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Gênero, violência e segurança pública ST. 39 ... - Fazendo Gênero

Gênero, violência e segurança pública ST. 39 ... - Fazendo Gênero

associados à

associados à violência. Em 9% dos casos, as mulheres relatam que a violência é desencadeada sempre que elas querem fazer coisas ou ir a lugares que o cônjuge não permite. Em 15% dos telefonemas as mulheres relatam já ter procurado outras instâncias públicas a fim de dirimir suas questões conjugais. Dez por cento das usuárias já haviam procurado a Delegacia. Algumas já tinham feito vários boletins de ocorrência e retirado em seguida a queixa. Outras já haviam, inclusive, passado pelo JECRIM v e também pactuado algum acordo mediante o juiz do qual se arrependiam agora, já que os problemas com o cônjuge haviam voltado. Em 16,3 % dos telefonemas há uma referência ao tempo que sofrem agressão.O número mais expressivo de relatos diz sofrer violência há muito tempo, variando entre 10 a 20 anos. A leitura preliminar dos registros permite perceber que existem cenas/representações das situações de violência vividas de forma muito similar pela grande maioria das mulheres que ligam para o Disque-Mulher. Isto é, mesmo com registros de formato heterogêneo, há certas regularidades de sentidos atribuídos às vivências de violência que merecem atenção. A multiplicidade de experiências relatadas, onde não somente a violência é exposta, mas também as contradições, os medos, as raivas, as explosões, a indignação frente à inoperância dos órgãos competentes, a revolta pela falta de uma rede de apoio que desse conta dos primeiros tempos após uma separação são fatores que dificultam a síntese dessas regularidades. Esses componentes foram privilegiados a medida que permitiam uma aproximação com as cenas/representações vividas similarmente pelas mulheres nas seguintes regularidades: 1. As mulheres resistem em denunciar o agressor. 2. Por medo, ou por ainda “acreditarem nele”, elas cedem e recuam frente a seus desejos e decisões. 3. Existe uma preocupação patrimonial e acerca da pensão e guarda de filhos. 4. As mulheres exprimem o desejo de que uma autoridade interceda modificando o agressor. 5. Há casos em que a mulher não quer se separar, pois crê que ainda gosta do cônjuge. Conclusão Esta análise é parte de um trabalho mais extenso que está sendo desenvolvido na dissertação de mestrado que a autora vem escrevendo. Este artigo pretendeu realizar uma reflexão sobre dados estatísticos do Disque-Mulher e afirmar a importância do Programa Cidadania, direitos e violência contra a mulher como uma tecnologia de fácil replicabilidade no campo das políticas públicas que visam enfrentar o problema social da violência contra a mulher.

Referências BRANDÃO, Elaine Reis. Violência conjugal e o recurso feminino à polícia. In: BRUSCHINI, C. e BUARQUE de HOLANDA, H. (orgs). Horizontes plurais. Estudos de gênero no Brasil. São Paulo: Ed.34; Rio de Janeiro: Fundação Carlos Chagas, 1998. MOREIRA, Maria Ignez Costa Moreira; RIBEIRO, Sônia Fonseca; COSTA, Karine Ferreira. Violência contra a mulher na esfera conjugal: jogo de espelhos. In: COSTA, Albertina de Oliveira e BRUSCHINI, Cristina (orgs.). Entre a virtude e o pecado. Rio de Janeiro: Editora Rosa dos Tempos; São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 1992. SOARES, Luis Eduardo.; SOARES, Bárbara Musumeci e CARNEIRO, L.P. Violência contra a mulher: as Deam’s e os pactos domésticos. In: SOARES, Luis Eduardo (org.). Violência e política no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: ISER: Relume-Dumará, 1996. SOARES, Bárbara Soares. Delegacia de atendimento à mulher: questão de gênero, número e grau. In: SOARES, Luis Eduardo (org.). Violência e política no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: ISER: Relume-Dumará, 1996. i Soares, B., 1996; Soares, L.E. et al., 1996; Brandão, E., 1996. ii Expressão inspirada no texto de Moreira, M.I.C. et al, 1992; quando as autoras referem-se à vocação dos SOS Mulher na grande Belo Horizonte da década de 80. iii Soares,B., 1996. Maneira com que a autora se expressa quanto à convicção de não devermos cristalizar a violência conjugal na cena formada pela díade “mulher vítima de homem algoz”. iv Moreira,M.I.C. et al, 1992; Brandão,E., 1996. iv Juizado especial de crimes de menor potencial ofensivo. Instância jurídica para onde são encaminhados os casos de violência conjugal e de onde provêm muitas queixas das usuárias e críticas do movimento feminista.

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