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Violência; Gênero; Ciências - Fazendo Gênero

Violência; Gênero; Ciências - Fazendo Gênero

para o exercício do

para o exercício do poder são masculinas, das quais as mulheres são tidas como naturalmente desprovidas. Este estereótipo resulta em uma figura feminina inadequada em postos de autoridade. Esta construção permite que a autoridade exercida por mulheres seja criticada por sua forma não- feminina (interpretada como autoritária...) ou por ser feminina demais (interpretada como passiva, diplomática, complicada...). No terceiro caso, também fica claro que o comentário do professor a seus alunos, além de responder ao papel que a heteronormatividade prognostica de apropriação das mulheres enquanto corpos foi a forma encontrada de rebaixar a professora, de retirá-la de seu status de igualdade profissional, de usurpar sua autoridade, de minimizar a possível ameaça que ela representava. O sexismo instrumental é utilizado em disputas de poder, como um trunfo, uma estratégia de assegurar prestígio. Uma estratégia “ao alcance da mão” quando por recursos legítimos, tais como uma argumentação científica ou a capacidade técnica, não foram suficientes para garantir posições. O sexismo automático e o sexismo instrumental estão imbricados, uma vez que este último busca nas raízes das tradições suas armas. O sexismo automático é dirigido contra a categoria de mulheres, enquanto o sexismo instrumental se utiliza da hierarquia moral que pesa sobre a categoria das mulheres para personificar a violência no sentido de inverter uma determinada relação de poder. Os relatos apresentados significam, em parte, o pequeno número de mulheres 11 nas posições de poder e prestígio. São tantas as formas de violência de gênero que, apesar da simplificação em duas categorias, não é só difícil crescer na carreira científica como atuar neste meio em que o feminino é estruturalmente subjugado. Para além de uma perspectiva justa, a participação eqüitativa das mulheres no sistema científico, em todos os níveis, traz a expectativa de incluir e visibilizar outros valores nas ciências, pluralizando seus discursos e tornando possível o diálogo com outros saberes. Tal ciência talvez faça jus ao mundo plural, multifacetado e complexo em que vivemos. 6

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