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Parto e Maternidade: profissionalização, assistência, políticas ...

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Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 quinto deles relata se sentir inseguro quando as pacientes contam aspectos de suas vidas sexuais” (p. 296). As autoras acreditam que, por causa disso, as pacientes acabam mascarando reclamações sobre suas vidas sexuais ao tratar sobre outros tipos de problemas, como infecções urinárias, dor abdominal crônica ou dor durante a penetração. Como resultado, segundo as autoras, “essas práticas discursivas em situações clínicas podem reforçar estereótipos culturais relativos à sexualidade feminina e podem impedir uma conversa sadia sobre sexualidade e reprodução” (p. 297). Considerações Finais Procuramos demonstrar aqui a constribuição que métodos naturalísticos podem agregar aos estudos sobre a saúde da mulher. A Análise da Conversa, aparato teórico-analítico discutido aqui, tem muito a contribuir para os estudos feministas, pois se trata de uma metodologia que cria oportunidades para se estudar o mundo como ele realmente é, nas ações e interações das pessoas. Há uma preocupação inerente em não haver interferências da pesquisadora nos dados coletados. Sabe-se que este é uma fator crucial nas pesquisas dessa natureza, uma vez que poucas pessoas falam abertamente em respostas a questionários sobre assuntos considerados tabus. No entanto, no dia-a-dia, encontramos falas tendenciosas ou preconceituosas que podem ser detectadas através da metologia aqui apresentada. Além disso, estudos da fala-em-interação podem nos mostrar como as relações de poder são construídas, reificadas ou revertidas nas ações mais mundanas de nosso dia-adia. Referências BARNES, Rebecca. Conversation analysis: a practical resource in the health care setting. Medical Education, 39, 113-115, 2005. HERITAGE, John. Garfinkel and Ethnomethodology. Cambridge: Polity Press, 1984. KITZINGER, Celia; FRITH, Hannah. “Just say no? The use of conversation analysis in developing a feminist perspective on sexual refusal.” Discourse & Society, 10(3), 293-316, 1999. MAYNARD, Douglas W.; HERITAGE, John. “Conversation analysis, doctor-patient interaction and medical communication.” Medical Education, 39, 428-435, 2005. OSTERMANN, Ana C. “Communities of Practice at Work: Gender, facework, and the power of habitus at an all-female police station and a crisis intervention center in Brazil”. Discourse Society, v. 14, n. 4, p. 473-505, 2003. _________. “Comunidades de Prática: gênero, trabalho e face.” In: HEBERLE, Viviane; OSTERMANN, Ana C.; FIGUEIREDO, Débora (Orgs.), Linguagem e gênero no trabalho, na mídia e em outros contextos. Florianópolis: Editora da UFSC, 2006. 6

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