destaques do relatório global de competitividade de 2007 – 2008 do ...

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destaques do relatório global de competitividade de 2007 – 2008 do ...

DESTAQUES DO RELATÓRIO GLOBAL DE

COMPETITIVIDADE DE 2007 2008 DO

WORLD ECONOMIC FORUM (WEF)

Carlos Arruda, Vanja Ferreira e Marina Araujo


ANÁLISE ANÁLISE DO DO RELATÓRIO RELATÓRIO GLOBAL GLOBAL DE DE COMPETITIVIDADE COMPETITIVIDADE DE DE 2007 2007

2008 2008 DO DO WORLD WORLD WORLD WORLD ECONOMIC ECONOMIC ECONOMIC ECONOMIC FORUM FORUM FORUM FORUM (WEF)

(WEF)

Carlos Arruda, Vanja Ferreira e Marina Araujo 1

Brasil volta a perder posições significativas no ranking geral de competitividade, segundo o Relatório

de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial. Este estudo, publicado anualmente desde

1979, apresenta estatísticas e índices para diversos fatores que moldam a capacidade competitiva de

uma nação. Ele é baseado em dados estatísticos e em uma pesquisa ampla realizada junto a executivos.

No Brasil, a coleta de dados junto à comunidade empresarial está sob a responsabilidade da Fundação

Dom Cabral e do Movimento Brasil Competitivo, parceiros brasileiros do Fórum Econômico Mundial.

O O O que que que é é é competitividade competitividade competitividade e e e como como como é é é avaliada? avaliada?

avaliada?

A busca pelo desenvolvimento econômico e a prosperidade de uma nação sempre constituem

preocupações das sociedades e há muito tempo passaram a ser tema de estudos acadêmicos. O

conceito de competitividade refere-se à capacidade de uma economia de manter taxas de

crescimento econômico no curto e médio prazos, gerando prosperidade para sua população.

Assim, ele extrapola o tradicional conceito de competitividade setorial ou empresarial e avalia

como os ambientes econômicos, políticos e sociais de um país apóiam a realização de

negócios e o crescimento das empresas, buscando captar a capacidade de crescimento e

desenvolvimento econômico de uma nação. Com essa percepção, os estudos de

competitividade possuem a grande vantagem de explorarem uma ampla gama de fatores de

diversas áreas (educação, saúde, câmbio, abertura, etc.) para explicar o grau e as perspectivas

de desenvolvimento econômico de um país a partir da análise integrada dos dados obtidos.

Assim sendo, competitividade pode ser definida como o conjunto de fatores, políticas e

instituições que determinam o nível de prosperidade que um país pode alcançar. A pesquisa

busca identificar como os países estão organizados e como essa organização estimula a

atividade empresarial e o crescimento econômico no curto e médio prazos.

Três comentários podem ser feitos com relação aos estudos do WEF sobre competitividade.

Primeiramente, a competitividade é resultado da integração de muitos fatores em diversas

áreas de um país (econômica, política, jurídica, científica, etc.). Alguns fatores, como

estabilidade macroeconômica, podem ser facilmente reconhecidos como favoráveis ao

aumento da produtividade e, conseqüentemente, da competitividade. Mas outros, como a visão

da justiça nacional sobre quem favorecer em ações de inadimplência, também têm grande

influência, apesar de indireta, na capacidade competitiva de um país.

Também é fato que os fatores que formam a competitividade têm importâncias diferenciadas

para os países, especialmente devido aos diferentes estágios de desenvolvimento em que se

encontram. Para um país em desenvolvimento, a eliminação do analfabetismo pode gerar

resultados imediatos e maiores ganhos de competitividade do que investimentos em

laboratórios de pesquisa básica. Não que o segundo ponto seja irrelevante para a

1 Equipe responsável pelos estudos de Competitividade da Fundação Dom Cabral

Carlos Arruda Professor e pesquisador de competitividade e inovação arruda@fdc.org.br; Vanja

Ferreira Pesquisadora Sênior vanja@fdc.org.br; Marina Araújo Auxiliar de pesquisa

marinaaraujo@fdc.org.br

2


competitividade, mas ele é muito mais adequado para um país desenvolvido, cujas taxas de

crescimento dependem de avanços em ciência e tecnologia.

Por fim, os fatores que formam a competitividade mudam, assim como sua importância muda

com o tempo. Na atual economia do aprendizado, o investimento em capital humano é muito

mais importante que em capital físico. A globalização também altera esses fatores,

principalmente na redução da capacidade dos países em realizarem políticas fiscais e

monetárias sem levar em consideração o ambiente internacional.

Este ano o Relatório de Competitividade Global (GCR GCR GCR) GCR abrange 131 países 2 , seis a mais que

no ano anterior, e apresenta dois índices distintos:

O Global Competitiveness Index (GCI GCI GCI), GCI o índice criado em 2004 pela equipe do WEF

juntamente com o Prof. Prof. Xavier Sala-i-Martin, da Columbia University, leva em

consideração o nível de desenvolvimento dos países e inclui variáveis além das

econômicas (como institucionais, educacionais, etc.) que definem a competitividade de

uma nação , isto é, sua capacidade de crescimento futura.

O Business Competitiveness Index (BCI BCI BCI), BCI sob a responsabilidade do Prof. Michael Porter,

preocupa-se com os fatores microeconômicos que moldam a produtividade das firmas.

Os índices são formados por dois tipos de informações:

Hard data ou dados secundários provenientes de fontes públicas internacionais. A maioria

dos dados é referente ao ano anterior de publicação do relatório (2006) ou o dado mais

recente disponível. 3

Soft Data ou dados primários provenientes da pesquisa de opinião de executivos

conduzidas nos países através das instituições parceiras locais, no caso do Brasil a

Fundação Dom Cabral e o Movimento Brasil Competitivo.

A competitividade envolve diversos aspectos de uma economia, muitos deles subjetivos ou de

difícil mensuração. Por essa razão, o WEF realiza anualmente uma pesquisa de opinião de

executivos (Executive Opinion Survey - EOS) para obter essas informações complementares,

como qualidade das instituições públicas, independência do poder judiciário e o grau da

corrupção em uma economia. Os executivos respondem a aproximadamente 150 questões

sobre o ambiente no qual seus negócios estão inseridos, apontando sua percepção em uma

escala entre 1 a 7, em que 1 geralmente corresponde à pior opção e 7 à melhor.

O WEF e as instituições parceiras selecionam a amostra dos executivos que participarão da

EOS visando construir uma com as mesmas características do universo das empresas do país,

ou seja, considerando a dispersão geográfica, estrutura setorial e o tamanho das empresas.

2

Em 2007 foram incluídos seis novos países: Líbia, Omã, Porto Rico, Arábia Saudita, Síria, e

Uzbequistão. Além desses, Servia e Montenegro foram incluídos como países independentes. Por

outro lado, Angola e Malaui foram excluídos do relatório por falta de dados para a pesquisa de

campo.

3

A maioria dos dados hard são convertidos em variáveis com escala de 1 a 7 através da seguinte

fórmula:

6 x valor do país valor mínimo na amostra + 1

valor máximo da amostra valor mínimo da amostra

3


Para obter uma amostra com significativa participação no PIB, são consultados,

prioritariamente, executivos de grandes empresas. A amostra deve, obrigatoriamente, conter

firmas com participação estatal, privada nacional e privada estrangeira, além de firmas

domésticas que vendem em mercados internacionais. Os executivos selecionados para

responder ao questionário são da alta gerência das empresas, que possuam conhecimentos

sobre o ambiente econômico nacional e internacional.

A pesquisa pode ser respondida pelo questionário enviado para as empresas ou através da

internet. O instituto Gallup International atua como consultor do World Economic Forum

garantindo a qualidade do processo de revisão metodológica e técnica da pesquisa. No mundo,

a pesquisa em 2007 envolveu 11.406 participantes. No Brasil, 131 executivos participaram da

pesquisa entre janeiro e final de maio.

A metodologia adotada pelo World Economic Forum para elaboração do relatório e

respectivos rankings será apresentada em detalhes neste documento. As 110 variáveis

analisadas no estudo (32 hard e 78 soft) são agrupadas em 12 “pilares”, que correspondem a

grupos diferentes de variáveis e que, por sua vez, são agrupados em três grupos de análise:

requisitos básicos, propulsores de eficiência e inovação e sofisticação empresarial. Para o

relatório de 2007, os 12 pilares analisados foram:

Requisitos Requisitos Básicos

Básicos

1. Instituições Instituições: Instituições Instituições Referem-se à transparência, grau de corrupção e eficiência do setor público,

proteção a direitos de propriedade, qualidade da segurança pública, além da ética das

empresas, e eficácia das auditorias e padrões contábeis do setor privado.

2. Infra Infra-estrutura

Infra Infra estrutura estrutura: estrutura Relacionado à qualidade da infra-estrutura de transportes, comunicação e

de fornecimento de energia.

3. Estabilidade Estabilidade Macroeconomia

Macroeconomia: Macroeconomia Refere-se ao nível de endividamento, inflação, contas

públicas e spread bancário.

4. Saúde Saúde e e Educação Educação Primária Primária: Primária Refere-se à incidência de doenças e seus impactos na

economia, à expectativa de vida e a abrangência do sistema educacional primário.

Propulsores ropulsores de de eficiência

eficiência

5. Educação Educação Superior Superior e e Trei Treinamento:

Trei Trei namento: Refere-se à abrangência e qualidade do sistema

educacional nos níveis secundário e terciário, além dos serviços de treinamento e pesquisa

especializados.

6. Eficiência Eficiência Eficiência do do Mercado Mercado Mercado de de de Bens: Bens: Refere-se ao impacto das regulamentações

governamentais na atividade empresarial privada e às características competitivas do

ambiente empresarial

7. Eficiência Eficiência do do Mercado Mercado de de Trabalho: Trabalho: Reflete o grau de flexibilidade das leis do trabalho e

as práticas de meritocracia adotadas nas empresas;

8. Sofisticação Sofisticação do do do Mercado Mercado Financ Financeiro: Financ eiro: Avalia a qualidade do mercado bancário e a

disponibilidade no país de marcos regulatórios, práticas e recursos que facilitem o acesso

a capital por empresas do setor privado

4


9. Prontidão Prontidão Tecnológica: Tecnológica: Relacionada à difusão de novas tecnologias nas empresas e na

sociedade.

10. Tamanho Tamanho do do Mercado: Mercado: Refere-se ao tamanho do mercado pelo qual as empresas se

orientam.

Inovação Inovação e e sofisticação sofisticação empresarial

empresarial

11. Sofisticação Sofisticação Sofisticação dos dos Negócios Negócios: Negócios Relacionado à qualidade e quantidade de fornecedores locais,

às práticas empresariais e à natureza da vantagem competitiva das firmas.

12. Inovação Inovação: Inovação Refere-se à capacidade inovativa da economia.

Resultados Resultados Resultados do do Global Global Competitiveness Competitiveness Index Index em em em 2007 2007-2008 2007

2008

TABELA TABELA 1

1

10 10 10 primeiros primeiros colocados colocados colocados do do do Global Global Global Global Competitiveness Competitiveness Competitiveness Competitiveness Index Index Index Index

200 2007-2008 200

2008 2006 2006-2007 2006

2007 2007 ajus ajustado ajus ajustado

tado

Ranking Ranking Ranking Ranking Score Score Score Score País País Ranking Ranking Ranking Ranking País

País

tado 4

1 5,67 Estados Unidos 1 Estados Unidos

2 5,62 Suíça 2 Reino Unido

3 5,55 Dinamarca 3 Dinamarca

4 5,54 Suécia 4 Suíça

5 5,51 Alemanha 5 Japão

6 5,49 Finlândia 6 Finlândia

7 5,45 Cingapura 7 Alemanha

8 5,43 Japão 8 Cingapura

9 5,41 Reino Unido 9 Suécia

10 5,40 Holanda 10 Hong Kong

Os Estados Estados Estados Unidos Unidos se mantêm na liderança do ranking, apesar de ter apresentado sérios

problemas em seus indicadores relacionados ao ambiente macroeconômico. Como seria de

esperar, o país beneficia- se de uma sofisticada estrutura empresarial, orientada para a

inovação e pela qualidade da educação superior e treinamento. Por outro lado, o país, como

nos anos anteriores, demonstra ter problemas em vários dos pilares associados aos requisitos

básicos. Baixa competitividade em alguns dos aspectos do ambiente institucional associado a

graves problemas nos indicadores de estabilidade macroeconômica (principalmente causado

por altos déficits fiscais posição 91 , levando o país a um nível crescente de endividamento

4 O ranking de 2006-2007 foi ajustado para se adequar à metodologia de análise adotada em 2007-2008. Em

2006-2007, os dados foram agrupados em 9 pilares (12 pilares em 2007-2008). Na metodologia anterior, os dez

primeiros colocados no ranking foram: Suíça, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Cingapura, Estados Unidos, Japão,

Alemanha, Holanda, Reino Unido. A posição do Brasil em 2006-2007 foi de 66ª em ambas as metodologias.

5


público posição 69) posicionam os EUA na 75ª posição no ranking de estabilidade

macroeconômica, o que, no longo prazo, pode prejudicar seu ambiente competitivo.

A Suíça volta a ocupar a segunda posição no ranking geral (posição que ocupou em vários

relatórios dos anos 90) com uma pontuação muito próxima aos Estados Unidos. O país

apresenta um maior equilíbrio em todos os indicadores. Seu ponto forte foram os indicadores

de inovação e sofisticação empresarial (2ª posição em ambos os pilares), seguido dos

indicadores associados aos pilares eficiência do mercado de trabalho e prontidão tecnológica

(3ª posição). Já os pontos menos fortes da Suíça foram associados aos pilares Estabilidade

Macroeconômica (22ª posição) e Eficiência do Mercado Financeiro (21ª) ambos os pilares

relacionados aos requisitos básicos de uma economia que são, de certa forma, equilibrados

com os excelentes indicadores associados às instituições e infra-estrutura, ambos na 4ª posição

no ranking geral. A Suíça desponta este ano como o país mais equilibrado em todos os

indicadores e pilares analisados.

Entre os dez primeiros colocados no ranking (TAB.1), a única ausência em relação a 2007 foi

Hong Hong Kong Kong, Kong que foi deslocado para a 12ª posição, dando lugar à Holanda Holanda, Holanda

que volta às

primeiras posições. A presença de seis países membros da União Européia entre os dez

primeiros colocados reforça a tese de que é possível desenvolver a capacidade competitiva de

um país, ou, neste caso, região, a partir de um plano estratégico de desenvolvimento

competitivo. Os países membros da União Européia, que em 2000 desenvolveram e firmaram

um compromisso de desenvolvimento competitivo em dez anos, a chamada Estratégia de

Lisboa, viram este ano oito dos 15 países signatários do acordo ganharem posições relativas

no ranking de competitividade do World Economic Forum. Entre estes destacam-se a Suécia Suécia e

Bélgica Bélgica, Bélgica que ganharam cinco e quatro posições, respectivamente. Por outro lado, três

perderam posições importantes: Reino Reino Unido Unido (9ª posição, -7 lugares), França (18ª posição, -3

lugares) e Grécia (64ª posição, -4 lugares).

Em uma análise regional, uma das regiões que apresentaram maiores perdas relativas de

posição foi a América América Latina Latina. Latina Entre os dez países analisados, apenas dois ganharam posições

relativas, Uruguai (+ 4) e Chile (+1). Todos os demais perderam posições preciosas. Uma vez

mais o Chile é o país latino-americano melhor colocado no estudo (subindo para a 26ª

posição), destacando-se entre os países mais competitivos no pilar Estabilidade

Macroeconômica (12ª posição). O país apresenta um ambiente macroeconômico sólido com

baixo nível de endividamento (5,7% do PIB), spread compatível com o desenvolvimento do

país (2,5%), além de um alto padrão das instituições públicas e privadas (transparência com

eficiência) (25º lugar). O país aparece também como um destaque no pilar de Eficiência do

Mercado de Trabalho (14ª posição), reforçando a tese de que o Chile seja um dos países mais

bem fáceis para se fazer negócios. Mas, como um país em desenvolvimento, o Chile precisa

ainda melhorar a qualidade de sistema educacional básico (95ª posição) e superior (42ª

posição), além de incrementar investimentos e práticas no setor público e privado em vários

dos fatores associados ao desenvolvimento de inovações (45º posição no ranking geral)

Um decepção registrada no estudo deste ano foi a perda de 15 posições relativas no ranking da

Argentina Argentina. Argentina Esse parceiro estratégico para o Brasil no Mercosul, apesar do crescimento

significativo do seu PIB nos últimos anos (8,9% no período de 2003-2006), apresenta ainda,

segundo o World Economic Forum, pontos fracos significativos em sua capacidade

competitiva. Ocupando agora a 85ª posição no ranking geral, o país apresenta graves

problemas em seu framework institucional, ocupando a 125ª posição no pilar instituições, o

6


que reflete graves problemas nas normas e regulamentações que regem as atividades

empresariais, além de falta de transparência das instituições públicas e da falta de práticas

modernas de governança corporativa nas empresas. Segundo o World Economic Forum, as

políticas intervencionistas adotadas do governo Kirchner, associadas à falta de conclusão de

algumas negociações fundamentais para o funcionamento adequado de organismos

reguladores dos serviços e contratos de utilidades públicas impactam a confiança dos

investidores no país. Também no pilar Estabilidade Macroeconômica (64ª posição), o país

perde competitividade, devido, principalmente, ao alto nível de endividamento público (64%

do PIB). Em vários outros pilares, a Argentina apresenta problemas que merecem a atenção do

novo governo a ser eleito no dia 28 de outubro. O país ocupa posições críticas nos pilares

Eficiência do Mercado de Trabalho (129ª), Eficiência do Mercado de Bens (115º) e

Sofisticação do Mercado Financeiro (114º). Segundo o World Economic Fórum, essas

posições são fruto de uma super-regulação desses mercados, gerando um ciclo regulatório

vicioso que afeta também os pilares Instituições (125º) e Sofisticação Empresarial (75ª).

O Brasil Brasil, Brasil como nos últimos anos, depara-se com grandes problemas em diversas áreas,

apresentando queda de seis posições no ranking (de 66º para 72º). Destaca-se o baixo

posicionamento no pilar Estabilidade Macroeconômica (126º lugar) e Instituições (104º lugar),

equilibradas apenas por posições muito boas nos pilares Sofisticação Empresarial (39º lugar) e

Inovação (44º lugar). O Brasil repete este ano as mesmas deficiências que vêm prejudicando a

competitividade do país há vários anos: alto spread bancário (127ªposição), gastos públicos

ineficientes (127º) peso da carga tributária (131º), burocracia (128º), baixa qualidade da infraestrutura

(97º); sistema legal complexo e ineficiente (105º). Além desses problemas

tradicionais, as instituições públicas, que vinham obtendo avanços nos últimos anos, tiveram

pelo terceiro ano consecutivo forte queda na avaliação dos executivos pesquisados (104º), e a

educação básica demonstra estar aquém das necessidades requeridas para sustentar um país

que buscar estabelecer um ambiente competitivo de padrão internacional (123º).

Entre os demais países do grupo dos BRICs 5 , a Rússia e a China ganharam uma posição,

passando a ocupar o 58º e 34ª lugares, e a Índia perdeu 6 posições, passando a ocupar a 48ª

posição no ranking geral. A Rús Rússia Rús

sia sia, sia beneficiando-se do alto valor do petróleo e gás, destaca-se

nos pilares Estabilidade Macroeconômica e Tamanho do Mercado (37ª e 9ª posições), mas

apresenta ainda graves problemas em seu marco regulatório e práticas de governo, o que

impacta os pilares Instituições (116), Sofisticação do Mercado Financeiro (109) e Sofisticação

Empresarial (88). Um fator crítico que vem impactando a posição relativa da Rússia em todos

os estudos de competitividade 6 é sua falta de transparência e corrupção. No estudo do WEF, o

setor privado recebe notas muito baixas no que se refere ao comportamento ético, ocupando a

120ª posição, o que se associa à falta de proteção dos direitos de propriedade (122ª posição) e

à falta de independência do judiciário (106ª posição).

A Chin China Chin

beneficia-se do tamanho de seus mercados domésticos e internacionais (2ª posição no

pilar Tamanho do Mercado) além da estabilidade de seu ambiente macroeconômico (7ª

posição). Porém, é a falta de abertura do mercado financeiro (118) e deficiência nos sistemas

5 BRICs, grupo de países com alto potencial de crescimento econômico que passariam em 2050, segundo estudos

da Goldman Sachs, a ocupar três das quatro posições entre as maiores economias mundiais. Goldman Sachs

Global Economics Paper No. 99: Dreaming with BRICs: The Path to 2050

6 A Fundação Dom Cabral colabora também com o World Competitiveness Yearbook, publicado anualmente

pelo IMD, Suíça.

7


de educação superior e profissional (78), além de falta de eficiência nas instituições publicas e

privadas (77), que impedem esse país de assumir uma posição competitiva destacada.

A Índia Índia, Índia assim como os demais BRICs, beneficia-se pelo tamanho de seus mercados (3ª

posição), que no caso da Índia, assim como do Brasil, são aproveitados para gerar uma

capacidade competitiva diferenciada nos pilares Sofisticação Empresarial e Inovação (26ª e

28ª posições, respectivamente). Como outros países emergentes, a Índia apresenta, no entanto,

graves problemas nos pilares de Estabilidade Macroeconômica (108) e de Saúde e Educação

Básica (101), além de distorções no pilar Eficiência do Mercado de Trabalho (96), fruto de

excessiva regulamentação nas questões trabalhistas e falta de flexibilidade da força de

trabalho. A perda de seis posições no ranking deste ano (de fato três posições se

considerarmos apenas o número de países incluídos no estudo em 2006-2007) deve-se,

também, a perdas de posições relativas em variáveis incluídas no pilar Instituições (48), tais

como transparência das políticas do governo e comportamento ético das empresas.

No conjunto de países analisados pelo World Economic Forum, 30 países melhoraram suas

posições relativas, enquanto 80 perderam posições, indicando que, na metodologia usada, é

mais fácil perder posições relativas do que conquistá-las.

Os campeões de ganhos de posições relativas (TAB. 2) foram a Coréia do Sul, Sri Lanka e

Honduras. A Coréia Coréia, Coréia que já ocupou posição de destaque no ranking, volta a ocupar a 11ª

posição geral, destacando-se em vários dos pilares de Eficiência e Sofisticação. O tigre

asiático ocupa a 6ª posição no pilar de Educação Superior e Treinamento e a 7ª posição no

pilar Prontidão Tecnológica e a 8ª posição no pilar Inovação. Ocupando a 8ª posição no pilar

Estabilidade Macroeconômica, a Coréia do Sul destaca-se pelo sucesso de seu processo

educacional inserido nas tecnologias e valores do Século XXI. O país ocupa o primeiro lugar

no número absoluto de matrículas no ensino superior e o quarto lugar no item “acesso à

internet nas escolas”, o que reflete na performance do país nos testes internacionais de

qualidade do processo educacional (2º lugar no ranking geral do PISA Programa

Internacional de Avaliação de Estudantes da OCDE) e no número de usuários de internet

(68,4% da população em 2005).

TABELA TABELA 2

2

Sobe Sobe e e desce desce no no no ranking ranking ranking ranking de de competitividade competitividade em em 2007 2007-2008 2007 2008

País País

Ganhos Ganhos

País Perdas

Coréia 12 Bósnia e Herzegovina -24

Sri Lanka 11 Lesoto -22

Honduras 7 Tajiquistão -21

Suécia 5 Botsuana -19

Bahrain 5 Namíbia -17

Turquia 5 Camarão -17

Costa Rica 5 Zimbábue -17

Bélgica 4 Argentina -15

Filipinas 4 Bangladesh -15

Uruguai 4 El Salvador -14

Guatemala 4

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