura da mariologia, pois na tradição católica Maria nunca foi tratada como centro da missão salvítica, esta perspectiva pode contribuir para novas possibilidades na interpretação do culto mariano. Por que Deus escolheu vir por intermédio de uma mulher? A teologia deve buscar o sentido desta escolha. Zaíra ARY 9 aponta que o discurso católico sobre o masculino e o feminino após o Concílio Vaticano II assumiu uma conotação aparente de igualdade entre os gêneros, porém com o pressuposto da eliminação da diferença sexual. Sendo assim, em algumas passagens da Campanha da Fraternidade de 1990 percebe-se a afirmação recorrente de que Deus é composto pelo masculino e pelo feminino. Não obstante, essa aparente igualdade entre os homens e as mulheres, a narrativa destes documentos da Campanha da Fraternidade esboçava uma representação de Deus que não possuía características femininas. Portanto, as mulheres para se tornarem imagem deste Deus teriam que se misturar de tal forma a figura masculina que provocaria a anulação de sua feminilidade. Neste sentido, a imagem que Leonardo Boff expõe em seu livro de Deus com elementos femininos e masculinos poderia ser pensada inserida nesta contradição entre a igualdade entre os gêneros e a anulação do feminino para que isso ocorra. ... Na nossa meditação deverá ter ficado claro que o significado de Maria alcança para além de Maria, para além da mulher, atingindo o mistério do ser humano religioso da criação. ‘Maria, representante da criação inteira, representa simultaneamente o homem e a mulher’ (...) Ela se constitui um ideal humano e não apenas um ideal para a mulher 10 . O feminino para Boff, não se encerra na maternidade física, mas no fato de Maria ter voluntariamente aceito participar da salvação da humanidade. Novamente Boff remete a uma idéia muito comum no catolicismo da maternidade espiritual de Maria, o que nos remete a ambigüidade deste autor que ora parece propor uma leitura diferente, ora retorna a tradição. Segundo Ivete RIBEIRO 11 , ao se estudar o discurso católico temos que ficar atentos ao fato de que suas palavras estão ancoradas na tradição, pois a Igreja apesar de ser uma instituição histórica sujeita às mudanças, ela também está condicionada pelos parâmetros da Teologia. Portanto, no decorrer do século XX podem-se encontrar significados diferentes à representação de Maria, contudo lembrando que o discurso católico sempre inova a partir da tradição. A teologia e a tradição dos padres não podem ser negadas por estes autores ligados à Igreja Católica, o que pode ocorrer é uma pequena liberdade criadora do escritor ao descrever

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