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1 Gênero, raça/etnia e escolarização. ST 23 Ana ... - Fazendo Gênero

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Anais

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de agosto de 2006 sejam auxiliadas pelos parentes próximos, especialmente nas atividades predominantemente masculinas. HOMENS E MULHERES NA EDUCAÇÃO ESCOLAR XAKRIABÁ Os dados sobre os níveis de escolarização mostram que grande parte da população Xakriabá nunca teve acesso ao ensino fundamental (39,78%), a maioria declara cursar ensino fundamental ou ter esse grau de escolaridade (56,16%, sendo 43,26% nas quatro séries iniciais e 12,9% nas quatro séries finais) e uma pequena parcela (1,75%) declara cursar ou ter concluído o Ensino Médio. Dentre a população com idade entre 20 e 24 anos, 13% declara ter nenhuma escolaridade, 76,68% declara cursar ensino fundamental ou ter esse grau de escolaridade (sendo 48,79% nas quatro séries iniciais e 27,88% nas quatro séries finais) e 10,93% declara cursar ou ter concluído o Ensino Médio. Como a implantação das escolas indígenas se deu há menos de vinte anos, é plausível que a maioria da população escolarizada se concentre nas faixas de 6 a 30 anos. Se levarmos em consideração as diferenças quanto ao sexo, temos dados bastante interessantes: 54,91% dos homens e 41,66% das mulheres declaram cursar ou ter concluído algumas das séries iniciais do Ensino Fundamental; 17,85% dos homens e 39,58% das mulheres declaram cursar ou ter concluído algumas das séries finais do Ensino Fundamental; e 9,37% dos homens e 10,93% das mulheres declaram cursar ou ter concluído o Ensino Médio. Esses dados apontam para uma melhor progressão das mulheres no sistema escolar. Esse fenômeno vem sendo observado em diferentes trabalhos do GEDUC como, por exemplo, em Gomes, Gerken & Álvares (2004), Gerken & Teixeira (2005) e Gomes & Machado (2005) que, ao analisarem as principais características da Escola Indígena na Aldeia Barreiro Preto, chamam a atenção para o aumento da evasão dos alunos do sexo masculino a partir da quarta série do ensino fundamental. Além disso, é maior o número de mulheres nas classes de alfabetização em turmas de Educação de Jovens e Adultos. Esse fator parece estar associado à importância da participação dos homens, desde os mais jovens, nas atividades produtivas para a geração do sustento de suas famílias e à idéia de que o espaço escolar se constitui como ambiente predominantemente feminino. Decerto a observação das salas de aula aponta para maior dedicação e participação das meninas nas atividades escolares e concretamente, o seu número é maior a partir da quinta série. No entanto, a desigualdade na progressão escolar de meninos e meninas Xakriabá ainda carece de investigações mais aprofundadas que nos permitam identificar os significados atribuídos à experiência escolar e ao seu impacto na estrutura social. Observou-se também a iniciativa de algumas professoras e alunas de criar novas formas de armazenamento e transmissão de conhecimentos, por meio do registro escrito de conteúdos tradicionais orais. Elas são responsáveis por algumas modificações na economia simbólica tradicional Xakriabá, 4

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de agosto de 2006 através da introdução de novos conteúdos culturais que só podem ser assimilados através da leitura e da escrita e pela demarcação de novos lugares de saber e de poder viii . Nesse sentido, os novos atores sociais, construídos pela mediação da prática escolar e pelo domínio da linguagem escrita, se legitimam intervindo em procedimentos culturais importantes para a vida do grupo, modificando sensivelmente as práticas tradicionais realizadas pelos mais velhos (analfabetos), definindo os contornos do processo de letramento em curso. Tem se tornado freqüente a ocupação feminina de lugares de liderança em diferentes instituições sociais. Alguns exemplos podem ser facilmente identificados, como é o caso da professora eleita vereadora para o município de São João das Missões nas últimas eleições, da agente de saúde que é vice-representante de uma das aldeias com maior índice de pobreza e analfabetismo da Terra Indígena, e da professora da Aldeia Sumaré, presidente da Associação Comunitária Local. Ao mesmo tempo, observa-se que existe um acúmulo de funções por parte de algumas mulheres, especialmente professoras, que também participam de associações comunitárias e projetos sociais concomitamente. Observa-se também que existem professoras e outras mulheres escolarizadas que não participam de nenhum tipo de atividade fora do espaço escolar, o que demonstra que existem níveis diferenciados de participação. Tendo em vista o papel da mulher no cuidado da casa e dos filhos, uma questão fundamental a ser pensada é como os conhecimentos adquiridos a partir da escolarização, do contato com a escrita e com os meios de comunicação estão sendo apropriados ao cotidiano familiar, de que maneira influenciam na relação família-escola, na educação dos filhos e nas formas de transmissão cultural. Levando-se em consideração a importância dos professores no cenário atual da Terra Indígena ao assumirem papel de lideranças políticas, econômicas e sociais, deve-se estar atento ao status da participação diferenciada de homens e mulheres nas hierarquias sociais de poder e de saber. Embora as mulheres participem ativamente das atividades descritas acima e constituam maior número entre os docentes ix , acredita-se na existência de zonas interditadas à sua participação social. Essa afirmativa se baseia, principalmente, na observação de lugares de gestão político-econômica, por exemplo, nas equipes de gestão das escolas na Terra Indígena Xakriabá. Até 2004, cargos como diretoria e coordenação pedagógica eram ocupados predominantemente por homens. Somente a partir de 2005, com o afastamento de alguns professores para assumir cargos na prefeitura de São João das Missões é que uma das professoras foi escolhida como diretora de um dos núcleos escolares. Esses dados corroboram as argumentações de Demartini, (1993), Ferreira (2004) e Viana (2004) sobre as relações de gênero e a construção da identidade de gênero. Essa configuração tem imposto a necessidade de aprofundamento dos valores e significados que estão envolvidos na divisão do trabalho e do saber entre os Xakriabá segundo os gêneros, especialmente no 5

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