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O Ofício de Mestre Queijeiro Ana Elizabeth ... - Fazendo Gênero

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A divisão sexual do

A divisão sexual do trabalho (divisão social do trabalho) legitima pela ideologia naturalista princípios de separação e hierarquia, identificando trabalhos de homens e trabalhos de mulheres. Reduz o gênero ao sexo biológico e as práticas socias “a ´papéis sociais` sexuados que remetem ao destino natural da espécie. (HIRATA e KERGOAT, 2007, p. 599). Nas Fabriquetas e pequenas Indústrias de laticínios que fizeram parte da nossa pesquisa a tradição do ofício de mestre queijeiro é reservada ao gênero masculino. O predominio do componente físico na execução do trabalho árduo produtivo, parece a primeira vista ser a principal razão do espaço ser reservado aos homens. Nas economias industrializadas, as ocupações diretamente ligadas a trabalhos braçais, têm mostrado tradicionalmente uma maior representatividade de ocupações exercidas por homens, nas áreas de linha de produção. Essa é a prática e os valores formulados socialmente. Entretanto, podemos refletir que essa divisão remonta um significado histórico-cultural, decorrente da relação social entre os sexos, como aponta Hirata e Kergoat (2007, p.599), que tem como característica a “designação prioritária dos homens à esfera produtiva e das mulheres à esfera reprodutiva e , simultaneamente, a apropriação pelos homens das funções com maior valor social adicionado”. É importante destacar que os laticínios pouco empregam mulheres no processo de produção. É tradição do setor leiteiro, segundo um gerente de produção de um grande laticínio, não admitir mulheres. Quando há mulheres, de modo geral, elas estão nas atividades de escritório ou nas atividades mais repetitivas e subalternas, a exemplo do setor de embalagem e de limpeza. Outra análise que podemos destacar em relação ao ofício de mestre queijeiro é no tocante ao momento atual de crise do emprego e de precarização do trabalho. A lógica da flexibilização e desregulamentação do mercado que tem como objetivo reduzir os custos do trabalho pelo enxugamento dos quadros de pessoal, utilizando-se a mão-de-obra de operários com vínculos empregatícios precários, trabalho autônomo, por tarefa, estágios e trabalho domiciliar, inserindo transformações gerenciais e Programas de Qualidade Total presente no mundo do trabalho, afeta o trabalho no ramo de laticínios pelo lado da demanda por maior competitividade, produtividade, padronização dos produtos e exigências de qualidade. Para concluir, um dos aspectos que podemos citar em relação a nova configuração da divisão sexual do trabalho, tendo em vista a precarização e a flexibilização do tabalho, de acordo com Kergoat (apud HIRATA e KERGOAT, 2007, p.600), são os “nomadismos sexuados: nomadismo no tempo, para as mulheres (é a exploração do trabalho em tempo parcial, geralmente associado a períodos de trabalho dispersos no dia e na semana), nomadismo no espaço para homens (provisório, banalização e aumento dos deslocamentos profissionais na Europa e em todo o mundo para executivos). 4

A indústria de laticínios, segundo informações fornecidas pelos gerentes, não utiliza trabalhadores provisórios no processo de produção. A manipulação do leite requer cuidado e atenção de pessoas treinadas, embora a formação escolar dos trabalhadores que atuam no processo produtivo seja precária. A produção do leite depende de condições climáticas, produtividade do gado, e o seu processamento desde o curral depende do controle de qualidade uma vez que exige armazenamento e manipulação adequados. No que diz respeito à intensificação do trabalho (flexibilização), o ofício do mestre queijeiro responde a uma cadência e ritmo imposto pelas normas disciplinares do trato com o leite e acumulação de uma série de atividades. O trabalhador da indústria sofre pressão quanto ao ritmo e à qualidade do trabalho. Referências BLASS, Leila Mª da Silva (org). Ato de trabalhar. Imagens e representações. S.P.: Annablume,2006. CARLOTO, Cassia Mª. O conceito de gênero e sua importância para a análise das relações sociais. Serviço Social em Revista, v.3, nº 2, Jan/Jun, 2001. Disponível em: http://www.ssrevista.uel.br/cv3n2.htm. DIAS, João C. 500 Anos de Leite no Brasil. São Paulo: Calandra, 2006. FARTES, Vera Lúcia Bueno. Trabalhando e Aprendendo: adquirindo qualificação em uma indústria de refino de petróleo. Educação e Sociedade, n. 78, p. 225-254, abr., 2002. FERRETTI, Celso João. Opção Trabalho: trajetórias ocupacionais de trabalhadores das classes subalternas. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1988. MARX, K. O Capital: Crítica da economia política. 2 ed. São Paulo: Nova Cultura, 1985. MARX e ENGELS. A Ideologia Alemã (I – FEUERBACH). 3.ed. Tradução de J.C.Bruni e M.A. Nogueira. São Paulo: Ciências Humanas, 1982. HIRATA, Helena e KERGOAT, Danièle. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cadernos de Pesquisa. V.37, n.132, p.595-609, set/dez.2007. 1 Visitamos quatro Fabriquetas e onze Indústrias de laticínios da região sudoeste da Bahia. 5

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