Relatório_Acidentes Mortais em GIFs 2013.pdf

pyro1973

Relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais - ADAI/LAETA do
Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, com o fim de apurar as causas que levaram aos acidentes que provocaram a morte a 9 bombeiros.

Universidade de Coimbra Os Incêndios Florestais de 2013

O facto de o primeiro reacendimento, a 28 de Agosto, se ter dado tão tardiamente deveu‐se à elevada

quantidade de manta morta existente no local que manteve o fogo em combustão lenta, dificilmente

detetável, durante um longo período. O mesmo fator foi essencial para que se desse o segundo

reacendimento que levou ao incêndio de São Marcos. Do ponto de vista da área queimada, este incêndio

poderia ter assumido proporções menores se não se tivessem verificado dois fatores: as condições em que

se propagou e a ocorrência do acidente mencionado. O reacendimento deu‐se numa encosta junto a um vale

encaixado e com uma grande carga de combustível, impulsionado por vento inconstante de nordeste,

alinhado com um vale secundário quase perpendicular à encosta. Este aspeto foi determinante no

comportamento eruptivo, detalhadamente descrito na segunda parte do Relatório, que surpreendeu os

elementos envolvidos no acidente. Provavelmente, mesmo perante as condições desfavoráveis, o incêndio

poderia ter sido dominado numa estrada na linha de cumeada, acima de onde se deu o acidente, no entanto,

devido à ocorrência de uma vítima mortal (a segunda morte veio a ocorrer dias mais tarde) e de feridos

graves, o acesso ao teatro de operações foi interrompido durante cerca de duas horas, permitindo que o

fogo ganhasse uma dimensão que complicou o seu combate. Naturalmente que a moral dos combatentes

também se encontrava abalada, no entanto não há indícios de que este aspeto possa ter interferido com a

eficiência das ações de combate.

3.4.2. Incêndio de Silvares

O Incêndio de Silvares teve início pouco depois da meia‐noite do dia 21, tendo o alerta sido dado,

segundo o relatório de ocorrência, às 00h32. Neste momento, do Quartel de Bombeiros Voluntários de

Tondela viam‐se claramente sete focos de incêndio distintos: um foco relativo ao incêndio de Alcofra,

descrito anteriormente, um foco perto de Carvalhal de Vermilhas, que foi debelado em poucas horas, e cinco

focos muito juntos, perto de Silvares. Quando os bombeiros chegaram ao local que inicialmente tinha cinco

ignições mais próximas, já estes focos se tinham juntado, formando uma única frente alargada e com grande

intensidade que exigia um ataque ampliado. Na Figura 75 é apresentada a evolução temporal deste incêndio.

Figura 75 – Evolução temporal do incêndio de Silvares.

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