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Gênero, memória e narrativas ST. 41 Pedro ... - Fazendo Gênero

Gênero, memória e narrativas ST. 41 Pedro ... - Fazendo Gênero

necessariamente passava

necessariamente passava por sacrifícios familiares, mas que poderia trazer ganhos compensadores. A maior oferta de ensino secundário propiciará que outros jovens vejam na escola um percurso possível e necessário ao aprimoramento e formação pessoal. Dessa forma, os relatos de memórias e as biografias dão conta de homens que viveram sua juventude na Teresina do início do século XX e que tiveram suas trajetórias de vida marcadas pela escolarização. As histórias pessoais são múltiplas e mostram bem a diversidade de situações características do processo histórico em análise. A trajetória de Leônidas Melo 3 é significativa para corroborar o nosso raciocínio. Aos 12 anos de idade encontrava-se Leônidas totalmente engajado no seu aprendizado do ofício de comerciante. Trabalhava com o pai em sua loja na cidade de Barras, no entanto, a chegada de Arimatéa Tito, bacharel em Direito, recém-formado no Recife, despertou no menino o desejo de dar continuidade aos estudos, a formatura de uma pessoa próxima mostrou-lhe que existiam outros percursos na vida, diferentes do comércio. Ao assistir aos preparativos da festa de chegada do novo bacharel na cidade de Barras, Leônidas despertou para essa possibilidade de continuar os estudos. 4 A chegada de Arimatea Tito trouxe a Leônidas a solução, pois o novo bacharel fora nomeado promotor público da cidade de Barras, ali montou residência e abriu uma escola onde os meninos que já tivessem as primeiras letras poderiam dar continuidade aos estudos. Conseguindo Leônidas convencer o pai de que realmente desejava estudar, e diante da oportunidade ímpar dada por Arimatea Tito à cidade, Leônidas Melo foi matriculado na nova escola, onde aprenderia geografia, gramática portuguesa, e aritmética elementar. O rapaz teria que conciliar os trabalhos do comércio com a escola, dessa forma só lhe sobraria tempo para estudar as lições durante a noite. O bom desempenho na escola, o discurso do professor ao final do ano letivo aconselhando os pais dos alunos premiados, entre eles Leônidas Melo, a incentivarem os filhos para os estudos, além de insistentes pedidos do menino para o pai enviá-lo a Teresina para prosseguir nos estudos acabaram por dar resultado. Aos 13 anos de idade, Leônidas Melo era matriculado como aluno interno na Escola 21 de Abril em Teresina, ao final do ano letivo, com receio de que o pai cumprisse a promessa de não sustentá-lo em Teresina por mais tempo, pediu ao diretor e a alguns professores da Escola que escrevessem cartas ao coronel Regino recomendando que mantivesse o filho na escola. A tática de Leônidas deu resultados e ele fica em Teresina para concluir os estudos secundários seguindo depois para a Bahia e para o Rio de Janeiro, onde conclui o curso de Medicina. A trajetória de Leônidas Melo nos mostra o efeito multiplicador que uma formatura superior poderia ter. Em primeiro lugar, a alegria do retorno do filho bacharel, o prestígio, o respeito, e a aura de notoriedade que cercava os indivíduos formados despertavam em outras pessoas, como foi o caso de Leônidas, o desejo de também alcançar esse lugar de sujeito. Um segundo aspecto

interessante é o efeito multiplicador que essas formaturas tinham em outro aspecto: Arimateia Tito volta formado e usa seus conhecimentos e capacidade para ensinar outros meninos, suprindo demandas por escolarização reprimidas pela falta de oportunidades. As práticas familiares nos grupos médios e nas elites parecem apontar para a continuidade dos estudos dos indivíduos, que se mostrassem mais talentosos, que demonstrassem maior interesse pelo processo de escolarização. A falta de recursos para proporcionar a todos os filhos as mesmas condições, e o descaso mesmo de alguns em dar continuidade aos estudos explicariam as táticas familiares. A biografia de Bugyja Brito 5 é bem mais acidentada e marcada por dificuldades, entretanto, percebe-se claramente que a escola é uma fase específica, que ocupa centralidade na vida de Bugyja Brito, determinando mesmo sua trajetória de vida. Em suas narrativas autobiográficas, a fase de escola é lembrada amiúde, as professoras, as matérias, os locais, as provas. Tudo parece ganhar centralidade e relevância, em uma demonstração de que a escola tem papel fundamental na definição do homem em que ele se torna quando adulto. O sucesso profissional, o papel de literato, a vida familiar parecem ser em grande parte tributárias da trajetória seguida. Bugyja Brito aos 13 anos, ingressa no mundo do trabalho como suplente de carteiro dos Telégrafos, em Teresina; posteriormente passa a trabalhar como balconista de um bar e ainda ministra aulas de primeiras letras em domicílio. Pode-se dizer que toda a sua vida de secundarista é marcada pela busca de conciliar trabalho e estudo. O próprio Bugyja Brito esclarece que a sua prematura inserção no mundo do trabalho tinha, para ele, dois objetivos principais: auxiliar a família, que passava por sérias dificuldades financeiras e custear seus estudos. 6 Convém enfatizar que, se as trajetórias escolares de Leônidas Melo e Bugyja Brito são marcadas por diferenças, são também trajetórias que se completam com a formação superior. No entanto, essa não era a regra para todos que ingressavam nas aulas secundárias em Teresina. Muitos jovens completavam a escola secundária e não tinham condições de dar continuidade aos estudos superiores, que até 1931, tinham que ser realizados fora do Piauí. O caso de Jônatas Batista, que nos anos 1920 e 1930, será conhecido como escritor e teatrólogo, é ilustrativo desses projetos de jovens candidatos ao bacharelado que não se concretizaram. No caso de Batista, o fato de ser o filho mais velho e de ter se tornado, muito cedo, responsável pelo sustento familiar é apontado como justificativa para o seu ingresso, de forma definitiva, no mercado de trabalho, na carreira de funcionário público. Sob este aspecto, os anos de estudo contabilizados, já muito acima da média, davam-lhe certa projeção no escasso mercado de trabalho local. 7 Muitos jovens passavam por processo de escolarização, por caminhos outros que não os da escola secundária e superior; podemos citar o caso de Antonio Vieira dos Sales que conheceu a

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