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Gênero nas interseções: classe, etnia e gerações ... - Fazendo Gênero

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aqueles que dão mais

aqueles que dão mais espaços às mulheres, que têm mais candidatas ou ainda que mais elegem. Em outras palavras, não há um recorte ideológico de compromissos que derive maior investimento. De outra parte, este mesmo raciocínio serve também para sugerir que não há um preconceito a priori, e que o investimento na campanha resulta da avaliação de um conjunto de variáveis relacionadas com o potencial eleitoral de quem está concorrendo. Mas o aspecto mais importante a considerar diz respeito ao quadro de eleitos desses partidos. Esse quadro pode nos dizer muito sobre o peso efetivo do espaço eleitoral na mídia, sobre as chances de elegibilidade, confirmando ou não a suposição inicial quanto ao papel estratégico que o HGPE desempenha. Neste item, nosso foco de interesse consistiu em tentar identificar uma relação entre o espaço ocupado no horário eleitoral e elegibilidade. Importa salientar que a relação aqui perseguida não define um vetor causal, até porque a exploração desta única fonte não permitiria identificar essa causalidade. O mais provável é que o espaço obtido já seja resultado de prioridades eleitorais definidas pelos partidos. Os percentuais apresentados indicam a proporção de eleitos, mas não dizem nada sobre o número absoluto. A quantidade de candidatos pode ser muito pequena e, de fato, a tendência observada é que os percentuais mais elevados indiquem número pequeno do total de eleitos. Assim, 50% pode corresponder a apenas uma candidata eleita ao passo que 20% pode corresponder a 2 ou 4 candidatas. Os dados revelam que não há um padrão de investimento nos espaços das mulheres. Estes variam de acordo com a disposição ocupada pelos partidos na disputa majoritária e a competitividade de seus candidatos, competitividade esta avaliada por um conjunto de fatores não possíveis de serem discutidos neste trabalho. Em segundo lugar, embora não seja uma constante, foi possível constatar uma relação entre maiores espaços ocupados por mulheres em cada partido e aumento da proporção de eleitas. Nem sempre esta relação se verifica, até porque outras variáveis interferem nas chances de elegibilidade; como foi dito mais acima, a concentração de tempo não pode ser lida aqui como necessariamente mais espaço a uma candidata específica. À parte essas observações, o fato é que, em todos os anos e esferas os partidos cujos percentuais de mulheres eleitas em relação aos homens são os mais elevados, foram também aqueles que nos quais as candidatas aparecem em 1º. 2º. ou 3º. lugares. O estado do Rio pode ser ilustrativo da dinâmica do HGPE. Há certa correspondência entre o volume de candidatos por sexo e o espaço ocupado por candidatos e candidatas no HGPE. Quanto a isto, não se pode dizer que exista uma discriminação em relação às mulheres. Os dados também sugerem uma crescente ocupação de espaço pelas mulheres e esta ocupação não parece ser formal, mas sim efetiva. Contudo, se não é possível falar em discriminação, é fato que, quando o tempo do HGPE é desagregado, o que significa prioridade eleitoral, observa-se que as candidatas não se encontram entre os prioritários. As maiores concentrações de tempo são ocupadas principalmente pelos homens. Neste caso, não é possível estabelecer as razões ou concluir por algum tipo de discriminação. O mais provável é que a própria definição de prioridade seja feita com base em outras 6

variáveis, nas quais as mulheres tendem a estar em desvantagem, e o Horário Eleitoral se constitua no seu potencializador. Observando-se essa distribuição entre partidos ideologicamente definidos e de grandes /médios partidos, salta à vista a ausência de um padrão de distribuição de espaços que guarde coerência com os compromissos programáticos e/ou discursivos. Além de variações no uso dos espaços de ano para ano, há grandes variações entre partidos, inclusive em relação ao percentual de candidaturas, sem que isto siga uma linha de bloco ideológico. Os dados analisados na última tabela são reveladores do papel exercido pelo HGPE. Considerando-se os partidos em foco, pôde-se constatar que, em geral, há uma correspondência entre o espaço ocupado por candidatas em cada partido e a proporção de eleitas nessas mesmas agremiações. Embora não seja possível estabelecer um vetor de causalidade, é possível concluir pelo papel estratégico que o HGPE ocupa como espaço de visibilidade de candidaturas e de difusão de propostas para um universo mais amplo do eleitorado. Referências bibliográficas BACHHI, C. Women, Policy and Politics, Londres: Sage Publications, 1999. HELDMAN, C. et all “Gender Difference in Media Print Coveragge of Presidential Candidates”, Annual Meeting of the American Political Association, Washington, 2003. MELO, J. A perspective de Gênero e Raça na Mídia. Instituto Patrícia Gaçlvão, acessado em março de 2006. NORRIS, P. Women, Media and Politics, Oxford: Oxford University Press, 1997. RENNÓ, L. “O Dilema do Rico”, in, L. RENNÓ e G. SOARES (orgs), Reforma Política-Lições da História Recente. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2002. WOODWARD, A. Going for Gender Balance. Brussels: Council of European, 2002. 7

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