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1 Perspectivas interseccionais de gênero e ... - Fazendo Gênero

1 Perspectivas interseccionais de gênero e ... - Fazendo Gênero

mais íntima relação,

mais íntima relação, passando pela normalização das expressões da sexualidade, até a fixação das formas e espaços definidos e divididos – expressão da divisão social e sexual do trabalho – para intervenção social de homens e mulheres, como: mundo privado, do lar, do cuidado com as crianças para as mulheres, ou do mundo público, do trabalho, da política para os homens. Dessa construção ideológica é que avançamos na tentativa de investir um primeiro entendimento relacional a respeito da construção especifica da sexualidade hegemônica, materializada logicamente pela sua expressão heterossexual. Teremos aqui, outro ditame social apontando uma única direção em relação à sexualidade para a procriação, para a constituição da família, fundamentadas concomitantemente em processos legislativos e religiosos em que ambos apontamentos do ditame, vislumbram manutenções da criação de força de trabalho, da propriedade privada no interior da família ou na sua expressão mais alta, a capitalista, sendo que estes vão estabelecer relações constantes na constituição social de corpos homens e corpos mulheres. Assim, as relações sociais capitalistas, far-se-ão presentes na instituição ideológica de modelos de expressão do sentido do desejo sexual, ou seja, da orientação sexual dos seres humanos. Mesmo com as diferenciadas formas em que atualmente a família pode se apresentar, Daniel Welzer-Lang (2001), nos traz que a família nuclear – engendrada, segundo Barbosa (2001), historicamente na emergência da família nuclear burguesa – virá como “um quadro natural que liga um homem a uma mulher” (p. 469). E em diálogo incessante, teremos segundo o autor, um modelo político de gestão de corpos e desejos, utilizando-se para tal do engessamento do gênero – do comportamento tipicamente masculino e feminino – para a formação de um quadro heterossexista e homofóbico. Para fins desse estudo, de nossa aproximação e aspiração de diálogo entre as formulações marxianas e as intervenções da sociedade de classes nas manifestações da sexualidade, vamos indicar o heterossexismo (WELZER-LANG, 2001), também enquanto instrumento ideológico, de reprodução de valores sociais próprios da classe dominante no intuito de estabelecer e manter seu domínio e controle da organização social, que ou partem, ou desembocam nos corpos masculinos e femininos. Traremos para o presente momento, a importante reflexão de Marilena Chauí (1980), na qual a autora apresenta que, para que todos os membros da sociedade se identifiquem com características supostamente comuns a todos “é preciso que elas sejam convertidas em idéias comuns a todos” (p.86). Assim, a classe dominante será imbuída de produzir suas próprias idéias e também distribuí-las, “o que é feito, por exemplo, através da educação, religião, dos costumes, dos meios de comunicação disponíveis” (p. 86). 4

Ao trazer, especificamente, para a reflexão os processos educativos e seus instrumentos, focando centralmente a Educação Física e a Escola, reafirmamos a reflexão sobre a manutenção da dinâmica social, que será operada ideologicamente através, também, desses dois espaços, entendendo esses como inundados, reprodutores e produtores da ideologia da classe dominante, ancorados em toda a história de implementação do capitalismo. Para Carmen Soares (2001) é no período em que se consolida o Estado burguês e a burguesia como classe, que se criam condições objetivas para que as suas contradições próprias de classe no poder venham à tona, sendo “inevitável o reconhecimento da existência de seu oponente histórico: a classe operária” (p. 05). Para manter a sua hegemonia, a burguesia necessita, então, investir na construção de um homem novo, um homem que possa suportar uma nova ordem política, econômica e social, um novo modo de reproduzir a vida sob novas bases. A construção desse homem novo, portanto, será integral, ela “cuidará” igualmente dos aspectos mentais, intelectuais, culturais e físicos (idem). É nesta perspectiva que podemos entender a Educação Física como a disciplina necessária a ser viabilizada em todas as instancias, de todas as formas, em todos os espaços onde poderia ser efetivada a construção deste homem novo: no campo, na fábrica, na família, na escola. A Educação Física será a própria expressão física da sociedade do capital. Ela encarna e expressa os gestos automatizados, disciplinados, e se faz protagonista de um corpo “saudável”, torna-se receita e remédio para curar os homens de sua letargia, indolência, preguiça, imoralidade, e, desse modo, passa a integrar o discurso médico, pedagógico... familiar (p. 06). Assim, articularemos a escola, a Educação Física e a conseqüente educação corporal, como instrumentos a serviço da ideologia burguesa, do seu projeto histórico de sociedade, que atravessa nos corpos, os ditames de discriminação entre indivíduos de uma classe e outra, de um sexo e outro, de certa orientação sexual e outras. Romero (1994), reflete sobre a Educação Física sexista e nos lembra que historicamente a Educação Física foi sempre discriminatória, mantendo os papéis sexuais distintos e determinados, caracterizando comportamentos tipicamente masculinos e femininos, a serviço da ideologia sexista. A autora afirma que durante o Estado Novo, a Educação Física servia como um instrumento ideológico à ditadura instalada, e a participação feminina teria sido reduzida aos momentos cívicos. Escreve a professora que os documentos oficiais limitavam a participação da mulher em atividades corporais, posto que a mulher deveria ser afastada de práticas incompatíveis com as condições de sua natureza. Para o Coletivo de Autores (1992), ao fim da Segunda Guerra Mundial – que coincide com o fim da ditadura do Estado Novo no Brasil – surgiram diversas tendências disputando a supremacia no interior da escola, principalmente com predominância da influência do esporte, que se afirmará “paulatinamente em todos os países sob a influência da cultura européia como elemento predominante da cultura corporal” (p. 54). A magnitude dessa influência no sistema escolar acabou por submeter a Educação Física aos códigos e sentidos da instituição esportiva, fundamentados em princípios de rendimento, competição, comparação de performance, regulamentação rígida, entre 5

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