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Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...

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para as crianças, ao

para as crianças, ao passo que os homens tenderiam a pensar primeiramente em si. (...) Desta forma, o Grameen tornou-se implicitamente um projeto de libertação feminina” (Singer, 2002). Assim, na medida em que os chamados “bancos dos pobres” passaram a efetuar operações distintas dos bancos que, tradicionalmente, consideravam apenas os homens como tomadores preferenciais de crédito, o microcrédito passou a ser visto como uma das condições para a conquista da autonomia econômica das mulheres no mundo do trabalho (particularmente em relação a agiotas e ao cônjuge), tornar estável sua pequena atividade empreendedora (a constatação de crédito para capital de giro), melhorar sua condição de vida cotidiana e, sobretudo, construir e fortalecer organizações de auto-gestão e um “espaço público de proximidade”. Além disso, há uma racionalidade econômica que norteia esses programas de microcrédito: eles não só são inclusivos, na medida em que articulam a intervenção pública no combate à desigualdade (que se expressa, por exemplo, em índices mais elevados de “exclusão bancária feminina”) como também atenuam o racionamento de crédito e as dificuldades de mobilização de poupança para atividades produtivas (GUÉRIN, 2005; DOLIGEZ, 2002). No Brasil, esses programas, em especial os surgidos a partir da década de 1990, tiveram por objetivos primordiais a geração de renda para ex-trabalhadores e ex-trabalhadoras assalariadas e donas-de-casa, que se engajaram em empreendimentos econômicos solidários 4 . No entanto, a autonomia – em termos de renda – conquistada pelas mulheres tomadoras de microcrédito não autoriza a apontar os programas de financiamento de empreendimentos econômicos solidários como ‘imunes’ a uma divisão sexual do trabalho, que lhes é anterior e que parece se recolocar quando se considera não só o volume de microcrédito demandado pelas mulheres como também as atividades “femininas” por ele beneficiadas. Isabelle Guérin (2005) observa que ao analisar os efeitos dos benefícios gerados pelo microcrédito é necessário ter prudência porque “o microcrédito pode tanto libertar as mulheres de certos vínculos de dependência como forjar novas dependências, reforçando assim as desigualdades entre homens e mulheres e também entre as próprias mulheres”. No Brasil, o microcrédito tem-se apresentado como uma estratégia para amenizar os efeitos causados pelo desemprego (evidenciando o desemprego masculino), pois se torna alternativa para a falta de empregos formais. Sendo, portanto, o microcrédito uma ação de combate à pobreza resultante das taxas de desemprego e não de combate a desigualdade de gênero e/ou exclusão bancária feminina. Por sua vez, a predominância feminina na tomada de empréstimos em instituições de microcrédito está relacionada à diminuição da renda familiar em virtude do desemprego masculino e não à emancipação feminina favorecida pela expressão e reivindicação da categoria. 2

Ora, se o microcrédito está, conceitualmente, muito relacionado à criação de “espaços públicos de proximidade” – favoráveis ao aprendizado de necessidades coletivas que acene para lutas de classe, de suma importância para a inclusão das mulheres no mundo produtivo –, dados dos motivos de criação de EES no Brasil até 2005 apontam para outra realidade. Assim, lê-se no Atlas da economia solidária 2005 que os três principais motivos para a criação desses empreendimentos são [foram]: “alternativa ao desemprego (45%), complemento da renda dos sócios (44%) e obtenção de maiores ganhos (41%). Dois outros motivos têm destaque: possibilidade da gestão coletiva da atividade (31%) e condição para acesso a crédito (29%). Essa situação modifica-se de acordo com as várias regiões. O motivo “alternativa ao desemprego” é o mais citado nas regiões Sudeste (58%) e na região Nordeste (47%). Por sua vez, na região Sul o motivo mais citado é a possibilidade de “obter maiores ganhos” (48%) e “fonte complementar de renda” (45%). Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o principal motivo citado é o “complemento de renda” (46% e 53% respectivamente)” (MINISTÉRIO, 2005: 26). Ao analisar a participação feminina segundo o porte dos empreendimentos e atividades produtivas financiadas na região do Nordeste, verificou-se que quanto menor o tamanho do empreendimento e menor o montante do crédito concedido, maior será a participação da mulher. Assim, a predominância feminina (63%) se limita aos EES com menos de 10 sócios enquanto que 66% dos empreendimentos com mais de 20 sócios são comandados por homens (MINISTÉRIO, op.cit.). Esses dados reafirmam a concepção de que a renda feminina funciona como complementação da renda familiar, persistindo a idéia de que as obrigações familiares – entendidas como exclusivas à mulher, ou prioritárias dela – explicam os baixos rendimentos da atividade produtiva. Outra razão explicativa para a relação inversa entre participação feminina e porte dos EES – em especial no caso nordestino – é que as atividades produzidas pelas mulheres engajadas nos programas de microcrédito estão mais próximas do trabalho manual (artesanato, bordado, costura, tradicionalmente “feminino”) além da possibilidade de definir sua jornada de trabalho, conciliando- a com suas tarefas domésticas. A força de trabalho feminina 5 é cada vez mais elevada à condição de símbolo e protagonista de formas de gestão do trabalho social alternativas ao desemprego (masculino!) e às relações mercantis excludentes. O que se observa de fato é que a condição de mulher trabalhadora está ainda sujeita à tríplice atribuição de cuidar da família, da reprodução da força de trabalho e da continuidade da produção social (como assalariada ou não) e, agora, sobretudo, sujeita a subordinação dos mecanismos de mercado. O que no primeiro momento supõe uma independência aparente pode resultar na continuidade da dependência, no que se refere aos deveres domésticos e 3

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