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ST 38 Priscila Faria Vieira Mônica Varasquim Pedro Centro

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Gênero: multiplicidade de representações e práticas sociais – ST 38 Priscila Faria Vieira i Mônica Varasquim Pedro ii Centro de Estudos da Metrópole, Cebrap Palavras-chave: trabalho, desemprego, gênero “Gênero: Diversidade de discursos e práticas sobre trabalho e desemprego” iii Este texto almeja analisar as representações sociais sobre o trabalho e o desemprego a partir do estudo de trajetórias de vida de mulheres. Trataremos um grupo especial: elas são chefesde-família ou cônjuges, que, tendo tido uma inserção anterior no mercado de trabalho, deixaram-no pela pressão do desempenho de papeis sociais de gênero e que, no momento do trabalho de campo, a ele tentam retornar ou, quando menos, se defrontavam com a necessidade de organizar a sobrevivência como desempregadas num contexto de contração das oportunidades ocupacionais. Características tais como idade, escolaridade, cor e classe, que configuram o mundo social de onde essas mulheres provêm, somadas a fatores como casamento, maternidade e arranjos para a sobrevivência e desenvolvimento da família são decisivas na construção das suas representações e práticas sociais, notadamente aquelas referidas ao mundo do trabalho e da família. Estudos mostram que mulheres que já tenham tido experiência anterior de trabalho e que passam a procurar emprego após carreira reprodutiva conformam um grupo de risco ao desemprego e inatividade, nisto constitui a pertinência do nosso trabalho (Segnini 2002, Guimarães 2003 e 2005). O material empírico que analisaremos foi recolhido no quadro de um projeto de pesquisa mais amplo, que tinha como objetivo entender como, sob distintos regimes de proteção social e de institucionalização do desemprego (tipificados nos casos do Brasil, França e Japão), variavam as trajetórias ocupacionais de trabalhadores e as suas representações sobre trabalho e a ausência deste, focalizando, em cada país, grupos de alto risco de desemprego iv . A pesquisa de campo no Brasil foi desenvolvida na região metropolitana de São Paulo entre 2001 e 2004. Foram entrevistados cerca de 70 indivíduos, selecionados aleatoriamente na base de dados de cerca de 7.000 demitidos entrevistados num survey domiciliar conduzido entre abril e dezembro de 2001 v . Para essa seleção, cinco grupos de casos-tipo foram considerados como alvos por se aproximarem, na realidade paulista do inicio dos anos 2000, do perfil de mais elevado risco de desemprego. Foram eles: (i) operários (homens e mulheres), com demitidos por iniciativa da empresa depois de longa permanência no trabalho manufatureiro de tipo subalterno e que se encontravam em procura de trabalho; (ii) chefias médias nos serviços (homens e mulheres), igualmente demitidos por iniciativa da empresa; (iii) 1