Relatório_Acidentes Mortais em GIFs 2013.pdf

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Relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais - ADAI/LAETA do
Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, com o fim de apurar as causas que levaram aos acidentes que provocaram a morte a 9 bombeiros.

Universidade de Coimbra Os Incêndios Florestais de 2013

interrompida em zonas de descontinuidade ou então em locais em que a mudança do vento tornou o

combate favorável, como por exemplo no caso do incêndio de Alcofra ou no flanco direito do incêndio de

Guardão. Naturalmente que as posteriores ações de consolidação e rescaldo são de extrema importância

para o encerramento da situação.

Foi uma ideia frequentemente abordada nos diversos depoimentos que ouvimos, que nos incêndios do

Caramulo, o uso de fogo tático foi muitas vezes realizado de forma abusiva, sem técnica adequada, causando

situações de risco e muitas vezes com consequências negativas, aumentando a propagação do fogo ou

dificultando táticas de combate. Esta é uma situação que deve ser objeto de uma profunda reflexão por parte

dos responsáveis por dois motivos principais: (1) o número de pessoas credenciadas para a realização de fogo

de supressão é pequeno para as necessidades, e (2) porque em determinadas situações o uso de fogo tático

é o melhor método a empregar, sendo a janela temporal de oportunidade de intervenção muito pequena,

não dando tempo para que elementos credenciados se desloquem ao local. Não há qualquer dúvida de que

a utilização de fogo é de grande importância no combate a um incêndio no entanto, o uso desta metodologia

é extremamente perigoso pelos efeitos que dele podem advir. Consideramos que nem sempre os Bombeiros,

mesmo aqueles com mais experiência ou com provas dadas de bom desempenho no combate, têm

conhecimentos e aptidão para avaliar e realizar manobras de fogo de supressão, embora por vezes se vejam

na necessidade de o fazer. Nesta perspetiva, julgamos que, ou se deve ministrar formação aos Bombeiros

para que adquiram estas capacidades, ou se devem formar mais equipas com estas aptidões de forma a

aumentar de forma clara a sua representação nos locais dos incêndios. Naturalmente que uma solução de

compromisso entre as duas propostas também se afigura como uma opção. O mesmo exercício de reflexão

deve incidir igualmente sobre as ações de fiscalização e penalização daqueles que de forma não autorizada

fazem o uso de fogo num TO.

Houve no incêndio do Caramulo algumas situações pontuais de tensão entre diferentes entidades,

nomeadamente entre alguns elementos de Bombeiros e alguns elementos dos GAUF/FEB. Estas situações

prenderam‐se sobretudo com o uso de fogo no TO. Observamos que esta não é uma situação exclusiva dos

incêndios do Caramulo, tendo sido verificada anteriormente noutras ocorrências, naturalmente no meio de

muitas outras situações de amigável e eficiente colaboração. Consideramos que o facto de estas entidades

operacionais normalmente apenas se encontrarem em situações de stress como as que se vivem num TO,

podem estar na origem desta questão. Nesta perspetiva, consideramos que seria de grande utilidade que,

durante a época baixa de incêndios, as diversas entidades atuantes nos incêndios florestais realizassem

treinos conjuntos promovendo assim o seu conhecimento e relacionamento e melhorando a eficiência dos

trabalhos combinados.

Para além dos GAUF que têm uma componente operacional, segundo os relatórios de ocorrência, o ICNF

apenas esteve representado por um elemento que deu entrada no dia 29 pelas 10h15, não tendo sido

reportada a hora de saída do PCO. Tivemos conhecimento da presença de outros dois elementos desta

instituição no dia 22, da parte da manhã, pedindo proteção a uns viveiros da propriedade do ICNF. Pensamos

que uma presença mais efetiva do ICNF neste incêndio poderia ter sido proveitosa uma vez que uma parte

da área ardida estava sob a sua gestão. O relatório de ocorrências menciona que foram efetuadas duas

comunicações ao ICNF: uma comunicação no dia 21 referindo que o incêndio de Silvares se estava a dirigir

para Penoita, onde o ICNF gere o Perímetro Florestal da Penoita e; outra comunicação, no dia 29, pelas

11h15, durante o incêndios de São Marcos, informando que o incêndio estava a entrar em pinhal do estado,

no Perímetro Florestal do Caramulo. Supomos que nesta última comunicação o elemento do ICNF que tinha

dado entrada cerca de uma hora antes, já não estaria no PCO. Destas comunicações não temos conhecimento

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