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Fazendo Gênero 8 Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder ...

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prazer, com intimidade e

prazer, com intimidade e afeto, mas não compromisso, é uma conquista recente para a mulher e muitas vezes carregada de moralismo, resquício dos padrões anteriores ainda vigentes. Uma reflexão sobre essas relações mostra que elas apresentam, por um lado, uma dimensão pessoal: refere-se à dinâmica dos indivíduos e suas relações. Por outro lado, a dimensão social revela a persistência de um padrão tradicional, a dupla moral, que as transformações sociais vêm paulatinamente modificando: o homem que tem relações extraconjugais freqüentemente se refere à esposa e à namorada, relações vividas simultaneamente. Porém, as soluções atuais trazem conflitos e culpa pela vivência de uma situação aceita socialmente só em parte para o homem, mas condenada para a mulher. Revelam-se aí as questões de gênero, pois se considera que o homem desvincula sexo e amor, e sua infidelidade é “só uma puladinha de cerca”, não ameaçando a relação conjugal. A mulher casada não faria essa dissociação, traindo a confiança do marido com maior gravidade. A mulher solteira que não coloca restrições ao estado civil do homem, amplia suas possibilidades de escolha, mas arca com o peso das contradições pessoais e sociais. Constatamos (Hime, 2004) várias formas de expressão da sexualidade feminina, que se torna mais flexível, ativa e completa ao se desvincular, gradativamente, dos valores, normas e práticas do sistema patriarcal. Passa a ser uma questão de exercício da autonomia, resultado da reflexividade. O matrimônio é uma importante aspiração feminina, mas deve acolher as necessidades de autonomia, afirmação de si e também de construir uma relação satisfatória, que integre amor e sexo. Não é mais, como ocorria no passado, um fim em si mesmo, nem etapa final ou meta para a mulher que tinha a definição de si na conjugalidade e na maternidade. A satisfação no casamento é valorizada por ambos os cônjuges, que precisam comprometer-se com suas escolhas, investir energia e ser flexíveis para que a qualidade da relação seja aprimorada. Embora esta seja uma tarefa que cabe aos dois, a responsabilidade pelo cuidado da relação ainda recai sobre a mulher (Norgren,2002). Os casamentos atuais estão sobrecarregados por muitas expectativas, como a realização amorosa e sexual, projetos de futuro e de educação dos filhos compartilhados, etc. O amor é fundamental para ligar as pessoas, mas talvez seja frágil para suportar tantas aspirações, principalmente se houver uma projeção de longa duração. Amar e se apaixonar são duas necessidades humanas que nem sempre se integram no mesmo relacionamento. A paixão é subversiva, no sentido de que tira o indivíduo de suas obrigações cotidianas, arrebatando-o. A sensação de ser um só com o amado, muitas vezes concretizada numa intensa vivência sexual, remete simbolicamente à completude experimentada na relação primordial com a mãe. Entretanto, leva à confrontação com a necessidade de separar-se do outro, reconhecendo-o como diferente. A desidealização pode levar ao término da relação ou à sua transformação em amor. A discriminação do outro possibilita a afirmação de si como alguém que 4

não depende do ser amado para sobreviver, mas que estabelece com ele uma relação que acolhe as necessidades de ser separado e de estar acompanhado e acolhido no processo de desenvolvimento. As desigualdades de gênero começam a ser revistas: homens e mulheres desenvolvem a autonomia e o cuidado das relações, ambos ocupam os domínios público e privado, as mulheres deixam de ser divididas em puras e impuras por assumir uma sexualidade livre e completa. O novo Masculino compartilha desse Feminino, que se atualiza e se apropria de vivências e espaços que lhes eram vetados. Questiona-se a feminização do amor, ocorrida a partir do século XVIII, quando anteriormente esse sentimento era prerrogativa das relações masculinas; a masculinização do sexo, ativo, conquistador, dominador, também é posta em cheque. Homens e mulheres podem ter experiências amorosas e sexuais dentro de um raio amplo de escolhas possíveis. É necessário considerarmos os conflitos resultantes dessas novas possibilidades, já que há mudanças na vivência pessoal e também no âmbito social. O amor é um sentimento e uma narrativa social, tendo sido reinventado inúmeras vezes no decorrer da história: assim como pode perpetuar as desigualdades de gênero, pode também ser transformador. A autobiografia revela como as mulheres são influenciadas pela época histórica em que se situam, mas também como dão forma a ela (Levinson, 1996). Se há poucas décadas se observava uma inércia na subjetividade ao passo que as transformações sociais eram muito aceleradas (Figueira, 1987), hoje as mulheres revelam uma revolução silenciosa, que emerge das narrativas autobiográficas, mostrando que o indivíduo é capaz de mudar sua própria história. Esse movimento poderá se configurar como um caminho para transformações sociais mais amplas. As desigualdades de gênero permeiam nossa vivência pessoal e profissional e, portanto, também as relações que estabelecemos no seu exercício: a perspectiva de gênero as denuncia e pode ser uma importante contribuição às teorias e à prática psicológica. Bibliografia BRUNER, J. (2002). Atos de significação. São Paulo: Artmed. COSTA, J.F. (1999). Sem fraude nem favor – estudos sobre o amor romântico. 3ª ed. Rio de Janeiro: Rocco. DE BARBIERI, T. (1991). Sobre la categoría género: una introducción teórico-metodológica. Seminários Prodir/Fundação Carlos Chagas. São Paulo, pp.25-45. FIGUEIRA, S. A. (1987). O “moderno” e o “arcaico” na nova família brasileira. Em S. A. Figueira (Org.), Uma nova família? (pp. 11-30). Rio de Janeiro: Zahar GERGEN, K.J. (1992). El yo saturado. Barcelona: Ediciones Paidos. GIDDENS, A. (1993). A transformação da intimidade. São Paulo: Unesp. 5

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