Relatório_Acidentes Mortais em GIFs 2013.pdf

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Relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais - ADAI/LAETA do
Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, com o fim de apurar as causas que levaram aos acidentes que provocaram a morte a 9 bombeiros.

Universidade de Coimbra Os Incêndios Florestais de 2013

1. Introdução

1.1. Âmbito e objetivo do estudo

O ano de 2013 foi particularmente grave no tocante aos incêndios florestais (IF) em Portugal, não apenas

pela elevada extensão da área ardida, como sobretudo pela incidência de acidentes pessoais, alguns deles

mortais. Para além do drama vivido por muitas pessoas, que perderam parte dos seus bens materiais e bemestar,

foi particularmente sentida no País a perda de vidas humanas, em especial a dos oito Bombeiros e de

um Autarca, que faleceram em ações de combate aos incêndios. Devemos referir ainda duas outras mortes

em território nacional, que ocorreram em ações relacionadas com os incêndios florestais, embora se não

tratasse, nestes casos, de combatentes, mas sim de populares, que faleceram em acidentes decorrentes dos

incêndios.

Por iniciativa do MAI, por intermédio da ANPC, a equipa do CEIF foi convidada a preparar um relatório

de análise dos dois grandes incêndios ocorridos em Alfândega da Fé e Caramulo, assim como dos casos em

que ocorreu a perda de vidas, em acidentes relacionados com os incêndios de 2013. Este convite, que veio

na sequência de um semelhante feito em 2012, a propósito do grande incêndio florestal ocorrido em julho

em Tavira e São Brás de Alportel, foi por nós aceite, apesar do curto prazo que nos foi proposto, face à

extensão e complexidade dos casos a tratar. Aceitámos este encargo cientes das dificuldades inerentes a um

trabalho desta natureza, com o intuito de prestar um serviço ao País, à causa da defesa da floresta portuguesa

contra os incêndios e à salvaguarda da segurança de todos os intervenientes nessa causa. Fazemo‐lo, como

sempre, com o intuito de, através do conhecimento e da análise dos factos, apreender as lições que deles se

possam extrair e contribuir, de uma forma construtiva e positiva, para a melhoria do sistema. Não é nosso

propósito acusar ou responsabilizar qualquer pessoa ou entidade pelas ações que descrevemos ou pelos seus

resultados. Não podemos no entanto escamotear a realidade ou deixar de expor as situações que nos foram

dadas a apurar, com toda a verdade, para que sejam conhecidas por quem de direito e para que, por meio

de uma melhor formação e com melhores conhecimentos, se possam adotar os bons exemplos e evitar as

ações que porventura tenham conduzido a resultados menos bons.

Tanto na análise dos dois grandes incêndios como sobretudo, nos acidentes, deparámos com falhas do

sistema, dos recursos e das pessoas. Sentimos que é nosso dever apontá‐las, uma vez que não podemos

varrer estas situações para debaixo do tapete ou condescender com essas falhas e, implicitamente, pactuar

com elas, tornando‐nos indiretamente responsáveis pela sua repetição futura.

Estamos convictos que por meio de um melhor conhecimento das situações de perigo e das suas causas

conseguiremos superá‐las com maior facilidade. Este princípio é, em nossa opinião, aplicável ao tema da

segurança na frente de fogo, em que a melhor formação dos agentes tem contribuído ao longo dos anos

passados, para uma redução do número e gravidade dos acidentes. Exemplo disso é a investigação de casos

ocorridos e sobre o comportamento do fogo realizada pela equipa do CEIF, que deu uma contribuição

importante para a melhoria da formação dos Bombeiros Portugueses. Verificamos que infelizmente essa

formação não tem sido apreendida de um modo uniforme por todas as pessoas, como vários casos ocorridos

em 2013 mostram.

Reiteramos o propósito desta investigação que é o de contribuir para melhorar a situação do sistema de

prevenção e combate aos IF em Portugal, na sua abrangência, mas tendo em particular atenção a

componente da luta contra o fogo. Tendo em conta o caráter multidisciplinar da equipa do CEIF, abordámos

o problema em diversas vertentes, incidindo especialmente nos aspetos relacionados com o comportamento

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