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ST 38 Priscila Faria Vieira Mônica Varasquim Pedro Centro

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jovens em procura de

jovens em procura de trabalho com escolarização intermediária; (iii) migrantes nordestinos com pouco tempo de residência na RMSP e (iv) o grupo que aqui nos interessará analisar mulheres, chefes-de-família ou cônjuges, que deixaram o trabalho que haviam tido de modo a poder atender obrigações correlatas a seus papeis de gênero e que tentavam obter emprego ou produzir algum tipo de rendimento que lhes permitisse organizar a sobrevivência. Após a seleção dos casos, foram realizadas duas longas sessões de entrevista semi-estruturada, em pelo menos duas visitas domiciliares, ocorridas com um intervalo de cerca de um ano. Tais visitas permitiram recompor discursos sobre biografias e trajetórias ocupacionais dos indivíduos selecionados. O grupo-alvo das mães, no qual nos deteremos aqui, está composto por relatos colhidos junto a 12 mulheres com filhos. Frente aos outros grupos, analisados mais extensivamente em outros textos produzidos pela equipe de pesquisa (Leite 2003; Silva 2005; Segnini 2003; Georges e Guimarães 2005) salta aos olhos a evidencia inicial de que a experiência do desemprego entre as mulheres é vivida de modo peculiar, que informa a construção das suas representações e do seu discurso sobre trabalho e desemprego. Achados anteriores da equipe de pesquisa revelam não apenas que as trajetórias ocupacionais das mulheres desempregadas são muito articuladas aos eventos da vida familiar, mas que, mesmo em situação de desemprego, ou justamente por nela estarem, a maioria exercia uma intensa jornada de trabalho doméstico (Segnini, 2003).. Dada a diversidade da experiência ocupacional e familiar, assim como da forma de representá-la, impunha-se um recorte analítico que nos levou a subdividir os casos em dois subgrupos, as “mães cônjuges” e “mães chefes-de-família”. De fato, a análise das biografias confirmou a diversidade dos dois subgrupos na construção das suas trajetórias ocupacionais, nas estratégias de sobrevivência e nas construções discursivas sobre a experiência do desemprego, trabalho e procura de trabalho. Na análise que se segue procuraremos inicialmente apresentar as características de cada um desses dois subgrupos para, a partir daí esboçar algumas interpretações sobre os elementos que constroem o discurso e a representação da experiência de emprego e desemprego entre esses dois grupos de mulheres, distintas por suas experiências de gênero, mas também por suas trajetórias e formas de conferir significado ao vivido. As Mulheres Cônjuges Os sete casos-tipo de mulheres de que lançaremos mão para retratar esse subgrupo são formados por aquelas que haviam sido classificadas no survey conduzido em 2001 como cônjuges, por não exercerem o papel de chefes de domicílio, que cabia aos seus maridos. 2

Algumas características se destacam entre as mães cônjuges, tornando convergente o seu perfil: baixa escolaridade (ensino fundamental incompleto), idade por volta dos trinta anos, baixa renda e condições de vida precárias, trajetórias ocupacionais de muitos poucos eventos de trabalho, dos quais grande maioria no mercado informal, e estratégias de sobrevivência que passam antes pela mobilização de redes sociais (centradas na ajuda de parentes, amigos e instituições) que pelo mercado formal. O cotidiano dessas mulheres gira em torno da casa, da família, e de todo o trabalho implicado nessas esferas, seja ele um trabalho que se exerce para a família ou como serviço prestado a outrem. De fato, a quase totalidade dos casos que constituem esse subgrupo, com apenas uma exceção, se constitui de mulheres que exerciam, e/ou ainda exercem esporadicamente, trabalhos de empregada doméstica, faxineira, lavadeira e passadeira, ou seja, prestação de serviços ligados à limpeza e cuidado das casas e lares. É notável o insulamento dessas mulheres na vida doméstica e familiar; quando muito têm alguma atividade religiosa que se resume a freqüentar as cerimônias dominicais. Todavia, e diferentemente das mães chefes de domicílio, isto não é vivido como um fator de sofrimento e nem produz um sentimento de exclusão em relação à vida pública; ao contrário, dos seus discursos parece ser possível depreender que a casa e, de certo modo, a vizinhança, são de fato os locais aos quais elas pertencem. Assim, o desemprego – que, como categoria discursiva sequer informa as suas falas - aparece por elas representado principalmente como privação material, como dificuldade de sobrevivência e como impossibilidade de complementação da renda dos maridos, que, via de regra, são os principais provedores dessas famílias. Suas trajetórias de trabalho são completamente entrecortadas e refeitas a partir de problemas e eventos familiares tais como, casamento, nascimento de filhos ou morte e doença de familiares. Dada as precárias condições de vida dessas mulheres, sua luta constante, mais que pela obtenção de emprego através de mecanismos de procura, é pela sobrevivência. Esta se encontra fortemente orientada pela busca de apoio governamental, na forma do suporte de políticas sociais de renda mais que de emprego (via requerimento de benefícios sociais como bolsa-escola, bolsa-família e outros), ou ainda pela via de doações de entidades beneficentes e religiosas e até mesmo da ajuda financeira de parentes e amigos. O acompanhamento da situação ocupacional das cônjuges - possível dado que três diferentes contatos foram feitos ao longo de quase três anos (a resposta ao questionário do survey e duas entrevistas com espaçamento de um ano) - nos permitiu observar que sua situação ocupacional 3