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1 Perspectivas interseccionais de gênero e ... - Fazendo Gênero

1 Perspectivas interseccionais de gênero e ... - Fazendo Gênero

por si mesmas e não

por si mesmas e não como fruto das ações humanas, ao contrário, as ações é que são representadas como decorrentes da sociedade. Nesse sentido, vamos compreender enquanto inseridas no conjunto das relações sociais: as tensões existentes entre as classes sociais, as existentes entre as construções das masculinidades e das feminilidades, as existentes entre os conceitos sociais de normalidade e anormalidade – como, por exemplo, em relação às formas de manifestação do desejo – entre outras. E que, essas tensões serão gestadas pelas ações de seres humanos em produção e reprodução de sua existência, mas, no entanto como afirmado anteriormente, virão à consciência como precedentes as suas próprias intervenções. Essa forma específica de consciência é, portanto, a alienação, pois os seres humanos não se percebem como produtores da sociedade, transformadores da natureza, mas julgam que existe um outro que definiu e decidiu suas vidas e a forma social em que vivem. “E porque a alienação é a manifestação inicial da consciência, a ideologia será possível: as idéias serão tomadas como anteriores à práxis, como superiores e exteriores a ela, como um poder espiritual autônomo que comanda a ação material dos homens”. (CHAUÍ, 1980, p. 62) Chauí (op. cit.) aponta que a divisão social do trabalho dá poder aos proprietários sobre os não-proprietários. Os últimos são explorados economicamente e dominados politicamente, isso é, a dominação de uma classe sobre a outra. “Ora, a classe que explora economicamente só poderá manter seus privilégios se dominar politicamente e, portanto se dispuser de instrumentos para essa dominação” (p. 82): a ideologia é um desses instrumentos. Nesse sentido, a ideologia é “o processo pelo qual as idéias da classe dominante tornam-se idéias de todas as classes sociais, tornam-se idéias dominantes” (p. 84), “consiste precisamente na transformação das idéias da classe dominante em idéias dominantes para a sociedade como um todo, de modo que a classe que domina no plano material (econômico, social e político) também domina no plano espiritual (das idéias)” (p. 85). As idéias da classe dominante são, em todas as épocas, as idéias dominantes; ou seja, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo sua força espiritual dominante. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe também dos meios de produção espiritual, o que faz com que sejam a ela submetidas, ao mesmo tempo, as idéias daqueles que não possuem os meios de produção espiritual. As idéias dominantes, são, pois, nada mais que a expressão ideal das relações materiais dominantes, são essas as relações materiais dominantes compreendidas sob a forma de idéias; são, portanto, a manifestação das relações que transformam uma classe em classe dominante; são dessa forma, as idéias de sua dominação (ENGELS e MARX, 1932, p. 78). A ideologia em Marx se apresenta então, segundo Barbosa (2001), enquanto uma ilusão, uma falsa consciência, uma concepção idealista na qual a realidade é invertida e as idéias aparecem como o motor da vida real. A autora resgata então, que o critério para sustentar as relações de dominação é entendido por Marx, em termos de relações de classe. Para a concepção marxiana, são as relações de dominação e de subordinação de classe que serão o eixo principal da desigualdade e exploração na sociedade. No enfoque proposto no estudo da autora, e que tomamos para nossa 2

eflexão, “estas relações estão transversalizadas pelas desigualdades de gênero [e sexualidade] e raciais/étnicas que no capitalismo, assumem feição própria, em estreita correlação com os mecanismos de exploração de classe” (p. 49). Algumas das relações encontradas em nossas aproximações entre a base epistemológica e nossa verificação da realidade concreta, das relações sociais opressivas na perspectiva do gênero e da sexualidade, estão especificamente embasadas justamente nos mecanismos – operados pelos interesses das classes dominantes, para continuidade dessa condição – de reprodução social, que vislumbram e atingem para uma dominação econômica, outra política e que nesse instrumento, terão uma intervenção direta numa construção hegemônica dos corpos masculinos e femininos, determinando suas formas de mediação com os seres humanos e com a sociedade em que se inserem. Partindo com esse e desse mecanismo, na articulação para a manutenção da organização social, a ideologia transformará o arcabouço de determinações dos dominantes para a vida de toda a sociedade em um caminho eterno para ser seguido universalmente. A divisão sexual do trabalho no ato da procriação, a divisão social do trabalho no interior da família, a divisão social do trabalho em que se fundamenta a sociedade de classes aparece para o conjunto da sociedade enquanto dados naturais, fatos anteriores às ações humanas e ao mesmo tempo, imunes desta. Assim, o projeto capitalista irá determinar direta e indiretamente seus ditames sob os corpos, numa sociabilização fragmentária na perspectiva da construção do masculino e do feminino e sua conseqüente intervenção sobre suas sexualidades de maneira que, com seus mecanismos de controle e reprodução social, construirão violenta e silenciosamente a esteira de relações suficientes para a manutenção de sua hegemonia. A apropriação capitalista das relações sociais se dá de forma peculiar e é na produção e reprodução da existência social dos seres humanos, organizados na sociedade de classes é que serão investidas as ideologias de gênero, na qual teremos a construção de falsas necessidades como: a procriação para criação e reprodução da força de trabalho humana, a constituição familiar, que enquanto tal traz um dos redutos mais significativos para a estagnação das relações sociais e ainda efeitos marcantes dessa concepção nas subjetividades humanas. Para o momento, vemos então, a necessidade e possibilidade de indicar, embasados nos apontamentos anteriores, somados da leitura de autoras como Joan Scott (1995), Elaine Romero (1994), Regina Barbosa (2001), Marilena Chauí (1980), aquilo que vamos compreender para fins desse texto como ideologia de gênero. Tal perspectiva será entendida como um arcabouço constituinte da ideologia burguesa, que determinará ao conjunto da sociedade, uma construção social de corpos de forma diferenciada segundo o sexo biológico. Desta forma, a ideologia de gênero trará e construirá uma noção determinante de masculino e feminino, indicando para cada sexo, formas de viver e agir perante o mundo social, desde a sua 3

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