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Mulheres Negras - Participação Política - Identida - Fazendo Gênero

Mulheres Negras - Participação Política - Identida - Fazendo Gênero

Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 PSDC e PRONA), mas ditos pequenos. A mesma situação de 96 se configurou aqui, quanto aos programas exibidos, inclusive o caso da candidata Jurema Batista, que foi reeleita e novamente a única vereadora negra do município. Nestas duas eleições as mulheres aparecem em espaços exíguos e falam pouco, sugerindo que não se encontram entre os prioritários nas estratégias partidárias. Os discursos De todas as candidatas negras a vereadora que apareceram, tanto no ano de 1996, quanto no ano de 2000, nenhuma se apresentou como mulher negra. O porquê desta não-afirmação não se faz muito clara, mas se pode propor alguns questionamentos. Será que realmente esta afirmação se faz necessária? De fato, as mulheres brancas nas propagandas também não se apresentam, os homens negros também não fazem questão de uma afirmação da identidade negra. De fato, a identidade não é reivindicada por nenhum(a) candidato(a). Mas os negros em geral só afirmam sua identidade em determinadas situações, e geralmente a identidade afirmada (quando requerida) é a brasileira. Pode ser ainda, que esta afirmação não seja um elemento importante para as candidaturas. Não obstante, nas propagandas, os papéis sociais são sempre evidenciados, ou seja, os papéis/lugares/profissões que ocupam na sociedade são sempre evocados. Sendo assim, o fato de ser professora, líder comunitária, evangélica, trabalhadora da área de saúde, por exemplo, será destacado e valorizado. Neste jogo político eleitoral, talvez a afirmação do papel social seja mais importante que o da identidade. Como coloca Castells (2001), a importância relativa desses papéis no ato de influenciar o comportamento das pessoas depende de negociações e acordos entre indivíduos e as instituições e organizações. Identidades por sua vez, diz ele, constituem diferentes fontes de significados para os próprios atores. Em 1996, somente uma candidata, Jurema Batista manifesta discurso que faz referência relativa aos negros e negras. Ela apresenta em seu programa figuras de pessoas negras (em sua maioria mulheres) cantando uma música (em ritmo funk) de campanha num morro carioca. E por mais que não se fale especificamente a palavra negro/a, esta é a única imagem de referência. Ela fala das mulheres e da importância das mulheres no poder e afirma que vai lutar para isto, usando um slogan típico de movimentos e associações feministas. Na campanha de 2000, a mesma candidata se refere ao tema. Nestes programas fala também das minorias discriminadas (gays, deficientes, nordestinos), da violência doméstica e novamente da valorização das mulheres. Terminando sempre com o slogan: “Porque respeito é bom e a gente gosta”, e mostrando pessoas negras novamente. Neste mesmo ano, outra candidata, Gina do PTB, fala da luta contra a intolerância e da valorização da mulher. 4

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 Acredita-se que o fato de o discurso racial que afirma uma identidade negra não teria ainda, um apelo eleitoral. O que sugere que esta é uma questão pouco difundida e valorizada pela sociedade como um todo. As propostas e seus conteúdos Quanto às propostas das candidatas, nas duas eleições, eram as mais variadas possíveis, abarcando a maioria dos problemas sociais existentes relacionados à pobreza. Ao lado disso, sempre dando ênfase às suas próprias profissões (e a consequente valorização delas ou da área que fazem parte, por exemplo, professora-educação) e às regiões de origem, as quais iriam ajudar se fossem eleitas. Mas nenhuma apresentou proposta que se dirigisse especificamente a pessoas negras, embora as propostas abarcassem a classe baixa, composta majoritariamente por negros. Pode-se apontar como característica comum nos conteúdos dos programas e das propostas das candidatas, o fato de todas fazerem sugestões relacionadas a resolução dos problemas da área social, como a pobreza, a precariedade da educação e o direito de todos a uma educação de qualidade; acesso à saúde e a melhora nos atendimentos existentes; acesso ao saneamento básico; a urbanização de áreas pobres, assim como também de favelas e morros da cidade; desemprego, etc. Não se pode esquecer o fato de que os programas trataram de eleições municipais e, portanto, muitas propostas são voltadas para os bairros. Das profissões declaradas nota-se uma constância de professoras que sempre frisam a importância da educação para uma mudança e consequente melhora da sociedade. Profissionais da área de saúde também aparecem. Cabe o registro que estas são áreas, tradicionalmente ocupadas por mulheres, conforme confirma a literatura. Nestas eleições para a vereança então, vemos uma ainda tímida presença das mulheres negras nas propagandas. E mais tímida ainda é a manifestação enquanto mulheres negras. Quanto à representação apenas uma foi eleita para a Câmara legislativa municipal do Rio de Janeiro em 1996 e a mesma se reelegeu em 2000, a já citada vereadora Jurema Batista. As propagandas das eleições 2002 As eleições 2002 tiveram muitos pontos positivos para as mulheres, já que houve um aumento significativo de candidaturas e eleições femininas a cargos majoritários (Schumaher e Brazil, 2003). Voltando para as propagandas eleitorais, o ano de 2002 apresenta os candidatos e candidatas a deputados e deputadas estaduais e federais. São 14 as candidatas negras a deputada estadual, 8 são de partidos de esquerda (PT, PDT, PSB e PSTU), 4 de direita (PL, PGT e (o então) PPB) 1 de centro-direita (PSL) e 1 de partido não identificado quanto à vertente (PSDC). Se 5

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