Relatório_Acidentes Mortais em GIFs 2013.pdf

pyro1973

Relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais - ADAI/LAETA do
Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, com o fim de apurar as causas que levaram aos acidentes que provocaram a morte a 9 bombeiros.

Universidade de Coimbra Os Incêndios Florestais de 2013

Numa fase inicial, o vento era relativamente fraco, sem uma direção definida. A existência da faixa

primária de gestão de combustíveis permitia aos bombeiros suster a propagação do fogo para noroeste no

entanto, a orografia complicava o combate a sudeste, pelo que o fogo evoluiu com grande intensidade, em

mato, seguindo essa direção. Com o vento a ganhar predominância de oeste, por volta das 04h00, o fogo

passou a progredir para leste, seguindo a faixa de combustível disponível. O avanço das chamas vinha a ser

acompanhado pelos flancos com duas linhas de mangueira, a noroeste e a sudoeste de acordo com o

perímetro final, mas, devido à falta de acessos e à intensidade que o fogo tomava, a cabeça continuava a

progredir para leste, em duas frentes muito próximas, no sentido de Souto Bom e de Fornelo do Monte.

Tentou segurar‐se esta progressão no caminho entre Silvares e Souto Bom e, por volta das 06h00, o fogo

esteve quase dominado junto a esta faixa de descontinuidade no entanto, uma súbita alteração dos ventos,

acompanhada de um agravamento da intensidade do fogo, fez perder o controlo e as chamas passaram para

a outra margem. Não se consegue perceber se esta súbita aceleração do vento se deve ao ligeiro acréscimo

da sua velocidade, que se pode observar no meteograma respetivo, ou se resultou de uma variação de efeitos

convectivos devida a um eventual aumento da carga de combustível ou a um qualquer outro fator. Foi feita

uma segunda tentativa de parar o fogo mais à frente, num caminho em más condições ao longo de um vale,

a seguir a Souto Bom. Uma máquina de rastos abriu uma faixa desde sul, enquanto os bombeiros faziam duas

linhas de fogo tático, uma vinda de norte, outra vinda de sul, com o objetivo de se encontrarem algures a

meio do caminho. Numa fase inicial, o avanço das chamas vinha a ser atrasado através de descargas de água

por meios aéreos no entanto, a certa altura, essas descargas foram interrompidas e a velocidade de

propagação do fogo aumentou, chegando à linha de contenção que estava a ser realizada pouco antes de

esta ser completada. Durante esta manobra, o vento ganhou intensidade e, por volta das 14h00, o fogo

ultrapassou a linha de contenção que estava a ser realizada.

Durante o resto do dia de 21 e durante o dia 22, o fogo progrediu, ora em duas frentes, ora em três

frentes, para leste em direção ao IP5, ameaçando povoações, entre as quais Fornelo do Monte, que a

determinada altura ficou imersa em fumo, ocasionando alguns feridos devido à inalação de fumos, mas não

causando qualquer vítima mortal. Vários prejuízos económicos foram registados. No final do dia 22, o IP5 foi

cortado ao trânsito em virtude da aproximação das chamas, facilitando simultaneamente os trabalhos de

supressão do fogo. O fogo foi sobretudo impulsionado pelos ventos predominantes que se fizeram sentir

nestes dias provenientes de noroeste, mais calmos durante e noite e com maior intensidade na parte da

tarde.

Durante o dia 23, o fogo progrediu de forma lenta ao longo do IP5, no sentido norte, ameaçando as

povoações de Casal da Auzenda e de Joana Martins. Pelas 12h58 o incêndio foi considerado dominado para

pouco tempo depois, pelas 13h44, se dar uma reativação junto ao IP5 que, aproximando‐se da A25 levou ao

seu corte entre os nós de Ventosa e Tondela. Este episódio apenas entrou em fase de consolidação às 23h38

do dia 24. Vários outros reacendimentos se verificaram mas uma rápida intervenção fez com que não

assumissem um papel de maior destaque.

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3.4.3. Incêndio de Guardão

O alerta do incêndio de Guardão foi dado às 11h05 do dia 28, sendo o local de ignição próximo de um

aviário na parte norte da Vila do Caramulo. Havia equipas de bombeiros em operações de rescaldo e

vigilância pós incêndio na área do incêndio de Alcofra, pelo que a chegada ao local foi relativamente rápida.

Devido à grande velocidade com que se propagava, rapidamente foram pedidos reforços de meios terrestres

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