Relatório_Acidentes Mortais em GIFs 2013.pdf

pyro1973

Relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais - ADAI/LAETA do
Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, com o fim de apurar as causas que levaram aos acidentes que provocaram a morte a 9 bombeiros.

Sumário executivo

Incêndio de Picões (Alfândega da Fé)

No incêndio de Picões (Alfândega da Fé), arderam cerca de 13706 hectares de floresta e mato entre os

dias 8 e 12 de julho de 2013. No dia 8 deflagrou um incêndio perto de Cilhade, Torre de Moncorvo que

percorreu cerca de 180 hectares. No dia seguinte, um reacendimento desta ocorrência, perto da aldeia de

Picões, originou o maior incêndio do ano em Portugal. Identificámos neste incêndio três momentos chave

que podem ajudar a descrever e explicar o seu desfecho final. Primeiro o referido reacendimento, numa zona

de difíceis acessos e que estava sob vigilância de equipas que já tinham estado a combater, consolidar e

rescaldar o incêndio durante cerca de 24 horas. Em segundo lugar a proteção da aldeia de Quinta das

Quebradas, ao fim da tarde do dia 9, quer pelos recursos envolvidos, quer pela violência da propagação do

incêndio nessa altura. Por último, a rotação do vento ao final da manhã do dia 10 e a transformação do flanco

direito do incêndio numa frente muito ativa, que acabou por ameaçar as aldeias de Estevais, Carviçais e

Quinta da Macieirinha. O incêndio foi dado como extinto às 09h30 do dia 12 de julho.

Incêndios do Caramulo

Entre os dias 21 e 30 de Agosto de 2013 ocorreram na região do Caramulo vários incêndios aos quais se

deu a designação de “Incêndios do Caramulo”. Estes incêndios, que na sua totalidade destruíram uma área

aproximada de 9416 hectares, tiveram três ocorrências principais, às quais foram agregadas outras

ocorrências de menor extensão: (1) incêndio de Alcofra, iniciado junto a Nogueira, no dia 20 de Agosto pelas

23h54, no qual arderam 1522 hectares; (2) incêndio de Silvares, com origem perto de Silvares, pelas 00h32

do dia 21 de Agosto, tendo ardido 1346 hectares; (3) incêndio de Guardão, com ignição perto da Vila do

Caramulo, no dia 28 de Agosto pelas 11h05, em que arderam 6548 hectares. Para além da extensa área

ardida, este incêndio ficou marcado por ter originado quatro vítimas mortais e um elevado número de

feridos, para além da destruição de vários bens materiais.

Foram vários os fatores que contribuíram para que os incêndios do Caramulo tivessem atingido a

dimensão que se verificou: os fatores meteorológicos, com temperaturas altas, humidades relativas baixas e

ventos muito fortes e irregulares; declives muito acentuados; grande carga de combustível e muitas

povoações na área dos incêndios que necessitavam de proteção. Nos relatórios de ocorrência dos três

incêndios principais, regista‐se um total acumulado de 3950 presenças e, num mesmo período, chegaram a

estar presentes 184 operacionais no incêndio de Silvares, 398 elementos no incêndio de Alcofra e 845

operacionais no incêndio de Guardão, o que ilustra bem a grande importância que estes incêndios tiveram.

Acidente de Cicouro

Neste acidente, ocorrido próximo de Cicouro, Miranda do Douro, no dia 1 de agosto perderam a vida

dois elementos da Corporação dos BV Miranda do Douro: o António Nuno Ferreira (45 anos) e o Daniel Preto

Falcão (25 anos). Estes operacionais foram surpreendidos pelo agravamento do fogo em vegetação herbácea

e arbustiva quando combatiam um foco secundário num povoamento, perto de um flanco do incêndio. Três

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