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Gênero nas interseções: classe, etnia e gerações ... - Fazendo Gênero

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O espaço que elas

O espaço que elas ocupam para a competição estadual é bem maior do que o percentual de candidatas e cresce na última semana. Embora o uso do HGPE seja democrático, ele não é igualitário no que diz respeito à distribuição de tempo dos candidatos. Tanto a quantidade de minutos a serem utilizados como a alocação dos turnos dependerá da estratégia política do partido e/ou do peso eleitoral do candidato. De modo geral predomina uma inserção diferenciada, mais concentrada em alguns candidatos. Neste caso, o tempo diz algo sobre o lugar que o candidato ocupa na competição do partido, já que, no caso brasileiro, o voto, assim como a eleição, é no candidato. Interessa saber em que medida as mulheres surgem como candidatas prioritárias ou não. Observou-se que a situação das mulheres tende a ser mais confortável nos designados tempos curtos ou médios. Em geral há um decréscimo no chamado “tempo longo”, normalmente reservado para os candidatos prioritários. Tabela 2- % Inserções de candidatas de acordo com o tempo disponível - 1998 e 2002 Cargo Tempo (seg.) 1998- % Candidatas 2002- % Candidatas. Deputado Estadual Deputado Federal ≤ 5 14,8 17,6 entre 6 e 14 16,3 ≥ 15 10,5 13,3 ≤ 5 11,9 11,4 entre 6 e 14 11,3 ≥ 15 8,1 16,4 A análise das tabelas acima aponta para um quadro geral que pode ser lido como ainda bastante desigual em termos de espaços, mas que apresenta uma evolução positiva para as mulheres. Embora seja necessário lembrar que se está analisando o espaço ocupado por candidatas mulheres que podem estar sendo contabilizadas mais de uma vez, o quadro reflete a distribuição efetiva de homens e mulheres que estão concorrendo. Aqui é lícito supor que as mesmas chances que as mulheres têm de serem repetidas os homens também têm. O quadro acima permite inferir que há uma ampliação dos espaços das mulheres no principal veículo de propaganda eleitoral. A distribuição dessa presença, de acordo com o tempo, revela as desvantagens femininas e a vantagem dos homens no bloco dos prioritários. Mas é também fato que esse tempo sofreu variações positivas em alguns quadros da competição. Entretanto, não podemos esquecer que a distribuição de tempo revela o nível de prioridade do candidato e não a quantidade de prioritários. O que nos permite é concluir pelo espaço obtido pelas mulheres como prioritárias. 4

Como esse tempo é distribuído entre os partidos analisados? Em quais partidos as mulheres obtêm mais espaços em relação ao quadro de candidatas? Ao analisarmos os partidos não podemos desconsiderar os percentuais de candidaturas de mulheres por eles apresentados, seguindo o mesmo raciocínio da primeira parte desta análise. Aqui, trata-se, então, de verificar se há correspondência efetiva entre o universo de candidatas (tabela 1) e o espaço ocupado, ou seja, de se perguntar em que medida essas candidaturas são “pra valer”. A primeira parte da tabela 5 abaixo permite observar essa distribuição. Partidos Tabela 3- % Total de inserções de candidatas no HGPE e de eleitas nos partidos Deputado Estadual Deputado federal Espaço HGPE % Eleitas Espaço HGPE % Eleitas 1998 2002 1998 2002 1998 2002 1998 2002 PT 9,8- 19,4 + 28,6 50,0 9,8 3,3+ 9,8 3,3+ PDT 22,7+ 16,7- 12,2 25,0 3,2 9,0- 3,2 9,0- PMDB 0,0- 13,2- 0,0 16,6 0,0 16,5- 0,0 16,5- PSDB 15,6- 40,0+ 26,7 25,0 6,7 12,2- 6,7 12,2- PPB 5,5- 17,5+ 0,0 50,0 9,8 9,7+ 9,8 9,7+ PFL 17,2- 3,8- 27,3 0,0 14,0 7,0+ 14,0 7,0+ Esses partidos foram escolhidos por serem, na época da escolha, as principais agremiações por grupo ideológico em termos de tamanho de bancada no congresso nacional – grosso modo, direita, esquerda e centro. Os dados podem ser reveladores por se tratar de partidos que estão efetivamente disputando as eleições e que elegem bancadas com algum peso parlamentar. A tabela sugere que há certo equilíbrio entre maiores e menores inserções. E a variação existente nos espaços entre os partidos não obedece a um padrão ideológico nítido. Ou seja, considerando outras formas de compromissos e discursos partidários e, ao mesmo tempo, os percentuais de candidaturas de cada sigla, era esperado que os partidos de Esquerda dessem mais espaços às mulheres do que os partidos de Direita ou mesmo de Centro. Mas não é bem desse modo que as coisas ocorrem, revelando que o pragmatismo eleitoral passa antes de tudo pela possibilidade de eleger e não tanto por certos compromissos ideológicos. Nesta possibilidade de eleger, há também relação entre as eleições proporcionais e as majoritárias e o peso dos candidatos dos partidos que estão disputando a eleição majoritária. Os percentuais de candidaturas podem ser lidos também sob este prisma: em 2002 o PSDB e o PMDB disputavam o governo do Estado. A tabela acima é reveladora de quão complexas são as razões que definem as prioridades eleitorais e mostra que o lugar da variável gênero é moldado por tais razões. Não necessariamente os partidos mais identificados com a igualdade de gênero são 5

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