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1 Perspectivas interseccionais de gênero e ... - Fazendo Gênero

1 Perspectivas interseccionais de gênero e ... - Fazendo Gênero

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outros e assim, o esporte determinou o conteúdo da Educação Física. Para Valter Bracht (1999) a perspectiva esportivista foi revitalizada no Brasil pelo projeto de nação da ditadura militar, pois possuía dada importância ligada ao desenvolvimento da aptidão física e ao desenvolvimento do desporto. Assim, o paradigma esportivista influenciado pelo conhecimento provindo das ciências naturais, terá uma função para além do trabalho com a aptidão física a da formação das condutas sociais ou aceitação das regras esportivas, transferindo os referidos saberes para a vida na sociedade. Tal proposta, exercida pela Educação Física, toma uma relação certamente hegemônica perante as demais, desembocando nos dias de hoje, inclusive, enquanto expressão quase que dominante na Educação Física Escolar. Vale lembrar que a perspectiva do esporte e da aptidão física, correlacionadas fortemente com a pedagogia tecnicista, engendrarão um modelo de Educação Física, fundado em uma abordagem excludente, classificatória e segregacionista, isso, partindo do olhar do rendimento físico e esportivo ao olhar das construções de gênero e das sexualidades. Segundo o Coletivo de Autores (1992), nas décadas de 70 e 80, surgem movimentos chamados de renovadores na Educação Física Brasileira, dentre esses podemos encontrar críticas aos modelos anteriormente estabelecidos que para Bracht (op. cit.) terão como eixo central o embate ao paradigma da aptidão física e esportiva. Dentre as correntes surgidas nesse bojo, interessam-nos nesse momento, aquelas que o autor identifica como críticas, que se vinculam a teorias assim chamadas na Educação, no sentido de fazer da reflexão sobre o papel educativo na sociedade capitalista uma categorial central, mais especificamente a ênfase da qual trataremos será aquela denominada Metodologia Crítico-Superadora, desenvolvida por um coletivo composto por autores e autoras, publicado no ano de 1992, tendo como referências principais as proposições marxistas no campo da política e da Educação. Interessa-nos trazer a tona, tal proposta da Educação Física, por esta propor uma forte crítica social. A Metodologia Crítico-Superadora apontará para a formação de sujeitos autônomos, conscientes de sua condição histórica e que se compreendam enquanto interventores na construção de sua própria realidade. Essa perspectiva da Educação Física aborda como objeto de trato da reflexão pedagógica o conhecimento de uma área denominada cultura corporal, “configurada com temas ou formas de atividades, particularmente corporais” (p. 62) e dessa forma a expectativa da Educação Física escolar que tem como objetivo a reflexão sobre a cultura corporal, contribui para a afirmação dos interesses de classe das camadas populares, na medida em que desenvolve uma reflexão pedagógica sobre valores como solidariedade substituindo individualismo, cooperação confrontando a disputa, distribuição em confronto com a apropriação, sobretudo enfatizando a liberdade de expressão dos movimentos – a emancipação – negando a dominação e submissão do homem pelo homem (p. 46). Nesse contexto, apontamos a existência de possibilidades de problematização das questões de gênero e sexualidade, articuladas transversalmente a uma perspectiva classista transformadora, na medida em que os encaminhamentos de tal perspectiva da Educação Física trazem como pontos 6

para a discussão as manifestações da cultura corporal relacionadas aos conflitos sociais, bojo ao qual as referidas questões se encontram situadas. Assim, afirmamos ser da competência da Metodologia Crítico-Superadora construir a crítica da ideologia e seus desdobramentos de gênero e heterossexismo, resistindo a uma Educação Física que historicamente tem reforçado os modelos societários excludentes por meio de suas ações pedagógicas. Desta forma, a Educação Física avançará importantes passos na construção de seres históricos, transformadores e transformadoras da realidade no sentido da construção de uma sociedade socialista, “onde todos os resquícios de opressão sejam atirados na lata de lixo da história” (TOLEDO, 2001). Referências AUTORES, Coletivo de. Metodologia do ensino da educação física. São Paulo: Cortez, 1992. BARBOSA, Regina. Mulheres, reprodução e AIDS: as tramas da ideologia na assistência à saúde de gestante HIV+. Rio de Janeiro: 2001. 310f. Tese (Doutorado em Saúde Pública). Escola Nacional de Saúde Pública. Fundação Oswaldo Cruz. BRACHT, Valter. A constituição das teorias pedagógicas da educação física. Cad. CEDES, ago. 1999, vol.19, no. 48, p.69-88. ISSN 0101-3262. CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1980. ENGELS, Friederich e MARX, Karl. A ideologia alemã. São Paulo: Martin Claret, 1932. ROMERO, Elaine. A Educação Física a serviço da ideologia sexista. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 15 (3) 266-233, 1994. SOARES, Carmen Lucia. Educação Física: raízes européias e Brasil. Campinas: Autores Associados, 2001. SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade. v.20 n.2, p.71-99. Porto Alegre: 1995 (edição revisada). TOLEDO, Cecília. Mulheres: o gênero nos une, a classe nos divide. Revista Marxismo Vivo. Nº 02, Outubro 2001. Disponível em: http://www.marxismalive.org/cilinha2port.html. Acesso em: 09/06/2005. WELZER-LANG, Daniel. A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia. Revista de Estudos Feministas. Vol.9, no.2, p.460-482. Florianópolis, 2001. 7

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