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Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...

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Garcia

Garcia pondera que “a produção do espaço é a produção da vida, e só por meio do processo do trabalho que isto se constrói”. Não obstante compreender a lógica desta produção demanda incorporar, além das relações de classe enquanto categoria histórica, as relações de gênero como categoria social, portanto, histórica também (GARCIA, 2002:78). Há uma necessidade de pensarmos através de que caminhos construir a unidade da luta emancipatória, mas isto nunca poderá ser alcançado forçando todas as lutas sob o arcabouço global da política de classe. A unidade procurada não pode estar sob a tutela de um grupo por cima de outros (GARCIA, 2002:13). Nosso trabalho com mulheres ex sem terras, agora assentadas e a busca de uma análise que nos habilite a interpretar a realidades e o ambiente dessas mulheres através dos movimentos sociais e da luta pela terra justifica esse estudo. Mulheres no Movimento e no Coletivo de Gênero no Assentamentos Padre Josimo I e II A discussão sobre gênero e ambiente em nosso trabalho tem como ponto de partida nas análises de como as relações de gênero se configura em assentamentos de reforma agrária, especificamente nos Assentamentos Rurais Padre Josimo I e II, no entorno de Porto Nacional – TO. Onde iremos abordar como as mulheres vem se organizando dentro destes ambientes, quais as representações que elas possuem e como elas se vêem nesse lócus. Escolhemos as categorias Gênero e Movimentos Sociais por perceber em pesquisas preliminares que nesses ambientes onde a questão agrária está sendo (re) discutida, há também outras discussões envolvendo as relações sociais destas pessoas, como as relações de gênero que concomitante a discussão sobre os impasses sobre a terra, vem sendo amplamente abordada pelos movimentos sociais inerentes ao ambiente, o MST e dentro dele o Coletivo de Gênero. O Coletivo de Gênero é um dos segmentos do MST, é composto por mulheres, e registra atualmente, a participação e a ligação com mulheres assentadas e acampadas em, praticamente, todos os assentamentos e acampamentos do entorno de Porto Nacional em reuniões bissemanais (dominicais). Apresenta um grupo minoritário de militantes que são representantes de cada assentamento e acampamento, cujo número varia constantemente, oscilando de acordo as dificuldades de ligação entre os locais. Dessa forma é que o Coletivo de Gênero Padre Josimo I e II se organiza nos assentamentos que os agregam. O Coletivo de Gênero Padre Josimo I e II está localizado no Estado do Tocantins, pertencendo a regional do MST em Porto Nacional. É uma organização muito recente, cujo projeto data de 2004; no entanto, já coleciona muitas transformações internas. Nasceu a partir de iniciativas e estímulos da COMSAÚDE i em Porto Nacional, tornando-se uma forma organizacional estimulada 2

para garantir incremento de renda familiar, a princípio, e depois para discutir as condições das mulheres assentadas pelo programa de reforma agrária nacional/estadual. Ao analisarmos a organização e o cotidiano das mulheres assentadas no Padre Josimo I e II, não podemos dissociar dessas análises as contribuições dos movimentos sociais, sendo estes parte de todo processo de organização de luta pela terra, iniciada ainda nos acampamentos (que levavam o mesmo nome), onde essas mulheres participavam ativamente das discussões políticas e também dos embates buscando entrar na terra, possuíam portanto, nesses acampamentos “papéis” estratégico dentro do movimento social. Sobre isso Gohn (2003:26) ressalta: Não por outro motivo, a organização social com maior poder de mobilização do país é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Eles politizam suas demandas e criam um campo político de força social na sociedade civil. Suas ações estruturam-se a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em situações de conflitos, litígios e disputas. Nos assentamentos Padre Josimo I e II detectamos que algumas dessas funções, ou especificamente alguns papéis não deram continuidade, ou não foram aproveitados pelo coletivo de gênero dentro dos assentamentos, uma vez que, com a entrada e posse da terra o MST deixa de agir maciçamente dentro dos assentamentos, delegando tais funções aos coletivos. Isso já é uma realidade dentro dos Assentamentos Padre Josimo I e II que apesar de ainda não obterem a posse legal da terra, já estão dentro dela e em processo definitivo para a posse da mesma. Com relação ao Coletivo de Gênero, em nossas pesquisas preliminares percebemos que as mulheres vêm interagindo com seu ambiente, ou seja, elas têm uma participação na constituição dos seus assentamentos. Mas, isso não representa a quantidade de mulheres e ações que fora notado ainda nos acampamentos. Ainda não detectamos as causas dessa queda ou dessa diferença de ações entre as mulheres acampadas e agora assentadas do Padre Josimo I e II, portanto este se constituiu mais um objetivo na pesquisa. Segundo Melucci (1994:64): Definir os sujeitos a partir dos movimentos sociais não se constitui uma tarefa difícil na atual conjuntura, contudo, os movimentos sociais são difíceis de definir conceitualmente e há varias abordagens de difícil comparação. Os movimentos sociais referem-se a interação mantida entre pessoas com poder e outras carentes de poder e são um continuo desafio para os detentores do poder em nome de uma população cujos interlocutores a declaram estar sofrendo injustamente danos ou estar ameaçada por eles. E podem variar de acordo o ambiente e as diversas articulações num mesmo ambiente. Um fator a se destacar sobre o movimento das mulheres nos Assentamentos Padre Josimo I e II representado pelo Coletivo de Gênero, diz respeito à composição do movimento social. É importante analisar quem são as mulheres que participam dele, por exemplo, se há um prosseguimento das funções advindas ainda da condição de acampadas, se todas as mulheres participam, se discutem suas condições, relações dentro dos assentamentos onde estão inseridas, como elas vêem nesse ambiente. 3

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