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Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...

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Para a coleta

Para a coleta de informações usamos como instrumento principal a entrevista, e, perante informações secundárias, o registro de depoimentos, observações do campo e de outras vivências do pesquisador. Assim, as entrevistas, com o consentimento dos sujeitos, foram gravadas e, posteriormente, transcritas. Foi importante o uso deste instrumento por possibilitar a captação dos sentidos atribuídos ao trabalho pelos entrevistados, ao possibilitar relatos sobre a vida laboral. Para Zago (2003), é necessário compreender a entrevista não apenas como uma técnica, mas como parte do processo de construir o objeto de estudo. Para analisar de informações, usamos procedimentos de análise do discurso, tal como proposta pelo construcionismo social, efetuando estes procedimentos em todo o percurso da investigação, a partir de contínuas leituras e registros sobre os acontecimentos no campo de pesquisa. No primeiro momento, transcrevemos todas as entrevistas e realizamos a organização dos registros e depoimentos do diário de pesquisa. Após, uma leitura geral do material e das anotações efetuou-se a co-relações entre os temas propostos no projeto de pesquisa, sendo eles: caracterização dos sujeitos; as histórias pessoais; cotidiano do trabalho no abatedouro; trabalho na vida doméstica. 3. Resultados e Considerações Preliminares Como mencionamos no início deste trabalho, esse texto apresenta as análises parciais sobre a investigação de trabalhadoras em um abatedouro avícola. Nestes resultados, destacamos a presença de trabalhadores jovens homens e mulheres na atividade de abate avícola, com idades entre 16 a 20 anos, sendo esse os seus primeiros empregos. Fato que se articula com o ritmo do trabalho necessário às atividades da linha produtiva e pela tendência do trabalho ao longo dos anos ocasionarem doenças. Com Tavolaro et al. (2007) podemos observar que estas informações condizem com os elementos referentes à organizações do tipo abatedouro. Os autores assinalam que essas organizações são lugares úmidos e barulhentos, alternam altas e baixas temperaturas dentro do mesmo ambiente, a velocidade do trabalho é determinada pelo número de animais a serem abatidos, os movimentos executados pelos trabalhadores necessitam ser firmes e vigorosos o qual esses elementos combinados podem ocasionar lesões tanto pelos instrumentos cortantes usados como lesões no sistema muscular esquelético pelo esforço repetitivo. A existência de trabalhadores nessa organização com baixas idades podem ser considerada um mecanismo organizacional no sentido de evitar os problemas de saúde ocasionados pelo processo do trabalho. Pois os jovens tendem a terem menos problemas físicos que pessoas mais idosas já que o organismo está em outra fase de desenvolvimento. 4

O trabalho feminino foi marcante em três momentos da linha produtiva, que são: as atividades para a retirada dos miúdos do frango com pequenos cortes, a colocação dos temperos e embalagem dos frangos inteiros e a separação das peças e embalagem dos mesmos. Por outro lado, o trabalho masculino assume as áreas externas do estabelecimento, como na colocação dos frangos nas correntes, na degola, outros setores que são necessários instrumentos cortantes, na atividade de supervisão e de mecânico. Segundo Sato e Lacaz (2000), em determinados setores da indústria de alimentação, como na indústria de corte de aves, é composta por uma maioria de mulheres atingindo em torno de 70% da força de trabalho. Segundo esses autores, a mulher entra na indústria citada em virtude de justificativas ancoradas em aspectos biológicos e fisiológicos, consolidando a divisão de papéis laborais femininos e masculinos; as mulheres vinculadas aos papéis domésticos, de trabalhos em que são necessárias a delicadeza, a atenção e a paciência feitas em conjunto com a submissão; aos homens é destinado o espaço público, sendo voltados aos tipos de trabalhos que exigem força física e emocional, e de serem os responsáveis pelo sustento da casa. Esses lugares destinados operam na sociedade empurrando qualificações e certos atributos às mulheres e aos homens. Aspectos esses, que segundo os autores são preponderante para o fundamento das ‘políticas de recursos humanos das empresas’. Em outras palavras, o espaço fabril é subsidiado por entendimentos representativos sobre a função do feminino e masculino em sociedade tornando esses importantes mecanismos de ação em suas plantas industriais, tal como os autores observaram “Um operador de máquina de uma indústria de laticínios, disse preferir ter em sua linha de produção mulheres para realizar as tarefas de embalamento, mas ele mesmo não consegue explicar o motivo” (Sato & Lacaz, 2000, p. 26). O espaço fabril toma atributos sociais destinados aos sujeitos masculinos, colocando-os em atividades que requeiram maior qualificação e, às mulheres, atividades com menores qualificações. Em resumo, os resultados desta pesquisa reiteram os estudos que mostram o quanto os lugares ocupacionais são marcados por recortes de gênero. Visto isso, pretende-se dar continuidade à investigação complementando as análises dos discursos produzidos pelas entrevistadas. 4. Referências Alencar, M. do C. B. de. (2005). Associações entre crenças relacionadas ao trabalho e suas influências na saúde dos trabalhadores e na produtividade, no setor de produção de frangos de corte: uma abordagem ergonômica. Tese de Doutorado. Departamento de Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Boni, V. (2005). Produtivo ou Reprodutivo: o trabalho das mulheres nas agroindústrias familiares - um estudo na região oeste de Santa Catarina. Dissertação de Mestrado, Departamento de Sociologia Política, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 5

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