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Um estudo sobre as relações de gênero Arlete de - Fazendo ...

Um estudo sobre as relações de gênero Arlete de - Fazendo ...

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fala sobre a institucionalização dos “quotidianos” das crianças como elemento mais marcante, e diz que no final do século XX, “praticamente todas as crianças têm o essencial dos seus dias ligado a instituições que delas se ocupam” (SARMENTO, 2000, p.24). Essas instituições de atendimento infantil têm sido alvo de alguns trabalhos 5 que procuram nos mostrar as crianças reais, como elas lidam com a cotidianidade na produção das culturas de pares 6 , na garantia dos direitos – entre eles o direito à brincadeira –, na construção da autonomia e nas possibilidades que as instituições oferecem para que meninos e meninas possam viver plenamente suas infâncias como cidadãos de pouca idade que são. Ampliar o nosso conhecimento sobre o que as crianças fazem nesses espaços coletivos de educação e cuidado, aprofundar as investigações sobre o cotidiano delas, mergulhar nesses estudos significa articular minuciosas descrições do cotidiano com perspectivas teóricas que possibilitem encontrar fios condutores que construam nexos entre os diferentes acontecimentos observados e nos permitam destacar os fenômenos reveladores da totalidade (cuja descrição é impossível de esgotar) a partir do exame de alguns fatos. É nesse sentido que este trabalho vem somar-se a outros, já citados anteriormente, que buscam conhecer as crianças nos diferentes aspectos, estudando as diferentes questões que estão relacionadas no trato coletivo. A questão de gênero é uma delas. O que uma criança de 4 anos está nos dizendo quando fala que “O Roberto tem relógio de menina, porque é cor-de-rosa. O Roberto é menina?” Que aspectos da cultura adulta foram determinantes para chegar a essa formulação? O gênero é um aspecto fundamental para conhecer melhor as meninas e os meninos que frequentam as instituições, pois trata-se de construções sociais que foram histórica e culturalmente construídas e que em muitos momentos influenciam ou mesmo determinam comportamentos estereotipados. No entanto, ainda representa uma lacuna nos estudos com crianças, principalmente de 0 a 6 anos de idade. Ana Lúcia Faria pontua essa escassez de pesquisas que tratam das relações de gênero e vai mais adiante, dizendo que além de não abordarem as diferentes idades e fases da vida, como as crianças pequenas, as investigações que privilegiam a infância raras vezes fazem análises de gênero (FARIA, 2002, p. 5). Por essas razões destaca-se a relevância desta pesquisa, que pretende saber como as crianças lidam com as questões de gênero, como “produzem/reproduzem, em 2

suas relações, modos de ser homem e mulher, ou menino e menina, que trazem consequências para sua convivência com o grupo, assim como para suas vidas” (DÉBORAH SAYÃO, 2003, p.78). Esse aspecto, ainda pouco discutido na educação infantil, precisa ser mais bem compreendido, principalmente se temos o desejo de contribuir para a construção de uma sociedade mais igualitária. Quando nos referimos ao conceito de gênero, estamos discutindo também as expectativas que uma determinada sociedade tem em relação às mulheres e aos homens, às meninas e aos meninos. E essas expectativas variam de lugar para lugar, de época para época, de cultura para cultura. Por essa razão, este trabalho tem como intuito observar meninas e meninos e perceber como expressam as questões de gênero no cotidiano de uma instituição de educação infantil, pois acreditamos que isso vai nos dar elementos fundamentais para a construção da Pedagogia da Educação Infantil defendida por Eloisa Candal Rocha (1999). Em suas teorizações, a autora argumenta que a Pedagogia da Educação Infantil caracteriza-se por sua especificidade no âmbito da Pedagogia em sentido mais amplo, uma vez que não tem sido contemplada suficientemente a educação das crianças pequenas em instituições não-escolares, tais como creches pré-escolas. Ela procura estabelecer um marco diferenciador entre as instituições educativas – escola, creche e pré-escola – a partir da função social que lhes é atribuída no contexto social. Segundo ela, [...] enquanto a escola se coloca como o espaço privilegiado para o domínio dos conhecimentos básicos, as instituições de educação infantis se põem, sobretudo com fins de complementariedade à educação da família. Portanto, enquanto a escola tem como sujeito o aluno e como objeto fundamental o ensino nas diferentes áreas, através da aula; a creche e a pré-escola têm como objeto as relações educativas travadas num espaço de convívio coletivo que tem como sujeito a criança de 0 a 6 anos de idade (ou até o momento que entra na escola) (ROCHA,1999, p.60). A investigação sobre o modo como meninas e meninos expressam as relações de gênero no cotidiano institucional poderá contribuir principalmente para a construção de uma nova sociedade onde meninos e meninas possam expressar-se livremente e ser respeitadas e respeitados em seus desejos mais íntimos, livres de preconceitos, com seus direitos garantidos. Entende-se a instituição de educação infantil como um espaço generificado, um espaço onde meninos e meninas se relacionam mutuamente; mas também um 3

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