Relatório_Acidentes Mortais em GIFs 2013.pdf

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Relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais - ADAI/LAETA do
Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, com o fim de apurar as causas que levaram aos acidentes que provocaram a morte a 9 bombeiros.

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Universidade de Coimbra Os Incêndios Florestais de 2013

3.6. Conclusões e Recomendações

Numa análise geral às condições em que os incêndios do Caramulo se desenvolveram, pode concluir‐se

que o combate se deu frequentemente em condições extremas, que dificultaram a sua supressão:

temperatura do ar muito elevada quer durante o período diurno, quer noturno, humidade relativa do ar

muito baixa, vento forte e irregular, elevada carga de combustíveis, declives muito acentuados, dificuldade

de acessos.

A dificultar as operações existia ainda uma grande dispersão de povoações e casas isoladas, nem sempre

com gestão de combustíveis na sua área envolvente, o que fez dispersar os meios de combate para a proteção

destes bens. Estes fatores foram indubitavelmente a maior causa da dificuldade de combate e a razão pela

qual os incêndios do Caramulo levaram aos impactes observados. Há no entanto alguns fatores associados

ao SNPFCI que, tendo sido postos à prova nos incêndios do Caramulo, poderão ser avaliados com vista ao

seu aperfeiçoamento, para que numa situação similar a resposta possa ser ainda mais eficiente.

Consideramos que o número de meios terrestres no terreno foi suficiente para fazer face aos incêndios

e que mais meios não iriam alterar substancialmente o resultado final. Dos diversos depoimentos que

obtivemos na fase de pesquisa detetámos alguma dificuldade em receber tantos meios que vinham chegando

ao TO num espaço tão curto de tempo e atribuir‐lhes uma missão. Houve depoimentos que afirmaram que

muitos operacionais trabalharam durante tempo excessivo. . Houve outros casos em que aconteceu o

inverso, como foi o caso de alguns CBs que se deslocaram de outros pontos do País e que pouco ou nenhum

trabalho de combate realizaram, o que provoca alguma frustração e mal‐estar. Em situações semelhantes a

metodologia de distribuição das Ordens de Missão (OM) deve ser repensada. Tal como acontece com os GRIF

e os GRUATA que chegam ao local já organizadas, com OM já atribuída.

Consideramos que o desempenho destes grupos pode melhorar, se regularmente forem realizadas

ações de formação e treino, com os Bombeiros locais fora do período crítico de incêndios. Desta interação

poderá resultar uma melhor interação pessoal, que motivará no futuro o trabalho de equipa. Por outro lado

estas ações criam rotinas entre os diferentes elementos envolvidos.

Na nossa opinião a atribuição de um guia local a cada equipa que chega de fora a um TO, impede que

situações em que os grupos andem perdidos à procura de locais e caminhos para executar as OM que lhe são

atribuídas, ou tenham que estar constantemente a procurar a populares, com a consequente perda de

tempo. Refere‐se como exemplo o caso em que um grupo de Bombeiros deveria combater uma frente de

chamas numa determinada aréa. Este GRIF desorientou‐se e acabou por pedir indicações a populares que

lhes indicaram um caminho que os levou a iniciar o combate na outra extremidade da frente, o que

prejudicou a tática inicialmente definida. Consideramos a ajuda dos populares locais como sendo de grande

importância no entanto, este auxílio deve ser organizado para dele se tirar o melhor proveito.

Foram várias as povoações ameaçadas pelo fogo. Algumas destas aldeias foram protegidas pelos meios

operacionais mas outras houve, nomeadamente nos incêndios de Guardão, cuja proteção foi impossível de

garantir, felizmente não se registaram perdas maiores. Consideramos que o tema de autoproteção das

povoações deve ser profundamente ponderado e as populações devem ser encaradas como um pilar

importante do SNDFCI, não apenas na perspetiva da prevenção e preparação para a ocorrência de incêndios,

mas também no auxílio a ações de combate.

Ano após ano os proprietários de habitações e dos terrenos envolventes são alertados para a

necessidade de uma correta gestão de combustível. A evolução do fogo nos incêndios do Caramulo deveu‐

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