Views
5 years ago

A busca da diversidade no setor financeiro ... - Fazendo Gênero

A busca da diversidade no setor financeiro ... - Fazendo Gênero

4 participação

4 participação relativa dos negros no setor bancário é mais presente no Distrito Federal, representam 49,3% dos seus empregados. Este percentual é justificado devido à forte presença dos bancos públicos, que possuem processos de contratação com menos possibilidade da ocorrência de discriminação racial. Os resultados da pesquisa “O Rosto dos Bancários” revelam ainda que as mulheres apesar de maior grau de instrução em relação aos homens têm rendimentos muito inferiores. O tempo de permanência também revelou disparidades, o trabalhador da raça negra e as mulheres ficam menos tempo no emprego, sendo a situação mais grave a da bancária negra. Os negros também apresentaram maior participação em contratos de trabalho flexibilizados e terceirizados. Com o resultado da pesquisa revelando às discriminações sexistas e raciais no setor a Executiva Nacional dos Bancários e a CGROS conseguiram a inclusão da Cláusula 52ª Igualdade de Oportunidades na Convenção Coletiva de Trabalho de 2001, trata-se da “constituição da Comissão Bipartite que desenvolverá campanhas de conscientização e orientação a empregados, gestores, e empregadores no sentido de prevenir eventuais distorções que levem a atos e posturas discriminatórias nos ambientes de trabalho e na sociedade de forma geral”. A mesa bipartite foi renovada nos anos anteriores. A CGROS desenvolveu várias outras campanhas importantes como as de Combate ao Assédio Sexual no Trabalho em 2001, Relações Compartilhadas em 2002. Mas a intenção de aprimorar as cláusulas em relação à igualdade de oportunidades não avançou. Neste período houve momentos de estagnação da Comissão Bipartite, principalmente com a negativa dos banqueiros em discutir metas para resolver o problema das desigualdades de gênero e raça no setor. A iniciativa do Governo Federal em parceria com o Ministério Público e representação de classe foi fundamental para cobrar a responsabilidade das empresas e dos bancos. Neste sentido vários Programas pró Equidade foram pactuados entre governo e empresas, e como não podia deixar de ser começando com as estatais. A Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil já adotam com resultados bastante positivos principalmente em relação à equidade de gênero. Os programas de equidade nestes bancos contam com a participação dos empregados eleitos pelos funcionários nas comissões pró eqüidade. Importante destacar que por iniciativa do Ministério Público do Trabalho - MPT a Febraban chegou a assinar um pacto através do Programa de Promoção da Igualdade de Oportunidades para Todos, que tem como principal objetivo combater a desigualdade racial e de gênero, buscando a isonomia dos trabalhadores vulneráveis a esse tipo de discriminação no âmbito do emprego. A primeira parte do programa que era mapear nos cinco principais bancos privados o corte de raça e gênero foi cumprida, mas, quando chegou à segunda fase de firmar termos de ajustamento de conduta – TAC, com metas negociadas a serem cumpridas os Bancos recuaram 2 . Por conta disto o MPT chegou a entrar com ações contra os Bancos por não cumprirem

as convenções internacionais (OIT 110 e 111) e não cumprirem o princípio de não discriminação presente na Constituição Federal. Apesar de todo o esforço do MPT e da CGROS-CONTRAF-CUT os banqueiros ainda resistem a discutir seriamente a questão, alguns avanços têm sido considerados, o ano de 2006 foi importante por duas questões, a realização do I Seminário Nacional Sobre a Diversidade nos Bancos realizado pela CONTRAF e que contou com a participação do MPT e também de alguns Bancos e a retomada das negociações através da mesa bipartite. Com a retomada das negociações foi realizado em 2007 o II Seminário Nacional Sobre a Diversidade nos Bancos que resultou no compromisso da Fenaban na realização do censo da diversidade no setor financeiro. O mapa da diversidade realizado no início de 2008, reivindicação antiga da CGROS foi composto por vários materiais de campanha e um questionário disponível nos sítios dos Bancos, da Fenaban e da CONTRAF com questões relativas a sexo, cargo, trajetória funcional, cursos, entre outras questões. A CGROS-CONTRAF-CUT acompanhou de perto todas as fases da concretização do projeto, aprovando os materiais e também a aplicação do questionário. Organizou seminário de lançamento do questionário no inicio do ano 2008 com intuito de preparar os dirigentes para divulgar o mapa na base. A partir do resultado do Mapa é preciso avançar na segunda etapa que é estabelecer metas com a Fenaban para resolver o problema das desigualdades sexistas e raciais no setor. E como já argumentou o MPT não é difícil resolver já que a categoria tem um percentual razoável de rotatividade, 13% e 38% dos empregados são admitidos a cada ano. Além da mesa temática e bipartite de igualdade de oportunidades, a CGROS- Contraf-CUT também participa como convidada e colaboradora, de reuniões com o Ministério Público do Trabalho e FEBRABAN que discutem esse processo. Conclusão O tema da diversidade racial ainda é pouco estudado no Brasil, outra dificuldade é a diferença de abordagem e foco. Neste sentido trabalhar a discriminação racial no trabalho ajuda a desmistificar a idéia que o Brasil vive uma democracia racial, reforçada pela idéia da inserção e da valorização do negro e negro de forma lúdica, a boa comida, as danças, a beleza. A análise do negro no mercado de trabalho principalmente no setor financeiro revela que há um imbricado de construções sociais complexas que reforçam o sistema de relações raciais, base da meritocracia é um deles. Os dados e pesquisas são importantes para dar visibilidade aos efeitos da discriminação. Já que a discriminação no Brasil é camuflada, como dizia Darci Ribeiro as pessoas têm preconceito de ter preconceito. As pessoas negam seu preconceito, mas ele vem a tona quando a discussão de inclusão se faz presente, a inclusão do sistema de cotas é um exemplo disto. 5

A busca da erradicação do trabalho infantil ... - Fazendo Gênero
Download do Trabalho - Fazendo Gênero - UFSC
GÊNERO E PSICOLOGIA: UM DEBATE EM ... - Fazendo Gênero
UMA PROPOSTA PARA A EQUIDADE DE ... - Fazendo Gênero
corpo do outro. Construções raciais e imagens - Fazendo Gênero 10