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Gênero nas interseções: classe, etnia e gerações ... - Fazendo Gênero

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distribuído

distribuído partidariamente, independentemente de ser ou não usado por diferentes candidatos e candidatas. Com a política de cotas e a expectativa do aumento das candidaturas femininas, uma das questões que passou a ocupar as atenções se encontra relacionada aos espaços efetivos que as mulheres, uma vez candidatas, dispõem dentro dos partidos e de suas estratégias eleitorais. 2 Foram consideradas as apresentações do HGPE para candidatos a deputados federais e estaduais nos anos de 1998 e 2002. Considerou-se tão somente a quantidade de vezes que homens ou mulheres apareciam, independentemente de estarem se repetindo, já que o objetivo não estava direcionado para o uso individual desse espaço, mas para a contraposição entre os sexos. Considerouse, também, a forma como isso ocorre entre os partidos - neste caso, foram considerados os seis partidos que são objeto de pesquisa desde 1998 – PSDB, PMDB. PDT, PFL, PSDB, PT e PPB. A amostra compreendeu 8 programas em cada eleição e para cada cargo, e cobriu o período que durou a propaganda eleitoral. Além da representatividade, pretendeu-se, também, observar distintos momentos eleitorais, a partir da hipótese de que o início e, sobretudo, o final da campanha através do HGPE são estratégicos. Para efeito de análise o HGPE foi também desagregado em três grupos: o de candidatos cujas propagandas duram até 5 segundos; o daqueles cujo tempo varia entre mais de 5 e até 15 segundos; e o dos candidatos que dispõem de mais de 15 segundos. Por ser um espaço estratégico, o tempo que os partidos e os candidatos dispõem para veicular suas propagandas é dividido meticulosamente, de acordo com as prioridades dos partidos e do grau de importância do candidato. O instrumento de aferição foram os vídeos do HGPE gravados. O registro foi feito através de uma planilha constando partido, turno, dia da gravação, sexo, nível da competição e tempo. A aferição do tempo foi feita através de cronômetro. O panorama da ocupação quantitativa do HGPE na televisão de acordo com o sexo. A tabela abaixo mostra os percentuais para os cargos de deputado federal e estadual no período estudado e entre os partidos analisados. Há uma evolução das candidaturas em geral e uma variação dos percentuais entre partidos de Esquerda de Centro e de Direita. E tais variações parecem estar associadas ao peso dos candidatos majoritários dos respectivos partidos. Tabela 1- % de Candidatas a cargos legislativos no Estado do Rio de Janeiro Partidos Deputadas Federais Deputadas Estaduais 1998 2002 1998 2002 PDT 8,3 10,9 18,9 22,4 PMDB 5,7 20,8 4,8 15,8 PT 12,5 3,1 18,0 12,9 PFL 17,5 4,5 18,3 26,7 PPB/PP 12,5 8,8 9,6 14,5 PSDB 12,1 10,5 17,4 26,5 2

T.geral 13,4 13,3 14,6 De acordo com o levantamento realizado, encontramos a seguinte ocupação de espaços: em 1998 foram computadas 12,5% das inserções para as candidatas ao cargo de deputado estadual e 9,1% para o cargo de Deputada Federal. Em 2002 16,0% do espaço destinado às eleições legislativas estaduais foi ocupado por mulheres. Para Deputado federal essa ocupação correspondeu a 12,7 Observamos que para deputado estadual houve um incremento de 4 pontos percentuais no espaço televisivo das candidatas. O mais relevante, contudo, é que há uma inversão dos percentuais, ou seja, em 1998 o espaço televisivo foi menor do que o universo de candidatas e em 2002 o espaço ocupado pelas mulheres ultrapassou o percentual de candidatas e o seu crescimento foi proporcionalmente maior do que o crescimento das candidaturas. Houve de igual modo, um crescimento no tempo usado pelas candidatas a deputada federal no HGPE. Esse incremento ainda não foi suficiente para igualar o uso do espaço ao universo de candidaturas, o que revela o quão mais concorrido e difícil é o acesso ao cargo de deputado federal. Contudo, os dados mostram que há uma crescente ocupação de espaço pelas mulheres e que essa ocupação não parece ser formal, mas sim efetiva. Isto serve para sugerir que as mulheres não se encontram excluídas desse espaço e permite sugerir que, tampouco, suas candidaturas seriam apenas formais para os partidos. O início dos programas na televisão constitui um momento privilegiado. Da parte dos candidatos é o momento da apresentação, de dizer quem são e a que vieram, e da parte do espectador, há uma tendência a ser mais tolerante do que no período subseqüente. Há a curiosidade de saber quem são os candidatos e qual é o cenário geral que está sendo apresentado. Há assim baixo índice de saturação, já que os programas estão em seu início. Portanto, olhar de modo mais detalhado a primeira semana ajuda a saber como os candidatos, e particularmente as candidatas, são posicionados no ponto de largada, por assim dizer. Os dados para deputados federal e estadual não permitem comparação de evolução, mas mostram, também, que, na primeira semana de propaganda, o espaço ocupado pelas mulheres corresponde ao universo de candidaturas existentes. Já a última semana pode ser definida como a mais importante. Para o candidato porque é o momento de deixar a sua mensagem final e marcar o seu nome e número. Para os eleitores, muitos dos quais tiveram acesso a outros instrumentos de campanha de uma parcela pequena de candidatos que contam com mais recursos, individuais e/ou coletivos, é o momento de saber o que pensam os candidatos em geral e procurar determinar o seu voto. Por isto, importa saber como os partidos posicionam as mulheres nesse momento. Na candidatura para Deputado Estadual as mulheres obtiveram 14,2% do tempo na primeira semana e 19,4% na última semana. Para Deputado Federal, as candidatas usaram 14,0% do espaço na primeira semana e 11,0% na última semana. Os dados mostram que a competição para deputado federal continua a mais difícil par as mulheres e ajuda a explicar os percentuais de elegibilidade encontrados. 3

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