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A busca da diversidade no setor financeiro ... - Fazendo Gênero

A busca da diversidade no setor financeiro ... - Fazendo Gênero

2 desempregos,

2 desempregos, conseqüentemente aumento das doenças ocupacionais, crescimento das desigualdades sociais, da concentração da renda e da violência urbana. Observa-se também neste cenário um aumento da inserção da mulher no mercado de trabalho. As exigência de trabalhadores polivalentes, com domínio de diversas habilidades, trabalho em tempo parcial, flexibilização da jornada, foram alguns elementos que beneficiaram a inserção das mulheres. As mulheres ocuparam os postos mais precarizados, em funções mais repetitivas e de menor remuneração. Em relação aos negros é preciso retomar a história da participação e inserção no mercado de trabalho dos negros e negros no Brasil. Com o fim da escravidão a mão de obra livre foi importada da Europa. Estudos de Florestan Fernandes entre outros revelam total ausência de políticas para incorporação dos ex-escravos ao mercado de trabalho assalariado. Os negros tiveram e ainda encontram dificuldade de acesso aos serviços de educação e saúde. Em relação ao acesso a terra diferentemente do que ocorreu com outros imigrantes que tiveram subsídios para compra de terras, os negros e negras se refugiaram em quilombos ou regiões devolutas sem nenhuma política de garantias de direito a posse e a crédito para produção. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio - PNAD publicada pelo IBGE no ano de 2003, a população brasileira era composta por 52,06% de brancos e 47,31% de pretos e pardos. Estudos revelam que o percentual dos negros entre os desempregados é sempre superior à de negros ocupados e no conjunto da População Economicamente Ativa - PEA. Nas seis regiões metropolitanas em que a PED-DIEESE é realizada a média da PEA é de 46,6%, sendo que os ocupados negros representam 44,7% e os desempregados negros 55,3%. Na Região Metropolitana de São Paulo -RMSP por exemplo a taxa de desemprego para os negros é de 20% e para não negros 14,6%. Outro elemento agravante é a baixa qualidade dos postos de trabalhos ocupados pelos negros, mais presentes em situação de trabalho vulnerável. Na RMSP em que a situação deste tipo de trabalho representa 33,3% os negros participam com 39,7% e não-negros 29,9%. Além de enfrentarem maior dificuldade na inserção no mercado de trabalho a remuneração dos negros é inferior a dos não-negros, e ainda agravada por uma jornada de trabalho maior. O Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho no Brasil realizado pelo DIEESE em 1999 revelou que os negros entram mais cedo no mercado de trabalho e saem mais tarde. Apesar das diferenças terem diminuído nos últimos anos o salário dos negros ainda é menor do que o não negro, dados da RMSP revelam que salário do homem negro representa 54,5% dos não negros e da mulher negra 43,3% dos não-negros (DIEESE, 2007). A aumento de pesquisas e estudo nesta área somados ao número de ONG´s de acompanhamento de políticas públicas e de pesquisa da afrodescendência colaboraram para uma

eação da sociedade cobrando a responsabilidade social não só do governo, mas também dos sindicatos e principalmente das empresas. As negociações coletivas quando adotam cláusulas afirmativas de gênero e raça são uma forma impar de superar discriminações e distorções salariais, amenizando as desigualdades. Igualdade de oportunidades x negociações coletivas A temática da igualdade de oportunidades nas negociações coletivas é bastante recente. O banco de dados do DIEESE quando se refere a este balanço revela o pouco acumulo dos sindicatos nesta área. Os temas relativos às mulheres trabalhadoras, por exemplo, limitam-se a garantias de direitos relacionados à maternidade, direitos reprodutivos. Em relação à raça, orientação sexual, pessoas com deficiência não há dados suficientes e as experiências de negociação são raras. A experiência da categoria bancária nesta temática é bastante significativa, a criação da CGROS representou um grande avanço em termos da responsabilidade sindical na temática de gênero e raça, no sentido de combate a todas as formas de exclusão, entre elas a discriminação e o preconceito. A Comissão desde sua criação realizou diversos seminários de capacitação de dirigentes na temática de gênero, raça e orientação sexual. Uma das primeiras campanhas nacionais desenvolvidas pela CGROS foi a de “Igualdade de oportunidades” no ano de 2000, campanha que exigiu que os sindicalistas bancários dominassem o tema da igualdade e equidade. A resistência dos banqueiros em discutir a temática em mesa de negociação principalmente alegando não possuir dados mensuráveis levou a Confederação dos Bancários a realizar junto com o DIEESE a pesquisa: “O rosto dos bancários - Mapa de Gênero e Raça do Setor Bancário Brasileiro”, item incluído em acordo coletivo de 2000, cláusula 51ª: Igualdade de oportunidades – “O sindicato apresentará resultado de pesquisa sobre o tema, abrindo discussões entre as partes”. A pesquisa publicada em 2001 apresentou uma radiografia da força de trabalho no sistema financeiro brasileiro, revelando a discriminação de raça e gênero no interior de um setor considerado um dos mais modernos e dinâmicos da economia brasileira. Embora as mulheres tenham uma participação de quase metade da categoria e apresentam maior escolaridade que os homens, são preteridas dos cargos de decisão, direção e de comando, conseqüentemente os de maior remuneração. Em relação aos negros o quadro ainda é pior, em todas as regiões estudadas a presença da raça negra nos bancos é significativamente inferior aos negros empregados no mercado de trabalho. Em São Paulo registra-se 30,0% da raça negra na condição de empregado, sendo que a participação dos negros no setor bancário, na mesma condição, restringe-se a 12,7%, as outras regiões apresentam similaridades. Outro aspecto relevante são as condições da ocupação negra no setor financeiro, estão mais presentes nas funções mais desqualificadas e de menor remuneração. A 3

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