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Mulheres Negras - Participação Política - Identida - Fazendo Gênero

Mulheres Negras - Participação Política - Identida - Fazendo Gênero

Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 percebe mais uma vez que são os partidos ditos de esquerda aqueles onde as mulheres negras estão mais concentradas. Como o ocorrido com as propagandas anteriormente mencionadas, nenhuma das candidatas se identificou como mulher negra e caímos na mesma indagação: será que há a necessidade desta apresentação uma vez que a identidade também já é dada pelo eleitor que esta vendo a candidata? Fica o questionamento. No que se refere às propostas, duas candidatas demonstraram interesse em direcioná-las à população negra. A candidata Jurema Batista (PT), que se sabe é militante do movimento de mulheres negras, e a candidata Leninha, do mesmo partido. A primeira faz promessas de criar leis e projetos que promovam a justiça social para população negra. A outra fala da luta contra a exclusão das pessoas negras. Considerou-se então que também estas duas candidatas fazem referência ao tema. As propostas das demais girarem em torno dos temas educação, trabalho/emprego, jovens, estudantes, idosos, combate às drogas, saúde pública, violência, etc. A única candidata negra a deputada federal, Ana Cristina do PRTB, não se apresenta, não faz propostas e nem referência à população negra, mas seu discurso fala da importância da mulher na política. Esta mesma candidata concoreu ao cargo de vereadora no município do Rio de Janeiro, nas eleições 2000. Percebeu-se que nas propagandas para deputadas estadual e federal, a presença das mulheres negras diminui bastante - a mesma situação se configura com as mulheres de um modo geral - , o que pode mostrar a dificuldade de chegar a tal espaço. Na assembléia legislativa estadual, novamente a única ocupante é Jurema Batista e assim se torna a 1ª parlamentar negra na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. A Câmara Federal de Deputados não tem representantes negras pelo Rio de Janeiro. Assim, a configuração que ocorre em relação as mulheres em geral - quanto mais elevado o cargo, menor a presença das mulheres - ocorre, internamente no universo das candidatas: cargos mais elevados, menos mulheres negras. Conclusão O espaço político institucional é historicamente ocupado por homens, brancos e pouco a pouco vem sendo conquistado pelas mulheres, que lutam contra preconceitos, estereótipos e toda uma questão cultural para chegar a este espaço. Depois de muita persistência, bons e importantes resultados foram alcançados - sobretudo depois das eleições de 2002. Entretanto, ainda há uma baixa presença das mulheres nas instâncias de representação no Brasil. Com as mulheres negras isto não é diferente, a presença delas é ínfima, já nas propagandas políticas eleitorais e principalmente nas Câmaras Legislativas municipal e estadual do Rio de Janeiro. 6

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 As mulheres negras nas propagandas políticas, não se apresentam como portadoras de uma identidade negra ou de uma identidade de mulher negra. Suposições podem ser feitas. Esta não-afirmação pode se dar por elas não sentirem necessidade de se afirmar todo o tempo, por estar sub-entendido que esta identidade já é dada pelos telespectadores que estão assistindo, sendo que se trata de uma campanha político-eleitoral veiculada pela televisão; seja porque esta afirmação possa vir a provocar polêmicas; ou ainda por não ser a propaganda eleitoral um local apropriado para tal. Ou simplesmente porque tais candidatas não têm tal identificação. Creio que tal resposta só possa ser dada com uma pesquisa mais aprofundada. Todavia, por mais que tais candidatas não evidenciem tal identidade, creio que dificilmente elas não tenham consciência do preconceito. Talvez o fato de não haver uma afirmação racial nas campanhas possa significar que este é um discurso ou uma postura que ainda não tenha uma retórica política capaz de se transformar em capital eleitoral. Outro ponto importante a ser tocado é que a campanha das candidatas não tocam na questão do negro, mas não deixam de ser voltados para o lado ''social'', o que se dá com as mulheres em geral, conforme comprovado na literatura. No geral as campanhas das candidatas negras não diferem muito das campanhas dos demais candidatos, mulheres ou homens, negros ou brancos. Lembrando o caráter pragmático em que as eleições estão inseridas, fica a questão: será que estas campanhas tem que ser diferentes e direcionadas? Contudo, é válido assinalar que a pouca presença de mulheres negras nas campanhas e conseqüentemente na Câmara Municipal e na Assembléia Legislativa Estadual do Rio de Janeiro, não significa ausência. Sendo assim, não devem ser considerados apenas os dados quantitativos e sim valorizar os qualitativos. Pode-se afirmar que esta tímida presença indica mudanças que devem se transformar em esperanças de que um dia tanto as mulheres negras, quanto as brancas, tanto os homens brancos quanto os negros, tenham uma representação proporcional, em todos os setores sociais, inclusive no político-institucional, que venha a significar mudanças profundas na estrutura social e econômica que indiquem uma sociedade democrática e igualitária. Referências: ARAÚJO, Clara. “A interseção entre gênero e partidos políticos no acesso das mulheres às instâncias de representação”. Revista de Sociologia e Política, n. 24, junho de em 2005. CASTELLS, Manuel. O poder da Identidade. 3ªed. São Paulo: Paz e Terra, 2001; FRASER, Nancy “Políticas feministas na era do reconhecimento: uma abordagem bidimensional da justiça de gênero”. Gênero, democracia e sociedade brasileira. BRUSCHINI, Cristina e UNBEHAUM, Sandra (orgs.) São Paulo: Editora 34/Fundação Carlos Chagas, 2002. 7

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