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Fazendo Gênero 8 Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder ...

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Giddens (1993) afirma

Giddens (1993) afirma que “hoje em dia, o eu é para todos um projeto reflexivo – uma interrogação mais ou menos contínua do passado, do presente e do futuro” (p. 41). Na contemporaneidade esse processo é aberto, numa reconstrução contínua que pode acarretar a resignificação do passado e novas projeções de futuro, a partir de um presente que oferece muitas possibilidades de escolha: à ampliação do leque de opções se soma a instabilidade trazida pelas mudanças que caracterizam este momento histórico. A construção do si-mesmo revela estabilidade e mudança, continuidade e descontinuidade, progressões, bloqueios e retrocessos. Tem uma dimensão individual, pois é experienciada e definida pela própria pessoa e uma relacional, pois se expressa na interação e se inscreve num momento histórico e em determinada cultura. A perspectiva da construção social do gênero é central para nossas reflexões acerca dessas questões, já que as várias formas de manifestação do Feminino se definem por sua relação com o Masculino, também em suas muitas possibilidades. A partir da década de 80 os estudos de "gênero" permitiram uma releitura crítica das teorias e pesquisas sobre mulheres, desvinculando-se dos estereótipos sexuais e ultrapassando o reducionismo biológico. A feminilidade e a masculinidade passaram a ser compreendidas como culturalmente construídas e situadas no espaço e no tempo: os discursos criam as diferenças entre homens e mulheres. Segundo Kimmel (2000) as questões relativas ao poder estão na base desse processo. O gênero não se refere apenas à identidade pessoal, mas é também um fenômeno institucional presente nas nossas interações diárias. Um olhar a partir do gênero relativiza as atribuições sociais tradicionais, que mutilavam homens e mulheres, aprisionando-os em papéis opostos e complementares. A sociedade se estrutura com base nas diferenças anatômicas; gênero não é a diferença em si, mas a maneira como é representada em termos de masculinidade e feminilidade. Como revela De Barbieri (1991) a sexualidade é carregada de significados, de historicidade. A construção de seu sentido (em termos de valores, símbolos e representação do eu) vai muito além do prazer e da reprodução, sendo que desigualdade entre homens e mulheres, que as inferioriza e submete, articula-se com outras, como raça, etnia, momento do ciclo vital, etc. Assim, o conceito de gênero impõe uma forma plural de pensar. Kimmel (2000) mostra como a separação de esferas - pública para o homem e privada para a mulher - significou mais que separação espacial, pois dividiu o mundo social e o domínio psíquico em metades complementares. Os homens expressavam traços e emoções associados ao trabalho, como competitividade, realização pessoal e racionalidade instrumental, enquanto as mulheres cultivaram as qualidades domésticas como o amor, cuidado e compaixão. Para ele estas diferenças 2

esultam das mudanças sociais e econômicas, e não o contrário: a desigualdade de gênero produziu as diferenças que legitimaram as desigualdades. Ao focalizar as interseções entre as biografias e as relações amorosas, percebemos que estas tiveram um papel fundamental na história de vida das participantes, facilitando ou dificultando seu crescimento. Costa (1999) nos mostra que o amor é um fenômeno histórico, em contínua construção, desde seus primórdios. As diversas transformações por que passou mostram que novas regras podem ser inventadas, dependendo de nossas escolhas. O crescente individualismo e falta de suporte social de nossa cultura levam à busca de relações amorosas que nos proporcionem a continência, o reconhecimento e a validação que outrora eram obtidos nas instituições. Elas podem nos ajudar a perceber quem somos, o que desejamos e para onde nos encaminhamos, num movimento de construção e reconstrução de significados que atravessa o ciclo vital. Tradicionalmente, o amor tem sido vivido de diferentes maneiras por homens e mulheres. Diz-se que amor é “coisa de mulher”. Na realidade, houve uma feminização do amor e os comportamentos amorosos masculinos passaram a ser avaliados a partir de critérios femininos. A forma masculina inclui paixão sexual, aspectos práticos de proteção e cuidado, garantia de sobrevivência material e ajuda mútua. A feminina, mais valorizada, se refere a compartilhar sentimentos, à dependência emocional mútua, ao cuidado expresso pelo diálogo. Há evidências de que nas últimas décadas as diferenças vêm se estreitando: os homens começaram a expressar seus sentimentos. Por outro lado, a feminização do amor como emoção, cuidado e intimidade, obscurece a competência para suas formas mais ativas e instrumentais. À medida que mulheres entram do domínio público, reivindicando igualdade de oportunidade e remuneração, e que homens começaram a aspirar a relações de intimidade, pode-se abrir um caminho para a democratização , emergindo várias possibilidades de “Masculino” e “Feminino”, em relações idealmente flexíveis e plurais. É importante considerarmos que na atualidade a possibilidade do divórcio dá uma nova qualidade àsvinculações. Concordamos com Moraes (1994) quando diz que a falta de perspectivas a longo prazo permite um número maior de relacionamentos, na busca de que sejam gratificantes. As mulheres contemporâneas desmistificam as concepções de que existe um “homem certo” que as acompanhará pela vida toda ou que são “mulheres de um homem só”, valorizadas no passado. Como diz Moraes (1994), o namoro deixou de ser uma tarefa exclusiva da juventude, sendo uma vivência possível em qualquer idade. Um tema presente em todos os relatos biográficos foi a vivência da sexualidade, que revelou a coexistência de padrões arcaicos e modernos, característica de uma sociedade em transformação (Figueira,1987). A desvinculação entre sexo e amor e a validação da sexualidade como busca do 3

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