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Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...

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dos sujeitos

dos sujeitos individuais, do sujeito coletivo e dos resultados da etnografia, com o objetivo de provocar maior densidade nas idéias em que há consenso e maior nitidez nas discordâncias. A partir da escolha do tema, surgem as questões iniciais que norteiam a formulação do objetivo. A definição do grupo amostral permite identificar os informantes de elite, que trazem dados significativos sobre o tema. Esses são entrevistados individualmente, com perguntas de roteiro semi-estruturado, que correspondam às questões levantadas e atendam ao núcleo do objetivo. As entrevistas são transcritas e uma síntese interpretativa de períodos curtos é produzida. O procedimento a seguir é a organização de um grupo focal, de quatro a doze participantes, comprometidos com o tema, contendo preferencialmente os informantes de elite entrevistados. Um período da síntese interpretativa é lido para provocar a opinião do grupo sobre a questão. Esgotada a discussão, o entrevistador introduz outro período para nova discussão, até toda a síntese ser discutida. A entrevista em grupo focal é transcrita, e as partes que respondem às questões do estudo são selecionadas. Após análise detalhada das partes selecionadas, o pesquisador produz uma edição dos trechos em que os membros do grupo focal produzem informação relevante para os efeitos do projeto. Para essa edição, o pesquisador suprime as partes que não contêm informação importante e que são produzidas para conduzir o fluxo das idéias. Contam-se aí: repetições, falsos começos, recomeços, gaguejos, hesitações e alongamentos. As falas são agrupadas sem definição dos entrevistados, uma vez que se trata do discurso do sujeito coletivo. Uma síntese dos dados encontrados é realizada, para posterior interpretação dos resultados em relação ao tema. Por ser uma nova proposta metodológica, cabe ao pesquisador descrever os resultados da utilização do método. Portanto, o fluxo do trabalho, nesta metodologia, é o seguinte: tema, objetivo, corpus, questões centrais, seleção dos informantes de elite, gravação, transcrição, “iluminação” e síntese das falas desses informantes. Definição do grupo focal, leitura dos períodos da síntese, com convite a discussão, gravação das falas, transcrição, edição, síntese e interpretação final. Os anexos contêm a transcrição das entrevistas individuais e do sujeito coletivo. Síntese das entrevistas de elite A prática do futebol se dá apenas no clube. A prática se dá uma ou duas vezes por semana. As mulheres participam com amigas associadas. A prática no clube foi iniciada antes dos sete anos. A primeira vez que se jogou varia muito: aos seis, aos dezessete e aos quarenta e seis anos. O futebol foi iniciado como lazer na praia e no próprio clube. Começou com incentivo de familiares e amigas. As principais motivações vêm dos familiares, da habilidade para o jogo, do local e da 4

qualidade de vida proporcionada. As facilidades são o gosto pelo futebol, além da estrutura que o clube oferece. As dificuldades são os encargos da família, o trabalho, a falta de tempo, a preguiça e a discriminação de gênero. Edição da entrevista em grupo focal A entrevista contou com cinco mulheres (quatro adultas e uma jovem). Eis o perfil dos membros do grupo focal: ALICE – médica, 45 anos, dois filhos e esposa de também médico e político. É uma das mais experientes no futebol. Apesar de afazeres do dia a dia, raramente falta aos dias de treino. Tem certa habilidade. É formadora de opinião dentro do grupo. RAQUEL – Professora de Educação Física, 50 anos, dois filhos, esposa de também educador físico. Tem participação boa. Tem boa coordenação e entendimento, porém pouca habilidade. É de grande importância no grupo pela motivação e dinamismo. CLARA – Médica, 39 anos, dois filhos e esposa de militar. Tem freqüência modesta. Tem certa habilidade, mas com dificuldades em alguns fundamentos. Tem muita força em suas opiniões e sempre com sugestões. JULIA – estudante do ensino médio, 16 anos. Filha de professora de Educação Física e de empresário. Raramente falta ao treino. É a mais habilidosa do grupo. Já participou em equipes fora do clube. Alegre e participativa. LUCIA – é a professora atual do grupo. Foi atleta de ex-equipe de várzea formada pelo primeiro pesquisador. Hoje formada em educação física, substituiu sua prima neste trabalho há um ano. A entrevista com o grupo focal permitiu constatar que há um consenso entre o discurso dos sujeitos individuais e o sujeito coletivo com relação à participação das mulheres de classe média alta e alta, em vista da facilidade dada pelo fato de o futebol feminino acontecer dentro de um clube privado: “Que é aqui no clube, é perto de casa e o horário é à noite, que é disponível” “O que me ajuda é isso, é que a família vem! Em ter um local que você agrada todo mundo, meu filho joga bola, meu marido vai fazer sauna. Se eu tivesse que sair daqui pra fazer o futebol já ficaria um pouco mais complicado” “Pois é a gente gosta, eu gosto, mas se não tivesse aqui provavelmente em outro lugar eu não jogaria, mesmo gostando, como eu fiquei anos sem jogar bolar Por possuir mulheres de diversas idades (de 15 a 50 anos de idade) foi percebido um “choque” de gerações no incentivo e preconceito sobre o esporte e a participação feminina: As jovens: “Meu pai sempre me estimulou, sempre me levou, me trouxe no clube pra jogar, sempre joguei com ele também”. “Eu comecei no Revelação nas aulas da minha mãe de Educação Física, aí ela me incentivou porque eu gostava muito do esporte, aí eu vim fazer aqui no CIEL” 5

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Corpo, Violência e Poder - Fazendo Gênero - UFSC